Michael Jackson – A vida, a obra e a morte de um astro

Michael Joseph Jackson nasceu no dia 29 de agosto de 1958, em Gary, Indiana, nos Estados Unidos. Ele foi o sétimo dos nove filhos de Joseph Walter Jackson, mais conhecido como Joe, e Katherine Scruse Jackson.

Sua família era humilde. Seu pai trabalhava em uma usina siderúrgica e costumava tocar guitarra nas horas vagas. Sua mãe, Katherine, participava do grupo musical da igreja. Enquanto isso, Michael e os irmãos tocavam escondido os instrumentos dos pais.

Durante uma entrevista, Michael revelou que foi sua mãe quem descobriu seu talento musical, ao ver o menino cantarolar enquanto arrumava a cama, ela chamou o marido para escutar também. A partir daí, com apenas cinco anos, ele passou a cantar com a família.

No fim dos anos 60, Joe decidiu investir na carreira musical dos filhos. Foi então que criou a banda “Jackson Brothers”. Eles se apresentavam em bares e ganhavam todas as competições.

O famoso “Jackson Five” surgiu como uma proposta de originalidade de uma organizadora de um desfile de moda, onde o grupo tocou em 1965. O “Little Michael” já atraia a atenção do público pela sua voz super afinada e os incríveis passos de dança.

Em 1966, Michael, que era o mais novo dos Five, se tornou o vocalista e dançarino principal da banda. Nos ensaios, ele era usado como exemplo para os irmãos e, sempre que erravam algum passo, eram chicoteados com um cinto pelo pai.

Os garotos eram obrigados a chamá-lo de “Joe”. Michael já se abriu para a mídia a respeito da relação entre os dois. Ele lembra que era zombado pela sua aparência e, graças ao regime em busca do sucesso da banda, Michael sentia muito medo do pai.

Dois anos depois, o grupo musical assinou contrato com a gravadora Montown Records. Eles começaram a abrir shows de diversos artistas, conquistando milhares de fãs. Nessa época, emplacaram “I Want You Back”, “ABC”, “The Love You Save” e “I’ll Be There”.

Na década de 70, os Jacksons Five se tornaram astros mundiais. Fizeram grandes turnês e participaram de vários programas de televisão. Inclusive, nessa época, foi ao ar o desenho animado “Jackson 5ive”, sendo o primeiro a apresentar protagonistas negros.

Após embates, eles decidiram romper com a Motown em 1975, pois queriam escrever suas próprias músicas. Então, a banda assinou com a Epic Recordings, passando a se chamar “The Jacksons”.

Nesse período, o irmão Jermaine deixou os Five para se dedicar à carreira solo. Pouco tempo depois, enquanto ainda era integrante do grupo, Michael Jackson também apresentou algumas músicas solo. O seu álbum “Off the Wall”, lançado em 1979, atraiu grande notoriedade.

Segundo Michael, depois de quebrar o nariz durante um ensaio, ele precisou realizar duas cirurgias, que afirma terem sido as únicas em sua vida. A primeira foi para consertar a fratura. A outra, para reparar danos na respiração e, assim, atingir notas mais altas.

Além disso, interessado em aperfeiçoar seus passos de dança, ele começou uma dieta rigorosa de emagrecimento. O artista se frustrou com sua última produção porque, embora tivesse ganhado uma categoria no Grammy, não recebeu o prêmio de Álbum do Ano.

Em 1982, ele lançou “Thriller”. Álbum que, no ano seguinte, tornou-se o mais vendido da história. Seus clipes foram os primeiros trabalhos de um artista negro a serem exibidos pela MTV.

O sucesso foi tanto que, enfim, recebeu o título de Álbum do Ano. Michael Jackson levava o público à loucura e já era uma verdadeira celebridade. Em 1983, ele participou do especial de 25 anos da Motown ao lado dos irmãos, apresentando ao público, pela primeira vez, o passo Moonwalk.

No auge de sua carreira, Michael assinou um contrato milionário com a Pepsi. Em janeiro de 1984, simulando um show para a gravação de um comercial, ele sofreu um acidente que o causou severas queimaduras no couro cabeludo.

Depois desse episódio, o astro passou por diversos implantes de cabelo. Há boatos de que foi nesse momento que ele ficou dependente de analgésicos. Todo dinheiro que recebeu de indenização foi doado ao hospital Brotman Medican Center.

