Annarella Beracci, a garota do poço

Ana Maria Bracci, mais conhecida por Annarella, nasceu no dia 15 de dezembro de 1937, era a irmã mais velha da família Bracci. Seus pais tinham se separado muito cedo, e sua mãe, Marta Fiotti, trabalhava como prostituta na casa simples onde morava com Anarella e os outros filhos.


A família atravessava um momento de desespero, fruto do período pós guerra, responsável por originar uma Roma bastante desigual.
Com o passar dos anos, Annarella começou a fazer pequenos trabalhos domésticos por sua vizinhança, com o intuito de ajudar sua mãe a sustentar a larga família.


No dia 18 de fevereiro de 1950, ao final da tarde, Annarella combinou de ir comprar carvão acompanhada de uma família da região. Foi nessa ocasião que a filha mais velha da família Bracci foi vista com vida pela última vez por sua mãe. Após pegar o carvão, ela retornou para casa, mas desta vez sozinha, o que teria ditado o trágico destino da jovem garota de 12 anos.


Ao se dar conta do desaparecimento da menina, a família acionou as autoridades, porém, devido a grandes protestos que ocorriam em Roma no momento, apenas seis dias após a ocorrência é que a polícia começou a investigar o caso.


Nesse período, um de seus irmãos que tinha problemas de saúde e uma perna amputada, acabou falecendo.
O crime aconteceu no bairro Primavalle, que era bastante conhecido na época por sua alta taxa de marginalidade, violência e pobreza. No início, com toda essa má fama do lugar, a sociedade encarava Annarella apenas como mais uma jovem da periferia que desapareceu num bairro problemático.


Com o passar do tempo, o caso começou a ganhar mais repercussão nos arredores, expandindo-se cada vez mais, o que fez aumentar a pressão sobre as autoridades. Mas as buscas por pistas só começaram de fato, depois que a notícia chegou a imprensa, inicialmente descartando a hipótese que sugeria que Annarella teria fugido, pois não fazia sentido algum.


No final do mês de fevereiro, Mariano Bracci, um dos irmãos da procurada, disse ter encontrado uma peça de roupa íntima da irmã nas proximidades. A polícia não entendeu como ele teria encontrado aquela peça de roupa, mas com isto o perímetro das buscas foi reduzido aos arredores do bairro.


A população se mostrou sempre muito preocupada com o caso, até que um barão rico chegou a oferecer 300 mil liras (moeda oficial italiana que antecedeu o euro) para quem conseguisse encontrar Annarella.
No mês seguinte, o avô da desaparecida declarou ter pressentido que a criança estaria no fundo de um poço, afirmando também que o espírito da neta o guiava.

Com esta informação, as buscas por poços da região, que eram usados exclusivamente como meio de irrigação, se intensificaram.
Na noite do dia três de março, o corpo de Annarella Bracci foi encontrado no fundo de um poço por seu avô, a 13 metros de profundidade, sem roupas íntimas e com uma profunda lesão no crânio.


Ele recebeu a quantia prometida de 300 mil liras e as buscas pelo criminoso se reduziram ao círculo da família Bracci, tendo como principal suspeita a sua mãe. De acordo com as investigações, a vítima teria sido alvo de uma tentativa de estupro à qual ela tentou resistir, porém o autor do crime a teria agredido na cabeça com um ou mais golpes, e a atirou no poço ainda com vida, onde morreu por afogamento.


Um grande funeral foi feito e 100 mil pessoas compareceram. Durante o festejo fúnebre, a mãe da vítima não mostrou muita emoção, o que fez levantar mais suspeitas ainda sobre ela. Até que no dia 25 de fevereiro, a mãe foi detida e interrogada, mas não existiam provas suficientes que comprovassem o seu envolvimento na morte da filha.


Apesar de todas as suspeitas contra a família, o fato de o irmão de Annarella ter encontrado uma peça de roupa íntima da irmã e o presságio do avô, a investigação parecia chegar num beco sem saída.
Um tempo depois, um relato de que Annarella teria sido vista conversando com um homem pelas oito horas da noite no dia do desaparecimento, chegou aos ouvidos da polícia, o que fez mudar o rumo das buscas.

O suspeito agora seria um homem chamado Lionello Egidi,que era um operário que morava com sua esposa no porão da casa da família Bracci, e segundo rumores, era amante da mãe de Annarella. O suspeito já tinha sido acusado anteriormente por assediar outras crianças. Na noite do crime, Lionello apresentou um álibi, afirmando que passou a noite em casa, sendo confirmado por sua esposa.


Após fortes sessões de tortura, Lionello Egidi confessou o crime e apesar de parecer estar solucionado na ótica das forças da autoridade, a população não achava que teria sido Lionello a cometer o crime.
Em 1952, durante o julgamento de Egidi, ele retirou a sua confissão, sendo absolvido por falta de provas. Segundo a opinião geral, a confissão de Lionello teria sido fruto da tortura a que foi sujeito, esta que estava relacionada com o fato da polícia querer encontrar o culpado desesperadamente.


Em 1955, um novo julgamento foi feito e desta vez com uma testemunha, uma jovem de 12 anos, que afirmava ter sido vítima de assédio por parte de Lionello. Este homem acabou por ser condenado a 26 anos de prisão, acusado de tentativa de estupro, do assassinato de Bracci e de outros três assédios a crianças.


No entanto, em 1957, o acusado foi definitivamente absolvido pelo assassinato de Annarella Bracci, pois foi alegado que no julgamento anterior, a sua condenação resultou de um erro judicial. Porém, em 1961 Lionello foi preso por cinco anos acusado de pedofilia. Egidi, apesar da sua condenação, sempre afirmou não ter qualquer tipo de envolvimento na morte de Annarella.


Este caso popularizou tanto, que deu origem a diversas obras literárias e cinematográficas, que retratam crimes não solucionados nos subúrbios da cidade de Roma.
Nos dias de hoje, a história de Annarella Bracci ainda é lembrada pelos habitantes de Primavalle. Foram construídos parques e murais que pretendem manter viva a memória desta jovem que viveu toda a sua vida com dificuldades e teve uma morte trágica.


Este caso demonstra bem que, naquela época, estas crianças que viviam em condições extremas de pobreza eram alvos fáceis para este tipo de crimes.
Passaram 70 anos e o culpado da morte de Annarella Bracci nunca foi descoberto. Será que foi obra da família? Será que foi obra de Lionello?


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