Amityville — Uma história para se recordar.

Residência 112 nos dias atuais.

Uma pequena cidade estadunidense, localizada no condado de Suffolk, poderia passar despercebida pelos historiadores, porém Ronald Joseph DeFeo Jr adicionou-a para sempre nos registros da história.

Ronald DeFeo concretizou seu sonho quando comprou a casa de número 112 na Ocean Avenue, Amityville, uma grande residência em Long Island. Por anos, Ronald trabalhou duro na concessionária de luxo de seu sogro até que, finalmente, alcançou a liberdade financeira que desejava. Assim, quando decidiu se mudar para Long Island para fugir do agito de Nova Iorque, dinheiro não foi um empecilho. Ronald escolheu a já mencionada casa 112, pois além de ser uma ampla residência, seu terreno contemplava uma grande área que incluia uma casa de barcos à beira do rio Amityville. O espaço era suficiente para que ele, sua esposa Louise e seus 5 filhos Ronald Joseth DeFeo Jr de 23 anos; Dawn de 18 anos; Allison de 13 anos; Mark de 12 anos e John Matthew de 8 anos, pudessem viver com tranquilidade e conforto.

Ronald DeFeo e Louise DeFeo

Toda a aparência de bom homem, ótimo marido e excelente cidadão encobria a verdade. Ronald DeFeo era um homem temperamental com muitos acessos violentos de raiva. As brigas e discussões ferozes entre ele e Louise eram frequentes e os filhos não o viam com bons olhos. Aquele que era mais abusado durante os acessos de seu pai era Ronald Jr, o primeiro filho e consequentemente alvo da maior parte da fúria e expectativas de Ronald DeFeo.

Ronald Jr (ou Butch, como ficou conhecido) foi um jovem retraído que frequentemente sofria bullying por estar acima do peso. Seu pai constantemente o encorajava a enfrentar os valentões e se defender, mas claro, esse encorajamento sempre tinha fim quando lhe dizia respeito. Em casa Ronald mantinha o filho em rédeas curtas e desencorajava qualquer tipo de ação defensiva com agressões.

Ao longo dos anos, Butch foi crescendo e se tornando maior em tamanho e força, ele não era mais um menino indefeso. Com isso, discussões, gritos e trocas de socos eram frequentes na casa.
Logo o casal DeFeo percebeu que seu filho poderia precisar de ajuda, pois apesar de estar apresentando o mesmo comportamento de Ronald, ele foi perspicaz o suficiente para entender que o comportamento do seu filho, apesar de parecido com o seu, tinha um “ar” diferente. Ronald e Louise marcaram uma consulta psiquiátrica para Butch, mas o rapaz adotou uma posição de recusa alegando não precisar de ajuda.

Aos 14 anos, o menino começou a receber tratamento privilegiado dos seus pais como forma de estratégia para apaziguar o seu humor, Ronald o presenteou com uma lancha avaliada em US$14 mil dólares para que ele cruzasse o rio sempre que tivesse vontade, quando o garoto precisava ou queria dinheiro, bastava pegar que os pais permitiam.

Forçado a sair da escola paroquial em que estudava, Butch começou a usar drogas aos 17 anos e finalmente seus surtos psicóticos se tornaram mais evidentes e não apenas eventos isolados dentro de casa. Aos 18 anos, começou a trabalhar na concessionária do seu avô, mas para ele aquele emprego era irrelevante, pois de qualquer forma, seu pai pagava um salário ao fim de cada semana, que era gasto em drogas, bebidas e em seu carro que também foi presente dos pais. Numa noite, uma briga entre o casal DeFeo se iniciou. Butch desceu as escadas com uma espingarda calibre .12 que utilizou para separar a briga, apontando a arma para o peito de seu pai, inclusive chegando a apertar o gatilho, porém a arma não disparou. Essa foi só uma amostra do futuro que aguardava a família.

Nas semanas que antecederam a chacina, ficou evidente que Butch continuava a decair psicologicamente. Duas semanas antes das mortes ele roubou quase US$22 mil da concessionária do seu avô com um amigo de cúmplice. Ele foi chamado para depor, e ao invés de elaborar uma mentira ou até mesmo descrever uma aparência complexa durante o interrogatório, Butch se irritou com os policiais e foi agressivo. Na sexta-feira anterior aos assassinatos, a polícia chamou-o para uma sessão de reconhecimento de fotos na tentativa de encontrar o assaltante. Ele concordou, porém na hora da sessão se recusou a participar, o que deixou seu pai furioso. Ronald foi até a concessionária exigir explicações de seu filho, o que resultou em uma ameaça direta de Butch; “seu gordo idiota, eu vou te matar” proferiu o rapaz, que em seguida disparou em seu carro rumo ao desconhecido.

Butch sendo o único da família que tinha um quarto próprio, conseguiu armazenar dezenas de armas que colecionava e às vezes até as vendia. Na noite de 13 de novembro de 1974, ele escolheu um rifle Marlin calibre .35 para aquela ocasião. O rapaz silenciosamente entrou no quarto dos pais, puxou o gatilho e acertou o primeiro tiro que daria naquele dia e, um a um, Butch silenciou todos os seus parentes. O menino disparou oito vezes, duas em cada um de seus pais e uma em cada um dos de seus quatro irmãos.

Segundo legistas, Ronald DeFeo levou um tiro que atravessou suas costas perfurando o rim e saindo pelo peito, o segundo tiro se alojou na espinha de Ronald. Louise DeFeo, que teve apenas alguns segundos para reagir, não teve tempo de se mover mais que alguns centímetros antes que butch disparasse, e ambas as balas atingiram a região torácica do corpo dela, estraçalhando suas costelas e pulmões.

