Snowtown – Corpos Desmembrados. Canibalismo e Lucro com a Morte

Vítimas dos Assassinos de SnowTown

De 1992 a 1999, Snowtown uma pequena cidade da Austrália, foi palco de crimes brutais, que mais tarde viriam a se tornar um dos casos mais famosos de serial killers daquele país.

A tenebrosa história que envolvia até canibalismo e que vamos apresentar, foi retratada no filme: Os crimes de Snowtown, um longa-metragem de 2011, dirigido por Justin Kurzel, extremamente angustiante e perturbador.

Em 1999, a polícia de Snowtown, uma pequena cidade localizada no sul da Austrália, fez uma terrível descoberta. Encontrou seis enormes barris cheios de corpos desmembrados. O caso que foi batizado pela imprensa como “The bodies in barrels murders”, que quer dizer Os assassinatos dos corpos nos barris, serviu de inspiração para o filme australiano.

Cena do filme com os barris ao fundo

Historicamente, serial killers costumavam agir sozinhos pelo fato de ser mais difícil de serem capturados do que agindo em grupos, no entanto, os barris encontrados em Snowtown, levaram as autoridades a descobrir que os responsáveis pelos crimes faziam parte de uma grupo de pessoas que agiam nas proximidades da pequena cidade.

O grupo era liderado por John Bunting, que tinha personalidade forte, mas era carismático e manipulador, tanto que convenceu três outras pessoas a ajudar em vários dos homicídios.

 Mark Haydon e Robert Wagner, dois vizinhos que moravam próximos à casa de Bunting e seu enteado James Vlassakis.

James Vlassakis havia crescido sem uma presença paterna e enxergava em Bunting essa figura. O psicopata se mostrava atencioso, gentil e hospitaleiro, inclusive com os irmãos de James. Por trás dessa aparência inofensiva, haviam os clássicos sinais de um serial killer.

 John Bunting teria sido molestado em sua juventude e cresceu em um ambiente disfuncional. Possivelmente os traumas acumulados em anos, o teriam levado a cometer esses crimes.

A psicologia atual explica que abuso infantil não é um fator determinante para que uma pessoa se torne um serial killer, mas somado a fatores neurológicos, abusos e maus tratos na infância, são relevantes para a formação de uma personalidade doentia de um assassino em série. Quase todos eles têm esse histórico e com John Bunting, não era diferente. Ele nutria um profundo ódio por gays e pedófilos, para ele, todos os gays eram pedófilos e mereciam morrer.

No filme registram uma cena em que Bunting estimula os enteados a vandalizar uma residência de um casal gay, que imediatamente se muda do local com medo do acontecido.

A fama de violência de Bunting ultrapassava os limites da pequena cidade, bastava uma acusação ou boato de que alguém fosse pedófilo ou gay, para entrar em sua lista de assassinatos. Em sua casa foram encontrados fotos e nomes em um mural com seus alvos em potencial. Bunting havia desenhado uma teia de aranha em uma parede de um quarto vazio em sua casa. A pintura, criada com papel e lã, era uma rede interconectada de nomes de pessoas que Bunting suspeitava serem pedófilos ou homossexuais. Às vezes, selecionava aleatoriamente um nome da parede e capturava a pessoa. Após isso, a acusava insinuando seu possível “crime” e informava que ela teria o que merecia.

Um dos locais usados pelo grupo para a ocultação de partes dos cadáveres

Uma das vítimas do grupo foi Barry Lane, que no passado teve um relacionamento amoroso com o Robert Wagner, braço direito do Bunting. Após sua captura, Bunting fez com que Barry Lane enumerasse todos os homossexuais que conhecia e posteriormente convenceu o Robert a ajudá-lo no assassinato de seu ex-parceiro.

Outro fato pouco comum a serial killers neste caso era a escolha de vítimas nas proximidades de sua residência. Muitos assassinos evitavam essa prática, porque isso os tornam suspeitos em potencial, no entanto, John Bunting se achava cada vez mais intocável. As primeiras vítimas foram mortas e enterradas em locais distantes, passado algum tempo, o grupo passou a eliminar as pessoas e trazer os corpos para próximo de suas próprias casas.

Após serem capturadas, as vítimas eram torturadas. Bunting as obrigava a gravar uma fita cassete, ora em tom de despedia, ora em tom agressivo para que ninguém viesse procurá-los. Esse subterfugio por vezes realmente evitou a procura por parte de alguns parentes das vítimas.

