Massacre no Shopping Morumbi

Mateus da Costa Meira nasceu em 04 de abril de 1975, na Bahia.
Ele tinha uma boa condição financeira, pois seu pai era um oftalmologista muito renomado na Bahia, e desde criança fazia acompanhamento psiquiátrico.
De acordo com sua mãe, até seus 13 anos, ele não apresentava nenhum tipo de problema psicológico, sendo que foi nessa idade que seu quadro depressivo começou, juntamente com o bullying por parte de seus colegas de classe, que utilizavam de apelidos maldosos para atingir o garoto por conta de seu peso. De acordo com sua mãe, ele uma vez a contou que gostaria de se suicidar, e acabou fazendo acompanhamento por 1 ano, até começar a negar os medicamentos e o tratamento, pois dizia que era depressivo devido à sua falta de amigos.
Aos 15 anos seus pais lhe pagaram um intercâmbio, mas foi aí que a situação se agravou. Sua mãe americana disse que seu quadro passou de depressivo para agressivo, e por não conseguir lidar com o garoto, ele acabou voltando ao Brasil. A responsável pelo intercâmbio e sua mãe estadunidense disseram que aqueles episódios não foram isolados, e que Mateus precisava de ajuda profissional.
Ele começou a ficar bem agressivo, até mesmo com seus pais, chegando a quebrar uma costela de seu pai e socar o olho do mesmo, e agredir sua mãe por motivos banais, como por exemplo, sua roupa não estar bem passada. Ele tinha mania de limpeza e organização e era muito rígido sobre isso, sendo até hoje, de acordo com relatos de detentos.
Seus pais sempre procuravam diversos profissionais para ajudá-lo, e um dos médicos aconselhou que o enviassem para outro estado, pois, caso contrário, a situação poderia piorar. E assim seu pai fez.
Mateus escolheu morar em São Paulo, e todos encararam como uma boa decisão e um recomeço. Lá ele morou em dois lugares antes de se mudar para o prédio que ficou até a época do crime, pois teve problema nos dois anteriores, o que causou expulsão em ambos. Durante os 6 anos que morou na cidade ele não conseguiu fazer uma amizade sequer e tentou suicídio diversas vezes, de acordo com a mãe. Nunca recebeu visitas em seu apartamento, não atendia o interfone e nem a porta, e sempre foi visto pelos vizinhos como um cara muito quieto e solitário. Ele não gostava de pessoas e as evitava, e também possuía comportamentos estranhos, como uma vez que foi até a casa do zelador e pediu a chave da caixa de luz, pois a voz que o perseguia, segundo ele, estava lá dentro, chegando também a ameaçar o zelador.
Mateus não tinha intimidade com sua família, mas deixou sua mãe o abraçar e passar a mão em seus cabelos após sua prisão. Ele conversava com seus pais mas nunca com sua irmã mais nova, mas sem motivo aparente, era como se ela não existisse. Ele tinha diversos surtos de raiva, e gostava de jogos agressivos de computador, possuindo também uma vasta coleção de softwares copiados ilegalmente. Era bem conhecido por enviar vírus e pornografia à usuários desde 1997.
Seu pai o convenceu a fazer medicina na Faculdade de Ciências Médicas de São Paulo Santa Casa (FCMSCSP), ele era um excelente aluno em geral. Quando decidiu cometer o ataque, ele estava no sexto período, faltavam apenas 15 dias para a formatura. Um tempo antes de cometer o atentado, ele começou a fazer uso de drogas, perder aulas, e parou de usar seus medicamentos.
Então no dia 03 de novembro de 1999, Mateus decidiu ir até a sala 5 do cinema do shopping Morumbi de SP, onde estava sendo exibido o filme “Clube da Luta”. Ele foi de carona, pois disse que não sabia dirigir o veículo que sua companhia de seguros lhe ofereceu após um acidente com seu antigo carro, um Chrysler neon.

Meira também disse à polícia que planejava o ataque por sete anos, e que escolheu o Fight Club (Clube da Luta) porque o personagem principal sofre de esquizofrenia. Antes de cometer o atentado, ele saiu da sala de cinema no meio do filme, foi ao banheiro e deu um tiro em seu reflexo, atingindo o espelho à sua frente, em uma forma de testar a arma. Mateus possuía uma pistola, porém, comprou uma submetralhadora americana Cobray M-11/9 calibre 9 milímetros de um traficante de drogas, por RS 5.000.

Após se certificar que a arma estava funcionando, ele voltou para a sala de cinema e começou a atirar sobre a plateia. Quem estava na primeira fileira conseguiu perceber que os tiros eram reais e conseguiu se abaixar a tempo. O tiroteio durou cerca de 3 minutos, isso porque Meira não sabia manusear corretamente a arma, e felizmente não conseguiu ativar um mecanismo que disparava vários tiros por segundo. Esse fato também dificultou o recarregamento da arma, dando tempo para que as pessoas pudessem detê-lo, conseguindo desarmá-lo. Mateus não tentou lutar, e os seguranças do shopping chegaram em seguida, poupando-o de ser linchado pela plateia. O atentado deixou 3 mortos e outros 4 espectadores feridos, sem gravidade. Morreram no massacre a fotógrafa Fabiana Lobão Freitas, de 25 anos, a publicitária Hermé Luísa Jatobá Vadasz, de 46, e o economista Júlio Maurício Zeimaitis, de 29.
Mateus foi preso em flagrante, e cinco anos depois foi levado à júri popular. No julgamento, a defesa adotou a tese da inimputabilidade, pelo fato de o réu possuir distúrbios mentais. Os advogados de Mateus alegaram que ele tinha uma consciência parcial do crime, e também que ele sofria de alucinações, e provaram que, no momento do atentado, ele estava sob efeito de drogas, o que poderia ter influenciado suas ações. Após várias apelações judiciais, Mateus foi condenado à 30 anos de cadeia, e seus advogados tentaram, em vão, alegar insanidade e influência do jogo Duke Nukem, que tem como primeira fase um tiroteio no cinema.
Foram encontrados vestígios de crack em seu apartamento, sendo que o mesmo utilizava drogas constantemente.
Exatamente dez anos após o crime, na penitenciária Lemos Brito, em Salvador, Mateus esfaqueou seu companheiro de cela, pois ele estava ouvindo televisão com o volume muito alto. No entanto, foi considerado inimputável pela tentativa de homicídio.
Também foi decidido que após sair da prisão ele poderá continuar seus estudos no curso de medicina.
Mateus já realizou também dois exames que concluíram que ele está apto à deixar a prisão. Mesmo o Ministério Público pedindo o terceiro exame e não aceitando a decisão, ele pode ser solto a qualquer momento.
O pai de Mateus lamentou: “Eu sei que outros pais perderam seus filhos, mas sei que meu filho fez isso porque estava fora de si”.

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