A fera da Penha.

O caso ocorreu em 1960, no Rio de Janeiro, e envolveu o casal Antônio e Nilza, que tinha duas filhas pequenas, Tânia e Solange. Eles moravam no subúrbio e enquanto Antônio trabalhava, Nilza ficava em casa para cuidar das filhas.

Ao ver dos vizinhos, a família tinha uma vida boa e tranquila, mas, na realidade, Antônio tinha um segredo: estava tendo um caso com uma mulher que conheceu na estação de trem, Neyde Maria Maia Lopes, de 22 anos.

Neyde morava com os pais, gostava muito de ler livros de suspense e tinha um emprego como comerciária dentro da cidade. Ela criou uma amizade com Antônio, que acabou virando um caso amoroso. O casal se via com frequência e o relacionamento durou cerca de três meses, até que Neyde descobriu, através de um amigo, que Antônio era casado.

Após descobrir sobre o casamento, Neyde surtou e deu um prazo de uma semana para que Antônio terminasse com a esposa. Ele relutou, dizendo que não era assim e tentaria conciliar trabalho, família, esposa, filhas e amante.

Neyde ficou com muita raiva e decidiu elaborar um plano, que durou menos que seis meses. Ela encontrou a residência de Antônio, cercou o local, anotou os hábitos da família e aprendeu sobre o rosto de sua oponente, Nilza.

Neyde se aproximou de Nilza, dizendo que estudaram juntas, conquistando a confiança dela com o tempo.
Gradualmente, com certas perguntas, Neyde encontrou tudo de que precisava para seguir com o plano. Um dia, ela perguntou a Nilza o que Antônio mais gostava no mundo.

Ela nem pensou sobre o mal que sofreria e respondeu que Tânia era tudo para o pai. Neyde, então, aproximou-se de Tânia. Em um de seus encontros com Antônio, intimidou-o, perguntando se amava mesmo a família e ameaçou matar Nilza e as crianças.

No dia 30 de junho daquele ano, Taninha, como era chamada, não queria ir à escola. Ela, então, foi levada pela mãe para uma casa usada como centro de ensino.
À tarde, uma vizinha recebeu um telefonema com uma mensagem que supostamente era da mãe de Tânia.

Ela foi à escola e disse à diretora que uma amiga de Nilza pegaria a criança. Ninguém suspeitou de Neyde, que buscou a meninada escola. Menos de 30 minutos após o incidente, Nilza chegou ao local, desesperada por não saber onde sua filha estava. A notícia se espalhou e chegou aos ouvidos de Saulo Gomes, da rádio, que decidiu prestar atenção ao caso.

Na delegacia, a única pessoa que sabia das pistas do caso era Antônio. Assim que soube das características do sequestrador, constatou que Neyde estava envolvida no sequestro. Neyde levou a criança para a casa de uma amiga e sabia da existência de um matadouro na área, onde vários urubus sumiam com as carcaças de animais que morriam por ali.

Após algum tempo conversando com a amiga, Neyde disse estar cuidando de Tânia para uma conhecida, cortou uma madeixa de cabelo da Taninha e guardou na bolsa.

As duas foram embora por volta das 20h e Neyde parou para comprar uma garrafa de álcool. A criança ficou muito curiosa e perguntou do que se tratava, Neyde respondeu que Taninha iria adoecer e o álcool era remédio.

Elas entraram no matadouro e, no momento em que Tânia chamou pela mãe, Neyde disparou com uma arma calibre 32. Então, ela derramou álcool na garota e ateou fogo.

Pessoas que estavam próximas ao local, ouviram um disparo e acionaram a polícia, mas quando chegaram, não havia nada que eles pudessem fazer. Quando Neyde voltou para casa, por volta de 22h30min, a polícia já lhe aguardava. Revistaram sua bolsa e acharam a arma do crime.

Na delegacia, Neyde negou qualquer participação no sequestro e assassinato de Tânia e, na cena do crime, recusou-se a olhar o cadáver da criança. Após 12 horas de interrogatório, o radialista Saulo Gomes obteve permissão para entrevistá-la.

Ela disse que só não matou o restante da família pois não teve tempo, e contou tudo detalhadamente, desde o seu primeiro encontro com Antônio até o assassinato.

Neyde foi condenada a 33 anos de prisão por sequestro e homicídio triplamente qualificado, mas cumpriu apenas 15 anos por bom comportamento. Na prisão ela tinha uma boneca, que era tratada como filha. Atualmente, com 83 anos, Neyde mora sozinha no Rio de Janeiro.

Nilza e Antônio permaneceram juntos e tiveram outros três filhos. O matadouro virou praça e muitos acreditam que Tânia se tornou uma Santa.


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