Conheça Josef Mengele: o Anjo da Morte de Auschwitz


Josef Mengele – Reprodução/wikipédia

Josef Mengele foi um médico nazista responsável pela morte de inúmeras crianças e jovens durante seus experimentos médicos dentro dos campos de concentração, durante a Segunda Guerra Mundial.

JUVENTUDE –  Josef Mengele nasceu no dia 16 de março de 1911, em Gunzburg, Baviera, Império Alemão, e morreu no dia 7 de fevereiro de 1979, aos 67 anos, em Bertioga, São Paulo, Brasil. Filho de  Karl e Walburga Hupfauer Mengele, era o mais velho dos três filhos do casal. Mengele era um bom aluno e assim que completou o ensino médio, passou a  estudar medicina na Universidade de Frankfurt e Filosofia na Universidade de Munique. Munique era sede do partido nazista e Mengele aliou-se a uma organização paramilitar nazista. Depois de concluir a faculdade, passou a pesquisar no Instituto de Biologia Hereditária e Higiene Racial em Frankfurt. Em 28 de julho de 1939, Mengele casou-se com Irene Schönbein, que conheceu durante a residência médica em Leipzig. Seu único filho, Rolf, nasceu em 1944.

MILITARISMO –  Josef Mengele se uniu ao partido nazista em 1937, recebeu treinamento em 1938 e foi chamado para o serviço das forças armadas alemãs. Logo se ofereceu para o serviço de médico, onde serviu como segundo-tenente em um batalhão de reserva médica até novembro de 1940. Em 1943, Mengele se candidatou para o serviço em um campo de concentração de Auschwitz, localizado no subcampo de Birkenau e acabou sendo aceito. Dessa forma, passou a realizar pesquisas genéticas sobre seres humanos.

Richard Baer, Josef Mengele e Rudolf Hoss, em Auschwitz, 1944. – Reprodução/epoca.globo.com

AUSCHWITZ – Em 1941, Hitler decidiu que todos os judeus da Europa seriam exterminados e, assim, os prisioneiros eram transportados até os campos de concentração por trens, chegando em comboios diários que vinham de todas as regiões da Europa. Os judeus que chegavam passavam por uma seleção na qual separava-se os que eram considerados aptos a trabalhar e os que não estavam em condições de exercer trabalho e esses eram levados diretamente para as câmaras de gás. O grupo selecionado para morrer era constituído, sobretudo, por  crianças, mulheres com crianças pequenas, mulheres grávidas e idosos.

Mengele era um os médicos responsáveis por essas seleções e estava sempre interessado em encontrar gêmeos, anões, pessoas com heterochromia iridum (olhos de duas cores diferentes) e pessoas com anormalidades físicas, pois estes eram os principais alvos da sua curiosidade e, logo, dos seus experimentos médicos.

Auschwitz era uma oportunidade para Mengele e seus estudos e pesquisas sobre hereditariedade, usando seres humanos para seus experimentos, os quais não levavam em conta a saúde ou segurança das vítimas. Construiu um laboratório de patologia ligado ao Crematório II em Auschwitz II-Birkenau.

Com suas pesquisas, Mengele objetivava provar a supremacia da hereditariedade e reforçar a premissa nazista da superioridade da raça ariana. Os gêmeos eram submetidos a exames e medições semanais, assim como processos que incluíam amputação desnecessária de membros, infecção intencional de um gêmeo com tifo ou quaisquer outras doenças e transfusão de sangue de um gêmeo no outro.

As vítimas desses procedimentos não resistiam a gravidade dos procedimentos e acabavam morrendo. Houve uma ocasião específica em que Mengele matou, pessoalmente, 14 gêmeos em uma noite por meio de uma injeção de clorofórmio no coração.

Os experimentos que envolviam olhos eram feitos , injetando produtos químicos com o intuito de mudar suas cores. Também matava pessoas com olhos heterocromáticos para que eles pudessem ser removidos e enviados para Berlim para estudo. Em anões e pessoas com anormalidades físicas, os experimentos incluíam medidas físicas, extração de sangue, extração de dentes saudáveis ​​e tratamento com drogas desnecessárias e raios-X. Muitas das vítimas eram enviadas para as câmaras de gás após cerca de duas semanas e seus esqueletos eram enviados para Berlim para estudo posterior. Mengele procurava por mulheres grávidas, nas quais realizaria experimentos antes de enviá-las para as câmaras de gás. Uma testemunha chamada Vera Alexander descreveu como ele costurou dois gêmeos ciganos pelas costas em uma tentativa de criar gêmeos xifópagos (siameses). As crianças morreram de gangrena (morte dos tecidos causada por falta de irrigação sanguínea) após vários dias de muito sofrimento.

APÓS AUSCHWITZ – O Exército Vermelho libertou Auschwitz em 27 de janeiro e, juntamente com outros médicos de Auschwitz, Mengele foi para o campo de concentração de Gross-Rosen, na Baixa Silésia, em 17 de janeiro de 1945, levando consigo seus registros de experiências.

Usando disfarce de oficial da Wehrmacht, Mengele fugiu de Gross-Rosen no dia 18 de fevereiro, uma semana antes da chegada dos soviéticos, mas acabou sendo levado como prisioneiro de guerra pelos estadunidenses em junho.

