“Smile Face Killers”- A história por trás dos mitos.

Desde 1997, centenas de homens em idade universitária morreram em afogamentos acidentais ou indeterminados. Algum deles poderia estar conectado a um serial killer ou grupo de assassinos?
Nos últimos 20 anos, centenas de homens em idade universitária nos Estados Unidos morreram afogados de forma indeterminada ou acidental. Em grande parte dos casos, as vítimas eram estudantes e atletas bem-sucedidos que desapareceram após uma noite bebendo com amigos e foram encontrados mortos em lagos e no mar.

Imagens encontradas nos locais de afogamento.

Em alguns dos locais onde os corpos das vítimas foram encontrados, pichações de um rosto sorridente (smile face) foram deixadas para trás. Na maioria dos casos, a polícia precipitadamente teorizou que os homens simplesmente ficaram bêbados demais, caíram na água e se afogaram, mas alguns investigadores não concordaram com essas justificativas. Gannon, Donovan, Duarte e Gilbertson investigaram as mortes como obra de um grupo organizado de assassinos em série, apelidado de “Smiley Face Killers”. A equipe acredita que estes serial killers são altamente sofisticados e se comunicam por intermédio da dark web. Mais de uma dúzia desses casos foram descritos no livro de Gannon e Gilbertson “Case Studies in Drowning Forensics”, mas há seis mortes em particular que se destacam como possíveis assassinatos dos Smiley Face:

Brian Welzien

Em 1º de janeiro de 2000, Brian Welzien, da Northern Illinois University, desapareceu de Chicago, Illinois, após uma noite de comemoração do ano novo com seus amigos. O estudante de finanças de 21 anos raramente festejava, já que se dedicava ao time de futebol da universidade, mas decidiu beber alguns drinks porque se tratava de festa do ano novo. Os amigos de Welzien disseram que ele só bebeu três ou quatro drinques, mas no final da noite ele parecia muito embriagado.

Welzien disse aos amigos que queria voltar para o hotel onde estavam hospedados. Durante o trajeto ele começou a vomitar. Seus amigos disseram a ele para sair do carro enquanto eles estacionariam. Várias testemunhas do lado de fora do hotel viram Welzien vomitando na rua.

Após isso, os amigos de Welzien subiram para o quarto e nunca mais viram ele. O corpo foi encontrado 77 dias depois, em 17 de março daquele ano. Inexplicavelmente, ele foi localizado em uma praia em Gary, Indiana, 48 km ao sul de Chicago. A polícia disse que não havia sinais de crime e que sua morte foi considerada como um afogamento indeterminado. Os investigadores acreditaram que ele poderia ter caminhado até a beira do Lago Michigan e caído. Uma Smile Face foi encontrada pintada em um muro próximo ao hotel.

Todd Geib

Todd Geib tinha 22 anos quando desapareceu na madrugada de 12 de junho de 2005. Ele estava em uma festa perto de sua casa em Casnovia, Michigan. Como não retornou para casa, foi dado como desaparecido mais tarde, por sua mãe, iniciando uma enorme busca pelo local nas proximidades da festa. Na noite de seu desaparecimento, Geib fez várias ligações de seu celular. Uma delas era para uma amiga que disse ter ouvido Geib dizer: “Estou em um campo” antes da ligação cair.

O corpo de Geib foi encontrado três semanas depois em um lago que já havia sido vistoriado. Sua morte foi considerada afogamento indeterminado. Estranhamente, a cabeça e os ombros de Geib estavam para fora da água. O corpo apresentava poucos sinais de decomposição, apesar de 22 dias desaparecido. Álcool e antidepressivos foram encontrados no exame toxicológico, mas, segundo relatos de sua mãe, ele não fazia nenhum tratamento à época dos fatos. Uma smile face foi pintada com spray em uma árvore perto de onde o corpo de Geib foi encontrado. Posteriormente um adesivo da mesma carinha sorridente foi colocado em seu túmulo.

Tommy Booth

Tommy Booth, 24 anos, desapareceu em 19 de janeiro de 2008, em um bar em Woodlyn, Pensilvânia. Naquela noite, ele estava comemorando o aniversário de um amigo. Câmeras de vigilância capturaram imagens de Booth entrando no bar onde a celebração aconteceu, mas não há nenhuma evidência de sua saída.

Cerca de duas semanas após o seu desaparecimento, seu corpo foi encontrado virado para baixo em um riacho atrás do bar. Sua morte foi considerada afogamento e não havia sinais de trauma. A mesma área onde o corpo foi encontrado, havia sido revistada diversas vezes nas semanas antes do descobrimento de seu corpo, mas ninguém tinha visto Booth.

De acordo com o ex-detetive Kevin Gannon e o Dr. Lee Gilbertson, quando o corpo foi encontrado, estava em rigor mortis, que normalmente dura de 24 a 36 horas após a morte. Essa descoberta é inconsistente com a crença de que Booth havia se afogado na noite em que desapareceu. Um smile face foi pintado na parede do bar sob um deck.