Em 1986, ele foi diagnosticado com vitiligo, o que explica as alterações no seu tom de pele. Michael usava maquiagem para sair em público, mas com o avanço da doença, procurou um dermatologista. As icônicas luvas serviam para cobrir as primeiras manchas que surgiram em suas mãos. Essa mudança radical começou a chamar atenção da imprensa, que levantou centenas de especulações.

Em 1987, Michael lançou o álbum “Bad”. Foi quando o passo no clipe de “Smooth Criminal” gerou polêmica. A inclinação em 45 graus do seu corpo só foi possível graças a um truque no sapato, patenteado pelo astro, permitindo a fixação do calcanhar no piso.

Histórias absurdas sobre ele ganharam destaque nos tabloides. A mídia divulgou uma foto de Michael dentro de uma máquina, alegando que ele dormia em uma câmara antienvelhecimento. Na verdade, era um equipamento médico para tratar vítimas de queimadura, que foi doado depois da tragédia no comercial da Pepsi.

O público começou a usar qualquer coisa para caracterizá-lo como doido, até mesmo o fato dele ter um macaco como animal de estimação. Apesar disso, ele era reconhecido por suas ações de caridade. O artista se manifestou em apoio a várias fundações e organizações públicas. Em 1988, na Califórnia, Michael construiu o famoso Neverland.

O rancho contava com cinema, carrossel, montanha-russa, roda-gigante e uma série de brinquedos temáticos, sendo todos equipados para deficientes. Toda semana, crianças de hospitais e bairros pobres eram levadas para curtir o parque particular.

Somente em 1989, Michael Jackson recebeu o famoso título de Rei do Pop. A atriz Elizabeth Taylor, uma grande amiga dele, fez a nomeação ao anunciá-lo como vencedor do Prêmio de Honra.

Na década de 90, o astro lançou o álbum “Dangerous”, que contou com o hit “Black or White” e teve a participação do ator mirim Macaulay Culkin. Durante os seis minutos finais do clipe, Michael fez supostos gestos sexuais, virando, mais uma vez, polemica na imprensa.

Suas músicas alcançavam grande sucesso mundial. Em 1993, Michael Jackson apresentou uma inesquecível performance no Super Bowl. Sua popularidade era tão grande, que esse foi o primeiro espetáculo que a audiência cresceu no intervalo entre os jogos.

Nesse mesmo ano, Michael foi acusado pela primeira vez de abusar sexualmente de uma criança. A suposta vítima, um garoto de 13 anos, Jordan Neil Chandler, já era conhecida pela mídia por ter uma grande amizade com o cantor.

A notícia foi rapidamente divulgada pela mídia do mundo todo. Michael negou veementemente as acusações e chegou a cancelar o resto da turnê do seu último álbum, por problemas de saúde decorrentes do escândalo.

O garoto descreveu o abuso, detalhando sobre as partes íntimas do astro. Posteriormente, um mandado de busca permitiu que os policiais tirassem fotos do corpo nu de Michael, para compararem com a descrição da suposta vítima. O caso foi resolvido fora do tribunal, com um acordo de 23 milhões de dólares.

Mais tarde, outras acusações contra Michael surgiram, fazendo bastante barulho nos noticiários. Sua irmã, La Toya Jackson, que estava afastada da família, apareceu publicamente, alegando ter provas de que seu irmão era pedófilo. Uma emissora pagou a quantia que ela havia pedido para expor o material, mas descobriram que, na verdade, nenhuma evidência era conclusiva.

Nessa mesma época, o FBI vasculhou secretamente a vida de Michael, por causa de um suposto ataque terrorista. Não foi encontrado nada que pudesse incriminá-lo. Então, o caso foi arquivado.

Em agosto de 1994, Michael anunciou seu casamento com Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley, o Rei do Rock. A união durou dois anos e o público a entendeu como jogada publicitária, para recuperar a imagem do cantor. Em 1996, ele se casou com a enfermeira Debbie Rowe. Nesse meio tempo, produzia seu próximo álbum, “HIStory: Past, Present and Future, Book I”.

