A Verdade sobre Megan Is Missing – O Filme que Aterroriza a Web.

Megan Is Missing
2011 ‧ Terror/Thriller ‧ 1h 29m

O longa-metragem concebido com falsas intenções que, por causa de seu conteúdo chocante, causou alvoroço no Reino Unido, foi banido na Nova Zelândia e agora, quase 10 anos depois de seu lançamento, viralizou no TikTok.
 
Se uma informação ou notícia agrada ao público teen, o público mais jovem, eles fazem questão de propagar. Seja ela verdadeira ou não. E foi assim que Megan Is Missing, longa-metragem canadense de 2011, viralizou pelo mundo inteiro.

Na rede social, duas imagens bem gráficas e a promessa de um filme baseado em fatos reais, fizeram com que muita gente se interessasse por esse found footage.
 
A obra possui gatilhos para abuso, agressão sexual e hipersexualização de menores de idade.
 
A trama aborda a vida de duas adolescentes: Megan Stewart (Rachel Quinn), de 14 anos, que dá nome ao filme, e sua amiga Amy Herman (Amber Perkins), de 13 anos. No momento das filmagens, Amber tinha de fato 13 anos, já Rachel Quinn, que faz o papel de Megan, tinha 19.  
 
Durante o filme, conhecemos o dia-a-dia das amigas, que têm personalidades totalmente divergentes. Megan é extrovertida, popular na escola e vem de uma família disfuncional. Seu pai está na prisão e ela foi abusada pelo padrasto quando tinha apenas 9 anos. Além disso, a garota tem sérios problemas de relacionamento com a mãe e outras inconsistências emocionais. Já Amy é o oposto. Tímida, ingênua, rejeitada pelos colegas de classe e vinda de uma família bem estruturada.
 
Apesar de mundos tão diferentes, elas possuem um forte vínculo de amizade. Os dois primeiros atos do filme são focados em construir o desenvolvimento das personagens, que conversam quase sempre sobre sexo.
 
Amy é virgem, diferentemente de Megan, que já é sexualmente ativa e costuma narrar as experiências que já teve, tratando o sexo de forma banal, apesar da pouca idade.
 
O filme, inclusive, coloca Megan em situações complicadas, apesar da pouca idade da atriz, o que por si só já é um absurdo. No terceiro ato, as coisas começam a ficar mais sombrias. Megan é convencida a participar de um encontro com um predador online e desaparece.
 
Amy, preocupada e sem notícias, decide investigar o que aconteceu com sua melhor amiga. Logo no início do filme, após o aviso de que ele é baseado em fatos reais, surge a informação de que ele foi editado a partir de arquivos pessoais de terceiros, filmadoras portáteis, câmeras de segurança, webcam e noticiários da TV. Em 2011, os smartphones com câmera ainda não eram populares.
 
De cara, já se percebe que tudo não passa de uma montagem, não são imagens reais. Tendo como exceção Rachel Quinn (Megan), os demais do elenco, inclusive os adultos, são péssimos atores. O filme não é baseado em fatos reais.

O roteiro do filme é inspirado no caso do pedófilo Ward Weaver, que em 2002, sequestrou e matou duas adolescentes chamadas Ashley Pond e Miranda Gaddis. O roteirista usou esse caso como referência para as iniciais dos nomes das protagonistas do Megan Is Missing.
 
O que tem de realidade para por aí. O diretor e roteirista Michael Goi misturou sete casos de desaparecimentos para conceber o seu script. Isso não quer dizer que predadores sexuais não existam, mas a história contada no filme é ficção.
 
Quando Megan Is Missing viralizou no TikTok, em novembro de 2020, formaram-se dois grupos. Haviam aqueles que acreditavam que se tratava de um filme baseado em um caso real e outros que acreditavam que eram imagens verdadeiras.
 
Começaram a divulgar reacting vídeos de antes e depois de assistir ao filme, e o hype ganhou proporções gigantes. O diretor Michael Goi aproveitou o marketing gratuito e gravou uma série de outros vídeos, especialmente para o TikTok, alertando sobre o conteúdo impactante de seu longa-metragem.
 
Embora o filme Megan Is Missing seja vendido como um alerta para pais e filhos sobre os perigos da internet, muito pouco, para não dizer quase nada, se é discutido sobre isso no decorrer do filme.
 
Megan Is Missing é extremamente apelativo, a sexualidade das meninas é explorada ao máximo, sobretudo a da personagem que dá título à obra, de forma completamente desnecessária.  O roteiro descreve cenas de abuso sexual, narradas por Megan, de forma natural, quando na verdade ela está narrando um crime para a amiga.
 
Por esses motivos, o filme teve sua exibição proibida na Nova Zelândia. As autoridades reguladoras questionaram o conteúdo sexual exagerado e de lascívia da obra. Se o objetivo era alertar as famílias sobre o perigo online e conscientizar sobre a vulnerabilidade de crianças e adolescentes na internet, ele jamais poderia ter sido concebido desta forma, explorando o conceito de maneira fetichista e espetaculosa.
 
Uma coisa é fazer um filme intencionalmente para chocar. Um exploitation. Outra coisa, bem diferente, é dizer que ele foi feito com um propósito didático.
 
O filme é fraco tecnicamente, com roteiro falho e sem novidades. Não vale o tempo desperdiçado em frente à tela.
 
Allan Azevedo

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