O “Tarado do Parque”, homem que dopou, roubou e estuprou 13 vítimas durante 12 anos no Distrito Federal

Janeiro de 2008, Planaltina, Brasília – Distrito Federal: João Batista, cozinheiro com pouco menos de 30 anos, na Rodoviária de Planaltina, aborda um jovem que, à época, havia completado somente 16 anos de vida, e questiona se ele não o ajudaria a realizar uma mudança, em troca de dinheiro. O garoto aceita e, assim, os dois se dirigem ao apartamento de João, para carregar os móveis até a nova residência. Os dois chegam à casa e, após sua futura vítima adentrar, o homem tranca a porta e dá um ultimato no adolescente: ele só sairia do apartamento se mantivesse relações sexuais com João Batista. O jovem, receoso pelo que poderia acontecer na hipótese de recusar, anui ao pedido e “permite” que João o viole — ato que envolveu, inclusive, violência física.

Depois do estupro, a vítima foi liberada, mas a vergonha e o medo de uma possível retaliação do autor, a impediram não só de registrar o abuso a que foi submetido, como também de contar a qualquer pessoa sobre a terrível experiência.

Foi somente em 2020, depois de outras vítimas registrarem boletins de ocorrência, relatando os abusos sofridos também por João Batista, que a primeira delas o fez, encorajado pelas primeiras denúncias — e ele não foi o único. Entre novos B.Os registrados e avanços nos inquéritos policiais acerca dos atos do “Tarado do Parque” (não confundir com o “Maníaco do Parque”), ele tentou ou consumou estupros e roubos de, pelo menos, 13 pessoas, das quais uma acabou sendo vítima de latrocínio.

Quem é João Batista?

João Batista Alves Bispo, atualmente com 41 anos, nasceu no dia 24 de junho de 1979, numa área rural no município de Formosa (GO), situado aproximadamente a 80km da capital brasileira.

João é o caçula de três irmãos — os outros são um homem de 44 e uma mulher de 46 anos — criados com uma educação religiosa e que viveram uma infância e juventude humildes. A família tirava seu sustento das pequenas plantações de milho, feijão e mandioca que cultivavam.

Desde pequeno, como é comum em famílias em que prevalece a agricultura de subsistência, João contribuía com o trabalho na propriedade. Certa vez, enquanto trabalhava em um milharal das lavouras, o pequeno Batista, com 12 anos, foi abordado e estuprado por um morador do povoado local, que consumou o ato em meio à plantação.

A educação escolar de João foi mínima. O jovem teve de se inserir no mercado de trabalho com pouca instrução e aptidões limitadas. Dessa forma, buscando emprego no DF, acabou se tornando cozinheiro e se especializou em trabalhos domésticos.

Os relatos dos seus colegas de trabalho descrevem um bom funcionário, que realizava suas tarefas de forma competente, mas era reservado e raramente falava em situações nas quais não era necessário se expressar.

O último local em que trabalhou foi uma galeteria (restaurante em que se prepara frango “jovem” assado no espeto e temperado) na quadra 405 da Asa Sul, bairro do Plano Piloto em Brasília. Um dos empregados do estabelecimento, entrevistado, contou que “Ninguém imaginava que por trás de uma pessoa aparentemente inofensiva e de fala mansa havia um maníaco sexual” (“A dissimulação é um dos principais sintomas que compõem a psicopatia”, declarou Geraldo Balone, professor de psiquiatria da PUC de Campinas).

João morava em Planaltina antes de sua prisão. Seus vizinhos afirmaram que ele não se relacionava com nenhum deles, evidenciando que ele mantinha sua personalidade reservada também nesse âmbito. O relato da vizinhança seria importante para elucidar as versões confusas e contraditórias que o tarado tentou passar como álibi dos crimes. Segundo eles, João vivia uma vida solitária: nenhuma pessoa frequentava a casa além dele; mantinha uma rotina constante, saindo por volta das 05h e retornando após as 23h, sempre sozinho.

As apurações policiais apontaram um cenário semelhante. Maurício Iacozzilli, delegado adjunto da 1ª DP (Asa Sul), afirmou que, além de João não ter namorado – embora tenha feito alegações nesse sentido – “ele não tem amigos nem familiares próximos. Vivia sozinho em Planaltina e se mudava de residência com frequência”.