Dakota James

Dakota James tinha 23 anos quando desapareceu em Pittsburgh, Pensilvânia. Em 25 de janeiro de 2017, por volta das 23h30, James estava voltando para seu apartamento após uma noite bebendo com amigos e colegas de trabalho. Nunca chegou em casa.
A última imagem do estudante de graduação da Universidade de Duquesne foi capturada por uma câmera de vigilância no centro da cidade. Na filmagem, James entra em um beco escuro, e essa foi a última vez que ele foi visto vivo.
Na manhã seguinte, como James não apareceu para trabalhar, seu chefe informou à família, que registrou o desaparecimento 72 horas depois. Os pais de James mais tarde contrataram um investigador particular que organizou uma busca em toda a cidade, o que levou à descoberta do corpo de James no rio Ohio em 6 de março de 2017, 40 dias depois de seu desaparecimento.
A polícia de Pittsburgh teorizou que James caiu no rio enquanto cruzava uma ponte perto do centro da cidade e se afogou. Nos relatos policiais, informaram que o corpo viajou por quase 16 quilômetros e até passou por uma represa antes de ser descoberto.
O corpo de James, no entanto, quase não tinha marcas visíveis, o que era improvável já que havia sido levado através de um rio por toda essa distância.
Um rosto sorridente (smile face) foi encontrado pintado com spray em uma passagem subterrânea perto de onde o corpo de James foi encontrado.

William Hurley

William Hurley, um veterano da Marinha, de 24 anos, desapareceu após deixar um jogo de hóquei dos Bruins em Boston, Massachusetts. Em 8 de outubro de 2009, Hurley foi ao jogo com dois amigos. No meio do jogo, ele ligou para sua noiva, Claire Mahoney e disse que queria ir embora. Hurley saiu enquanto Mahoney dirigia até ao estádio para buscá-lo. Quando ela chegou, entretanto, ele não estava.
Mahoney ligou imediatamente para Hurley para descobrir onde ele estava, o noivo atendeu e ela o ouviu perguntar a alguém onde ele estava. O homem disse “Rua Nashua 99”. Hurley disse que a bateria do celular estava acabando.

Mahoney dirigiu até o endereço, mas Hurley não estava lá. Ela ligou para ele uma segunda vez, mas o celular já estava sem bateria. Ela então relatou o desaparecimento de Hurley e várias buscas foram realizadas. Seis dias após seu desaparecimento, o corpo dele foi encontrado no rio Charles, perto de onde ele pediu a Mahoney para buscá-lo. Os investigadores disseram que não havia sinal de crime e que sua morte foi considerada mais um afogamento indeterminado.

A mãe de Hurley recebeu uma cópia do relatório da autópsia e solicitou uma análise particular. Ela descobriu que seu filho sofreu um traumatismo contundente na cabeça, na órbita do olho e atrás da perna esquerda. GHB e álcool foram encontrados em seus exames de sangue. Outro smile face foi encontrado pintado perto do rio.

Lucas Homan

Em 29 de setembro de 2006, Lucas Homan, de 21 anos, desapareceu em La Crosse, Wisconsin. No dia de seu desaparecimento, Homan estava comemorando a Oktoberfest com seus amigos. Segundo relatos, ele voltou para casa por volta das 22h. Homan não apareceu para uma partida de golfe marcada para o dia seguinte. Na manhã de 2 de outubro, seu corpo foi encontrado não muito longe da margem do rio Mississippi. Sua morte foi considerada um afogamento acidental e o relatório da autópsia observou que “havia intoxicação aguda por álcool”.

De acordo com Gannon e Gilbertson, o corpo de Homan apresentava vários ferimentos na cabeça, mãos e braços, e eles teorizaram que uma marca em sua testa pode ter sido uma pegada que foi o resultado de Homan ter sido pressionado por um pé para se afogar. Homan foi o oitavo caso de afogamento acidental em La Crosse em um período de nove anos e, claro, um smile face foi encontrado pintado com spray perto de onde o corpo foi encontrado.

A história dos Smile Face Killers foi retratada em um filme lançado agora em 2020. Na recriação ficcional, o jovem Jake Graham sente que está sendo perseguido, mas não sabe por que, nem por quem. Estranhos desaparecimentos de jovens começam a surgir e, tempos mais tarde, os seus corpos começam a aparecer próximos ao mar, junto com estranhos desenhos de smile faces.

O filme acaba por sucumbir em uma superstição barata e a uma recriação empobrecida dos fatos ligados às mortes que seriam perpetradas pelos seriais killers. Temos a impressão de que o roteirista não pesquisou devidamente o seu objeto de estudo. A tentativa de dar as motivações dos Smiley Face Killers no filme não tem cabimento nenhum, sendo apenas um exercício pobre de terror que decepciona e não ajuda em nada no esclarecimento dos casos reais.

1 comentário

  1. sou fã da página, fã do twitter. Algumas estórias me causam arrepios (a maioria), o que mais me revolta é ver que muitos criminosos são tratados com transtornos psicológicos, sendo que muitas vezes é um absurdo sem igual e não tem justificar. Mas no geral acho ótima a leitura.

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