Nos anos seguintes, o astro teve dois filhos, seu primogênito Michael Joseph “Prince” Jackson Jr. e Paris Michael Katherine Jackson. Em 1999, ele se divorciou e ficou com a guarda das crianças, como foi previamente definido. Sua ex-mulher já admitiu que só teve filhos com Michael porque ele queria ser pai. Em 2001, o cantor lançou “Invincible”, com 16 faixas.

No entanto, a fama de Michael Jackson já não era tão bem vista. Ele era lembrado mais por sua personalidade excêntrica do que pelo seu talento. Em 2002, nasceu Prince Michael II, fruto de uma inseminação artificial. A identidade da mãe não foi revelada. Michael recebeu muitas críticas ao mostrar pela primeira vez o bebê, com um pano na cabeça, pela janela de um hotel.

Pouco tempo depois, o astro concordou em participar de um documentário com a proposta de revelar ao mundo a verdade sobre ele. O jornalista britânico Martin Bashir conseguiu sua confiança, por ter sido confidente da princesa Diana, que era uma grande amiga de Michael. As entrevistas aconteceram entre maio de 2002 e janeiro de 2003.

Com o título “Living With Michael Jackson”, a obra causou grande repercussão na mídia, frente às declarações do artista. Ele afirmou que levava crianças para o seu rancho e dormia com elas em sua cama. A imprensa acusou Michael de molestador. Vale ressaltar que a produção manipulou e editou os vídeos de uma forma, que distorcia completamente a imagem do cantor. Como resposta contrária, o documentário “Take Two: The Footage You Were Never Meant to See”, foi lançado.

Em abril de 2004, Michael recebeu dez acusações de um júri investigativo, por abuso sexual de menor, sequestro de um menor de idade, conspiração com fins extorsivos e fornecimento de agente tóxico com a finalidade de cometer o delito.

Depois de oito meses, as autoridades realizam outra operação no rancho do cantor e recolheram seu DNA. O júri escutou o depoimento de 140 testemunhas. Em junho de 2005, Michael Jackson foi absolvido.

Nos últimos anos de sua vida, a imagem do Rei do Pop passou por um trágico declínio. Era nítido como Michael estava fragilizado. Sua conta bancária revelava suas dívidas e ele tomava quantidades absurdas de medicamentos.

A relação de Michael com o resto da família era muito tensa. Apenas sua mãe aparecia às vezes para visitá-lo. Ele estava paranoico, por causa da constante perseguição da mídia. Os seguranças do astro eram designados a fazerem revistas em busca de câmeras ou aparelhos de escuta. Sem poder de sair de casa pela enxurrada de fãs e paparazzis, ele passava a maior parte do seu tempo lendo livros.

Em 2008, Michael Jackson foi processado por conta de suas dívidas, o que resultou em um leilão dos seus bens. Nessa época, ele apareceu na imprensa anunciando que faria 50 shows em Londres, a turnê “This Is It”. A venda dos ingressos aconteceu, presencialmente, na casa de espetáculos O2 Arena e contou com uma fila quilométrica de fãs. As linhas telefônicas ficaram congestionadas pela alta demanda. O site para compras online chegou a picos de 200 mil acessos.

Estima-se ter vendido cerca de 33 bilhetes por minuto, para a turnê de despedida do Rei do Pop. Os ingressos se esgotaram em quatro horas. Infelizmente, Michael não chegou a subir em nenhum palco da série de shows.

No dia 25 de junho de 2009, ele foi encontrado inconsciente em sua cama, pelo seu médico particular, Conrad Murray. Uma chamada de emergência foi realizada às 11:21 e os paramédicos, então, se deslocaram para sua residência em Holmby Hills, Los Angeles.

Depois da equipe não obter sucesso na tentativa de reanimá-lo, Michael foi conduzido ao hospital Ronald Reagan UCLA Medical Center. O Rei do Pop teria sofrido uma parada cardíaca e foi declarado morto horas depois.

Após a notícia se espalhar por todo o mundo, o Twitter e o Google ficaram fora do ar em meio à onda de luto. O funeral aconteceu no estádio Staples Center e foi exibido ao vivo por mais de 15 canais de televisão. O ícone da música pop foi sepultado no cemitério Forest Lawn.

Um dia depois de sua morte, a família de Michael Jackson solicitou uma autópsia junto ao legista. O médico contratado apontou uma combinação especial de remédios que, juntos, foram responsáveis por uma intoxicação aguda, causando a morte do músico.