Os investigadores da Polícia Civil, na apuração do perfil do tarado, sustentaram que ele desprezava a condição humana das vítimas. Sua falta de remorso era evidente: permanecendo solto, ele continuaria perpetrando abusos.

Segundo o delegado-chefe da 1ª DP, Marcelo Portela, “Esse autor tem semelhanças com o maníaco do Paranoá, Marinésio dos Santos Olinto, preso pela PCDF por matar duas mulheres e fazer diversas outras vítimas. Ambos têm traços de sadismo e psicopatia”.

Ilana Casoy, especialista em traçar perfis psicológicos de assassinos e autora de livros sobre a mente dos criminosos, em conformidade ao que indica o jornal Metrópole, é reconhecida nacionalmente pelo auxílio nas investigações de outros maníacos com modus operandi similares ao de João, referindo-se ao tipo como “estuprador romântico”.

Casoy aponta que a fantasia sexual desses criminosos é sustentada pelo pensamento de que suas vítimas gostarão da experiência:

“Ele estupra para convencer a si mesmo de seu valor próprio e masculinidade, pois sua insegurança o impossibilita de interagir com pessoas de maneira saudável. Tenta compensar o seu profundo sentimento de inadequação como homem, e o ato sexual valida sua posição de importância na medida em que controla outro ser humano, mesmo que temporariamente. Seu propósito básico é elevar seu status e motivação por meio do inconsentido ato sexual”.

Os crimes do “Tarado do Parque”

O primeiro caso de que se tem notícia foi o descrito na introdução deste texto, no qual João, em 2008, estuprou um jovem de 16 anos, que registrou a ocorrência mais de dez anos depois, por receio e vergonha do ocorrido.

Aqui é oportuno notar que, nesse caso, há uma certa divergência informacional quanto a quem pediu ajuda para uma mudança, tendo fontes que alegam ter sido a vítima quem inicialmente pediu auxílio e que o crime teria ocorrido na casa dela. De toda forma, o resultado do abuso não difere.

Passaram-se três anos até seu próximo ataque, ocorrido em julho de 2011. No estacionamento 3 do Parque da Cidade, parque multiuso localizado na Asa Sul (Brasília), João, durante a noite, abordou um sujeito e tentou forçá-lo a se relacionar sexualmente com ele, mediante coação física. A vítima resistiu ao ataque e tentou fugir, mas foi agarrada pelo maníaco com um “mata-leão” e desfaleceu. No dia seguinte, acordou com a bermuda abaixada, sem saber se foi abusado.

Outras fontes informaram que, na verdade, a vítima da segunda investida (documentada) de João conseguiu fugir antes que o ato pudesse ser consumado. De qualquer maneira, semelhantemente ao primeiro caso, a ocorrência foi registrada somente depois de fotos do autor serem divulgadas pela polícia, e foi instaurado Inquérito Policial na 1ª DP, por tentativa de estupro.

Em janeiro de 2013, o Tarado cometeu – ou não – o mais perverso de seus atos até então: João convidou um jovem de 18 anos até a sua casa, e lá ofereceu a quantia de R$ 1.000,00 para se relacionar sexualmente com ele. Os dois mantiveram uma conjunção carnal, mas Batista expulsou o rapaz sem realizar o pagamento. A mãe do ludibriado tomou conhecimento da situação e denunciou o maníaco por estupro de vulnerável — a vítima era acometida por transtornos mentais e não poderia ter legalmente consentido uma relação sexual. A 16ª DP (Planaltina), à época, instaurou o inquérito policial, mas, em juízo, João Batista foi absolvido, de forma que não se pode afirmar que ele, de fato, cometeu tal ato.

A maior pausa entre os ataques do Tarado foi entre 2013 e 2017, agindo novamente em março desse ano. Nesse período, João decidiu usar uma nova técnica para facilitar a realização de suas fantasias e comissão de furtos: o famigerado “Boa noite, Cinderela”, golpe que envolve a mistura de medicamentos com alto poder sedativo em bebidas para desfalecer uma vítima em potencial.