Incrivelmente, o som dos disparos não despertou nenhum dos irmãos, e assim Butch subiu até o quarto deles e disparou em ambos, uma das balas perfurou a coluna de John que teve uma crise de espasmos por alguns momentos após morrer, enquanto Mark ficou imóvel após a morte. Novamente os disparos não despertaram ninguém, situação que Butch aproveitou para se encaminhar ao quarto de sua irmã. Allison olhou o rosto de seu assassino no momento em que ele disparou em sua cabeça, causando morte instantânea. Após o ataque, ele se encaminhou para o quarto de hóspedes onde Dawn dormia, apontou a arma para sua cabeça e disparou, estraçalhando o lado esquerdo da face dela.

Tudo aconteceu pouco tempo depois das três da manhã. Em quinze minutos Ronald Joseth Jr havia assassinado toda a sua família.

Todos os filhos de Ronald DeFeo.


Tendo em vista que seu objetivo estava completo, Butch decidiu iniciar a limpeza do local e começou a criar seu álibi. Depois de um banho, Butch enrolou o rifle em uma fronha e dirigiu até Brooklin, onde desovou a arma do crime em um bueiro. Em seguida, voltou a Long Island onde foi trabalhar normalmente às 06h00.

Às 12h00 Butch saiu do trabalho e foi se encontrar com sua namorada, passou o resto da tarde bebendo com os amigos — um deles Bobby Kelske — mas sempre ligando para casa, demonstrando preocupação com seus familiares por não obter contato. Quando chegou ao bar Henry’s, às 18h00, Butch e seus amigos juntos a alguns clientes foram até a casa para verificar a segurança da família DeFeo.

Imagem da noite dos assassinatos.


Bobby Kelske, ao entrar pela porta da frente se deparou com o Butch horrorizado (ele havia invadido a casa por uma janela) e com nítido sofrimento. Poucos minutos depois, o tenente Kenneth Gekuski chegou ao local e encontrou os amigos no gramado da casa consolando Butch, que estava abalado. Às 19h00, a vizinhança já tinha ciência da tragédia e estava reunida para obter informações. O detetive Gaspar Randazzo, do condado de Suffolk, foi o primeiro a interrogar Butch e conseguiu obter um nome: “Louis Falini”, que segundo ele, foi um pistoleiro que tinha uma rixa com sua família por conta de uma discussão que tiveram alguns anos antes.

O interrogatório continuou na casa do vizinho ao lado, que fora transformada em base de operações. O detetive Gerard Gozaloff se juntou ao caso, e, juntos, os detetives decidiram que se um pistoleiro estava envolvido, Butch ainda poderia ser um alvo, e portanto todos os interrogatórios futuros deveriam ser realizados na delegacia. Lá, um terceiro detetive se juntou, Joseph Napolitano.

Ronald “Butch” DeFeo Jr sendo detido.

Em seu primeiro depoimento, Butch informou aos detetives que ficou em casa até as 2h00 da manhã vendo televisão, e então, como não conseguia dormir, saiu mais cedo para trabalhar. Ele contou como foi seu dia com seus amigos e também informou as ligações que tentou fazer para sua casa sem sucesso. Após horas de interrogatório Butch contou que Falini morou com a família por alguns anos e ajudou a construir um quarto secreto, onde seu pai guardava dinheiro e pedras preciosas. De acordo com Butch, a discussão começou quando ele criticou um dos trabalhos feitos por Falini na concessionária.

Sendo uma testemunha colaboradora, os detetives não tiveram motivos para suspeitar do filho mais velho, mas claro, tudo mudou quando o detetive John Shirvell estava fazendo uma varredura nos quartos dos DeFeo. John percebeu que todos os quartos tinham sido criteriosamente revirados, menos o de Butch. Fazendo uma busca, o detetive encontrou duas caixas de papelão no quarto dele, ambas descrevendo o que nelas tinham; rifles Marlin de calibres .22 e .35. Ainda sem saber que o rifle calibre .35 foi utilizado como arma do crime, John levou as caixas para perícia.

Exaustos, os detetives Gazolaff e Napolitano deixaram o caso, e o detetive Rafferty e o tenente Dunn assumiram a investigação. Eles não estavam mais para brincadeira e pressionaram Butch até que sua história e seu álibi rachassem. Com essa rachadura, toda a história ruiu. Dunn e Rafferty focaram nas contradições entre a história de Butch e as evidências físicas apresentadas. O rapaz DeFeo tentou mentir para se proteger, mas as mentiras só criaram contradições e fizeram com que Butch se tornasse o principal suspeito. Rafferty o encurralou, fazendo ele finalmente confessar o crime, dizendo “tudo começou tão rápido. Depois que comecei, não consegui parar”

O caso de assassinato na residência 112 cometido por Butch foi levado a julgamento no dia 14 de outubro de 1975. Um ano e cinco dias após a data dos assassinatos, o juiz instruiu o Júri a deliberar, e voltar ao tribunal com um veredito. No dia 21 de novembro de 1975, Butch foi declarado culpado de todas as acusações e quatorze dias depois, foi sentenciado a 25 anos de prisão por cada vítima do seu crime.

Ronald Joseth DeFeo Jr está até hoje detido na Green Haven Correctional Facility, Beekman, Nova Iorque e todos os seus apelos por condicionais foram negados até os dias de hoje.

Ronald “Butch” DeFeo Jr.

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