Bunting obrigava as vítimas a informar dados bancários e senhas e furtava todo o dinheiro, antes de morrer, as vítimas viviam um verdadeiro inferno de tortura, dor e sofrimento. Quando a polícia prendeu o grupo, encontrou serras, garrotes, martelos, facas, alicates, armas de fogo e até mesmo uma ferramenta de uso metalúrgico que Bunting utilizava para dar choques elétricos em suas vítimas.

Galpão onde os corpos foram encontrados

Após as sessões de tortura e morte, os corpos eram desmembrados e depositados em barris cheios de ácido para a decomposição mais rápida e sem vestígios.

 Depoimentos no processo afirmam que Bunting costumava tocar o álbum Throwing Copper da banda Live, de 1994, durante muitos de seus assassinatos.

Uma das últimas vítimas do grupo foi David Johnson, que era meio irmão do James Vlassakis. Atraído até um prédio em construção, Buntin e Wagner estavam a sua espera. Ele foi torturado e forneceu aos criminosos suas informações financeiras. Buntin e Wagner foram a um caixa eletrônico para fazer os saques, quando retornaram, Johnson havia falecido, insatisfeitos com a morte antecipada não planejada, decidiram cortar algumas partes do corpo de David Johnson fritar e comer, conforme relatos no tribunal, durante o julgamento.

O filme não explora muito a figura de John Bunting, focando mais na construção de seu relacionamento com seu enteado James Vlassaki, o roteiro mostra a vida infeliz e desregrada que tinha e como ela se torna pior após a chegada de Bunting. O psicopata entrou na mente do enteado e o coagiu a se tornar cúmplice em vários de seus crimes. The Snowtown Murders não mostra todos os assassinatos e nem o grupo sendo preso pela polícia. A prisão aconteceu em maio de 1999, após as autoridades encontrarem os restos mortais de oito vítimas dentro de enormes barris de plástico, escondidos em um galpão quando investigavam o desaparecimento da esposa de Marcos Haydon.

Elizabeth Haydon, esposa de Marcos Haydon, morava em Blackham. Sua irmã, Jodie Elliot, teve um breve relacionamento com Bunting em 1998, vivendo na parte de trás da casa dos Haydons. Elizabeth foi a única vítima do sexo feminino da dupla criminosa. Assassinada em 20 de novembro de 1998, Elizabeth foi dada como desaparecida por seu irmão Garion Sinclair.

As investigações sobre o desaparecimento de Elizabeth levaram à descoberta do galpão abandonado, em Snowtown, ocasionando a descoberta dos oito corpos, incluindo o de Elizabeth. Mais tarde, a polícia prendeu Bunting, Wagner, James e o marido de Elizabeth, Mark Haydon, pelos assassinatos.

O galpão abandonado utilizado pelo grupo de Bunting

O filme prefere investir mais no terror psicológico do que no derramamento de sangue perpetuado por Bunting e seus comparsas. Mas ainda assim, definitivamente não é um filme para quem não está acostumado com o tema.

O julgamento do caso foi um dos mais longos ocorridos na Austrália, John Bunting foi condenado a onze sentenças perpétuas consecutivas. Robert Wagner também recebeu pena de prisão perpétua, já o Mark Haydon foi sentenciado a vinte e cinco anos de prisão. James Vlassakis, apesar de ter colaborado com as investigações, relatado como aconteceu a maioria dos crimes, não teve sua sentença diminuída, sendo condenado à prisão perpétua, podendo recorrer após cumprir vinte e seis anos de sua pena.

John Bunting e Robert Wagner

Apenas um dos crimes do grupo foi articulado e cometido em Adelaide, todos os outros foram cometidos em locais próximos, porém, uma vez que os corpos foram encontrados na cidade, ela acabou ganhando destaque por conta dos terríveis eventos. Em 2017, um grupo de moradores sugeriu mudar o nome da cidade para Rosetown, mas a ideia foi descartada porque o município estava lucrando com os crimes. 

Após os assassinatos, não demorou muito para que alguns vissem uma oportunidade de lucrar com a notícia. Foram criados souvenirs, tais como Ímãs de geladeira fazendo referência aos assassinatos de Snowtown. Documentários e o filme aqui comentado.

Imãs de geladeira vendidos na cidade

O chamado turismo negro é a prática de atrair visitantes para uma região onde ocorreram eventos terríveis ou macabros. Em Snowtown, tem-se falado constantemente em transformar o antigo galpão onde os corpos estavam armazenados em barris como um local de turismo, potencialmente um museu.

Panfleto de turismo macabro da cidade de Snowtown

 Por esses e outros motivos que raramente nos espantamos com o nível de perversidade e barbaridade que a raça humana pode cometer.

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