A partir de 2017, João adotou um modus operandi (modo de operação) que manteve até sua prisão: “Ele ia para locais onde havia grande aglomeração de pessoas e começava a conversar com as vítimas. Então, passava a ingerir bebidas alcoólicas na companhia dessas pessoas e conquistava a confiança delas.”, descreveu o delegado Marcelo Portela. No fim do processo, ele dopava suas vítimas com a droga. “Eram doses cavalares, tão altas que uma das vítimas veio a óbito. E havia sempre uma conotação sexual envolvida. Ele as convidava para um pretenso programa, aplicava a medicação e praticava os delitos”, concluiu Portela.

Em março do ano referido, João encontrou um rapaz de 18 anos, sentado em um banco na Rodoviária do Plano Piloto. O jovem, que estava passando por problemas psicológicos, saiu de casa por contemplar suicídio. Percebendo a vulnerabilidade do moço, Batista se aproximou, se apresentando como alguém da igreja, oferecendo ajuda e convidando o jovem para tomar algo com ele. O rapaz aceitou e ambos foram à casa de João, onde a vítima bebeu um copo de refrigerante de sabor incomum. Após a ingestão, ele sentiu tontura, desmaiou e foi estuprado.

Preso em Brasília, homem que sequestrou jovem em rodoviária e passou dias o  estuprando
Rodoviária do Plano Piloto. Fonte: reprodução.

No ano seguinte, em junho, João Batista encontrou um rapaz de 22 anos, na Rodoviária de Planaltina. Depois de conversarem um pouco, os dois saíram para beber em um bar e – ato contínuo – foram para a residência de João. Lá, Batista serviu um copo de vinho para o homem, cujo conteúdo fez com que perdesse a consciência e, mais tarde, lembrasse vagamente do que se passara na noite. A vítima recorda apenas de estar na cama de João e de ele ter acariciado suas partes íntimas. Quando recobrou a lucidez, já estava em casa. Ao revistar os bolsos, encontrou um frasco de Clonazepam 2,5mg/ml.

Nesses dois últimos casos, foram registradas ocorrências e instaurados inquéritos pela 16ª DP; contudo, ambas as vítimas desistiram de dar prosseguimento às ações penais e os processos foram arquivados.

Depois de permanecer inerte em 2019, João Batista decidiu aumentar exponencialmente o volume de suas práticas em 2020, fazendo oito das suas 13 vítimas, somente no ano passado.
Em janeiro, ele cometeu um delito até então inédito no seu portifólio: latrocínio. A vítima, um morador da Asa Norte (bairro brasiliense) de 31 anos, foi encontrada no Parque da Cidade, próxima a uma estrutura conhecida como Castelinho, por um segurança, que acionou o Corpo de Bombeiros para que fosse prestado socorro; todavia, quando chegaram, o homem já havia falecido. A autópsia do cadáver evidenciou que ele ingeriu benzodiazepina, substância presente no medicamento Clonazepam, e morrido de overdose. Foi instaurado inquérito policial por latrocínio. Na posterior investigação da casa de João, feita em razão de sua prisão por outro de seus crimes, foi encontrado o celular da vítima, com um chip de uma linha telefônica do Tarado e os tênis pretos pertencentes ao homem, além de vários frascos de Clonazepam.

Pertences de uma das vítimas de João Batista. Fonte: PCDF

No mesmo mês, o Tarado atacou novamente no Parque. Enquanto um homem mexicano, de 28 anos, se exercitava no local, João o abordou e perguntou se ele não estaria interessado em uma bebida à base de amendoim e cachaça. O estrangeiro aceitou, ingeriu o líquido e retomou sua consciência apenas no dia seguinte, subtraído de seus documentos pessoais, celular e outros objetos. O processo deste caso ainda não pôde ser formalizado em razão de a vítima, que provavelmente deixou o país, ainda não ter sido localizada.