No seu organismo foram encontradas doses significativas do anestésico Propofol e do ansiolítico Lorazepam. Além deles, houve indícios do uso de midazolam, diazepam, lidocaína e efedrina, em menor quantidade. Todos receitados e indicados para uso diário pelo seu médico privado, Dr. Conrad Murray.

O astro ensaiava todas as tardes para sua turnê e se queixava constantemente de dores no corpo. Na semana seguinte, Dr. Murray foi indiciado como culpado. A acusação argumentou o fato dele prescrever receitas a Michael, que estimularam uma overdose de drogas legais. Outro detalhe é que o médico demorou cerca de 30 minutos para chamar a emergência.

O julgamento teve início em 27 de setembro de 2011 e decorreu por 23 dias. Murray admitiu que aplicou medicamentos na veia de Michael na noite anterior a morte. Dois meses depois, o médico particular foi condenado por homicídio culposo. Por causa das negligências graves no cuidado do paciente, ele perdeu sua licença médica. A sentença foi de quatro anos em regime fechado, mas ele cumpriu apenas dois, por bom comportamento e uma crise de superlotação no presídio.

Foram lançados quatro álbuns após a morte do astro. O primeiro, “Michael Jackson’s This Is It”, com músicas que ele cantaria na turnê. E, o último, “Xscape”, em 2014, reunindo faixas inéditas que estavam gravadas, mas não haviam sido publicadas até então.

Constantemente surgem teorias sobre o falecimento de Michael Jackson. Estima-se que, desde então, ele tenha faturado mais de três bilhões de dólares. Há quem diga que o cantor forjou a própria morte e estaria vivo hoje, com 61 anos. Tudo para se livrar das dívidas e curtir a vida no anonimato. Poucos dias após a sua morte, muitas pessoas relataram ter visto o astro em diversos lugares diferentes. No entanto, nada foi confirmado oficialmente.

Os adeptos das teorias e conspirações se apoiam em fatos mal esclarecidos. Baseando-se no sumiço das gravações das câmeras da casa de Michael, no dia da sua morte. Há relatos suspeitos de que a ambulância que o transportou até o hospital não ligou a sirene ao longo do caminho. Os vidros fumês do carro da assistência também chamaram atenção.

Entre o dia da morte e funeral, não há informações de onde esteve o corpo de Michael Jackson. Demorou certo tempo até que um médico assinasse o atestado de óbito do cantor, que teve o nome do meio diferente dos outros documentos dele.

Seu caixão permaneceu fechado durante toda a cerimônia. A justificativa seria de que ele foi ferido pelos aparelhos médicos utilizados nas tentativas de reanimá-lo. Muitos amigos próximos ao astro não compareceram à homenagem.

Em 2017, durante entrevista à revista americana “Rolling Stone”, Paris Jackson confessou acreditar que, na verdade, seu pai teria sido assassinado. “Foi uma armação.”, ela acrescentou ao afirmar que muitas pessoas o queriam morto. Outros boatos associam sua morte à sociedade secreta Illuminati.

Segundo sua irmã La Toya, Michael se rebelou contra o clã, o que o tornou alvo deles. A primeira tentativa teria sido em 2005, por envenenamento. Muitas pessoas afirmam que o cantor deixou evidências de perseguição na faixa “They Don’t Care About Us”. Até mesmo a capa dos álbuns “Dangerous” e “Blood on the Dance Floor” são vistas como denúncias subliminares.

Agora em 2020, surgiu uma nova teoria, levantada pelo perfil de hackers Anonymous. A publicação afirmava que seu corpo está sendo mantido em um tanque de nitrogênio líquido, para tratamento de congelamento por criogenia. As doses receitadas por Murray teriam sido usadas para colocá-lo em um estado descrito como “desmaio total”. Assim, completamente inconsciente, teria enganado as autoridades americanas e, posteriormente, conduzido para repouso.

Até hoje, a morte inesperada de Michael Jackson atormenta os fãs. A única coisa que o seu público pode ter certeza, é que ele foi um dos ícones culturais mais influentes de todos os tempos, deixando assim um grande legado na música.

Escrito por: LAYLA MENDES

Revisado por: NATÁLIA CHIBOTTI

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