Em março, na Rodoviária do Plano Piloto, João atacou outra vítima menor de idade. O jovem de 16 anos conheceu o maníaco e teve uma vaga de emprego oferecida por ele, numa pizzaria na Asa Norte. Dias depois, eles se reencontraram na Rodoviária, ocasião em que o rapaz entregou seu currículo e foi ofertado água mineral e uma bebida alcóolica. Como já é de esperar, o adolescente recobrou a consciência deitado na cama de João, que estava nu. A vítima logo começou a sentir dores na região do ânus, vindo a descobrir que estava sofrendo um sangramento no local. Depois de abusar de mais um garoto, João teve a cortesia de deixá-lo na Rodoviária, para que ele pudesse ao menos retornar para casa. Quando chegou, sua mãe notou que o filho estava claramente sob o efeito de alguma substância. Uma ocorrência foi registrada na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o inquérito policial foi instaurado e o pedido de prisão feito.

Maio de 2020: a vítima da ocasião é um trabalhador do McDonald’s da 404/405 Sul, restaurante assiduamente frequentado por João e onde os dois se conheceram. No fatídico dia 12, Batista oferta uma oportunidade para que o funcionário de 22 anos prestasse um serviço a uma igreja em Planaltina e ganhasse, assim, um dinheiro rápido. Interessado, o rapaz o acompanha até a região e tomou um caldo dado pelo seu futuro algoz. Ele perde a consciência e acordou no dia seguinte, na Rodoviária do Gama, região administrativa do DF, com sua camisa extraviada e seu corpo violado. O inquérito policial, no caso, foi instaurado na 1ª DP.

Mês de julho e – infelizmente – seguimos. A vítima (36) caminhava durante a noite no Parque da Cidade e João se aproximou dela para oferecer seu famoso vinho. O gosto amargo foi seguido pela perda de consciência e o homem acordou somente dois dias depois, no Hospital de Base, onde teve de ser submetido a procedimentos cirúrgicos em virtude das fraturas em seu rosto. Ademais, reportou o roubo dos vários objetos pessoais portados, incluindo seu celular, que foi posteriormente encontrado durante a investigação da propriedade de João Batista. O inquérito policial acerca do crime foi finalizado e a ação penal iniciou tramitação na 5ª Vara Criminal de Brasília, que decretou a prisão preventiva do Tarado.

No início de agosto, voltamos à Rodoviária de Planaltina, dessa vez no estacionamento. A vítima (18) foi abordada por João e recusou sua oferta de realizar favores sexuais em troca de compensação financeira, mas aceita auxiliar Batista em uma suposta tentativa de dar partida no carro, que não queria “pegar”. Iniciada a operação, João pegou uma chave de roda no capô e golpeou de raspão o rosto do rapaz; ato contínuo, o agarrou e jogou dentro do veículo. O maníaco dirigiu os dois a outro local, onde atacou o jovem com um pedaço de pau, eventualmente o lesionando. A memória do jovem se estendeu até o momento em que seu dinheiro foi roubado e João o levou para um hotel. Recobrou a lucidez tempos depois, na Rodoviária de Planaltina, sendo encontrado por um amigo, ainda desorientado e com o corpo repleto de escoriações. A 16ª DP foi informada e iniciou a tomada das diligências legais exaustivamente mencionadas antes.

Dois dias depois de seu último abuso, João Batista fez sua próxima vítima, ainda no Parque da Cidade. Dessa vez usando um novo discurso para ludibriar o alvo. Um mineiro de 32 anos estava sentado em um banco, quando o Tarado o interpelou, dizendo que era seu aniversário, estava sozinho e gostaria de “tomar umas” com alguém. O rapaz aceitou e, naturalmente, depois de beber o quarto copo da bebida disponibilizada por Batista, perdeu a consciência, requerendo atendimento médico no dia seguinte, quando foi socorrido pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhado ao hospital do Paranoá. O homem alegou não ter sido abusado, mas contou que teve seu celular e dinheiro furtados. Ao lado da vítima, enquanto ainda estava consciente, tinha um frasco de Clonazepam.

Para a comissão de seu último crime — no fim de agosto —, o criminoso optou por um novo local: shopping Conjunto Nacional, localizado ao lado da Rodoviário do Plano Piloto. A vítima (37) encontrou João, conversou um pouco com ele, tomou uma bebida que lhe foi oferecida e logo desfaleceu, acordando próximo à Embaixada do Malawi, no dia seguinte. O Tarado extraviou a moto, celular, jaqueta e carteira do homem, dos quais o aparelho telefônico e a blusa de frio foram encontradas na casa de João. O sujeito passivo do crime também relatou ter sido sexualmente violado e agredido por João. Foram realizadas as diligências legais necessárias para requisitar a prisão de João Batista.

Por fim, mencionar-se-á outro caso, cuja ocorrência foi inicialmente especulada quando as primeiras denúncias foram feitas, mas não foram citadas em artigos mais recentes.
Alega-se que, em 2013, quando João trabalhava como cozinheiro em um restaurante na Rodoviária do Plano Piloto, ele dopou, sequestrou e manteve em cativeiro na sua casa, por 5 dias, um rapaz de 16 anos, o deixando atado à sua cama e abusando continuamente de seu corpo. No fim do período, o jovem teria sido largado na rua.

Prisão do Tarado do Parque

João Batista Alves Bispo. Fonte: PCDF

João Batista foi preso no dia 07 de outubro de 2020, pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A operação foi efetivada na casa do maníaco, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva, expedido pela 5ª Vara Criminal de Brasília.

Na investigação da residência do maníaco, conforme mencionado anteriormente, foram encontrados diversos celulares e pertences de suas vítimas, assim como três frascos de benzodiazepínicos, usados no “Boa noite, Cinderela”.

A delegacia que conduziu a investigação também afirmou que todas as vítimas levadas para reconhecer o autor, afirmaram que João Batista era o responsável pelos crimes.

O Tarado está sendo indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, estupro, roubo e latrocínio. Sua condenação poderá implicar em mais de 30 anos de prisão. Ele está preso preventivamente, na ala de criminosos sexuais do Complexo Penitenciário da Papuda, onde aguarda por seu julgamento.

Teoria da conspiração?

Em depoimento à PCDF, João Batista afirmou que os estupros e abusos não passam de uma “teoria da conspiração”. Durante novo interrogatório, no qual os policiais tinham a expectativa de que ele confessasse os crimes — na primeira oportunidade, ele confessou parcialmente à comissão dos delitos — e revelasse mais detalhes sobre seu modus operandi, além de outras possíveis vítimas; contudo, ele insistiu em álibis inconsistentes para manter sua inocência.

Segundo João, os medicamentos usados para o “Boa noite, Cinderela” teriam sido plantados em sua casa por garotos de programa que frequentavam o local: “Nunca comprei esses medicamentos e jamais tive receita médica para conseguir acesso nas farmácias. Esses remédios foram deixados na minha casa por alguns garotos de programa que passavam as noites lá”.

As evidências dos crimes também seriam culpa de outro homem: Adriano, um morador de rua. João Batista sustentou que este rapaz seria quem deixou todos os objetos pertencentes às vítimas em sua casa: “Esse rapaz estava morando na rua há alguns dias, perto de onde eu morava. Acabei levando ele para dentro de casa e ficamos juntos por cinco dias. Ele chegou na minha casa calçado com esse tênis”.

Quando questionado da razão pela qual nenhum de seus vizinhos nunca ter avistado um outro ser humano adentrar sua residência, ele ponderou que seus encontros amorosos ocorriam durante a madrugada, pois o senhorio do imóvel não permitia visitas. Por fim, garantiu:

“Muita gente que ia até lá deixava objetos, como peças de roupas e esses remédios. Não tenho ligação com esses estupros. Eu me envolvia com homens que frequentam os estacionamentos do Parque da Cidade, muitos deles casados, mas nunca estuprei ninguém”.

Iacozzili, delegado da 1ª DP, afirmou que não passam de alegações infundadas:

“Além das provas apreendidas, todos foram categóricos em dizer que João Batista era extremamente solitário e não mantinha relacionamento amoroso com parceiros fixos. As relações eram furtivas e ocorriam planejadas por ele já dopando e roubando as vítimas em seguida”.

Delegado Maurício Iacozzilli — Foto: Afonso Ferreira/G1
Delegado Maurício  Iacozzilli. Fonte: G1

O leitor pode ficar à vontade para ponderar as informações e chegar à conclusão que lhe parecer mais sensata. Enquanto não houver uma sentença o condenando ou absolvendo, independentemente das circunstâncias apresentadas, João Batista continua sendo apenas suspeito e, portanto, inocente.

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