Inicialmente, Mengele havia sido registrado com seu próprio nome, no entanto, devido a desorganização dos Aliados quanto a distribuição de listas procuradas, ele não foi identificado como estando na lista criminal principal da guerra e, assim, foi libertado no final de julho e obteve documentos falsos com o nome de”Fritz Ullman”, documentos que posteriormente alterou para “Fritz Hollmann

Passaporte italiano que Mengele usou para fugir para a Argentina em 1949. – Reprodução/Warhistoryonline.com

NA AMÉRICA DO SUL – Em Buenos Aires, na Argentina, Mengele residiu em uma pensão no subúrbio de Vicente Lopez,  trabalhando como carpinteiro. Depois de um tempo, mudou-se para a casa de um simpatizante nazista e, em seguida, trabalhou como vendedor. Em 1953, passou a residir em um apartamento no centro de Buenos Aires. Em 1954, alugou uma casa no subúrbio de Olivos. Arquivos divulgados pelo governo argentino em 1992 indicam que Mengele pode ter praticado medicina sem licença, inclusive realizando abortos. enquanto morava em Buenos Aires.

Mengele obteve uma cópia de sua certidão de nascimento através da embaixada da Alemanha Ocidental em 1956, e, logo após, recebeu uma autorização de residência estrangeira argentina sob seu nome real. Obteve um passaporte da Alemanha Ocidental, também sob seu nome real, e fez uma visita à Europa. Em seu retorno à Argentina, Mengele começou a viver sob seu nome real. Junto com vários outros médicos, Mengele foi interrogado e libertado em 1958 sob suspeita de praticar medicina sem licença após uma adolescente morrer após um aborto. Preocupado com a exposição e possível descoberta de seus antecedentes nazistas e suas atividades de guerra, fez uma longa viagem de negócios ao Paraguai e recebeu a cidadania sob o nome de José Mengele em 1959. Voltou a Buenos Aires várias vezes para encerrar seus negócios que haviam por lá.

Foto para o documento de identificação argentino de Mengele. – Reprodução/Wikipédia

Mengele foi mencionado várias vezes durante os julgamentos de Nuremberg mas as forças Aliadas estavam convencidas de que ele estava morto. Trabalhando na Alemanha Ocidental, o os caçadores de nazistas Simom Wiesenthal e Hermann Langbein obtiveram informações de testemunhas sobre as atividades de guerra de Mengele. Em uma busca dos registros públicos, foram encontrados os papéis do divórcio de Mengele que alistavam um endereço em Buenos Aires. Ele e Wiesenthal pressionaram as autoridades da Alemanha Ocidental na elaboração de um mandado de prisão em 5 de junho de 1959. Inicialmente, a Argentina recusou o pedido, porque o fugitivo já não vivia no endereço indicado nos documentos. Quando a extradição foi aprovada em 30 de junho de 1960, Mengele já havia fugido para o Paraguai, onde vivia numa fazenda perto da fronteira argentina.

O apoiante nazista Wolfgang Gerhard ajudou Mengele a atravessar a fronteira para o Brasil. Ele ficou com Gerhard em sua fazenda perto de São Paulo até que outro lugar fosse encontrado. Um casal de expatriados húngaros, Geza e Gitta Stammer, juntos com Mengele, compraram uma fazenda na Nova Europa, sendo que Mengele recebeu o cargo de gerente. Em 1962, os três compraram uma fazenda de café e gado em Serra Negra, sendo que Mengele possuía metade do local. Inicialmente, Gerhard disse ao casal que o nome de Mengele era “Peter Hochbichler”, mas eles descobriram sua verdadeira identidade em 1963. Gerhard os convenceu a não denunciarem a localização de Mengele às autoridades, dizendo que eles próprios poderiam ter problemas para abrigar o fugitivo. A Alemanha Ocidental, alertada para a possibilidade de que Mengele havia se mudado para lá, ampliou seu pedido de extradição para incluir o Brasil em fevereiro de 1961.

AGENTES DA MOSSAD – Enquanto isso, Zvi Aharoni, um dos agentes do Mossad (a agência de inteligência israelense) que estiveram envolvidos na captura de Eichmann, começou a trabalhar com uma equipe de agentes encarregados de localizar Mengele e levá-lo a julgamento em Israel. Sem pistas e sem conseguir interceptar qualquer correspondência entre Mengele e sua esposa Martha, que morava na Itália. Os agentes que seguiam os movimentos de Rudel não produziram quaisquer pistas. Aharoni e sua equipe seguiram Gerhard para uma área rural perto de São Paulo, onde localizaram um homem europeu que se acredita ser Mengele. Aharoni relatou suas descobertas a Harel, mas a logística de encenar uma captura, as restrições orçamentárias e a necessidade de se concentrar na deterioração da relação do país com o Egito levou o chefe do Mossad a interromper a operação em 1962.

MORTE DE MENGELE – Mengele e os Stammers compraram uma casa em uma fazenda em Caieiras, em 1969. Quando Wolfgang Gerhard voltou para a Alemanha em 1971 para procurar tratamento médico para sua esposa e filho gravemente doente, entregou o seu bilhete de identidade a Mengele. Os Stammers tiveram uma briga com Mengele no final de 1974 e compraram uma casa em São Paulo e Mengele não foi convidado. Os Stammers compraram um bangalô no bairro Eldourado de São Paulo, que alugaram a Mengele. A saúde de Mengele tinha-se deteriorado firmemente desde 1972 e teve um derrame em 1976. Tinha pressão alta e uma infecção no ouvido que afetava seu equilíbrio. Ao visitar seus amigos Wolfram e Liselotte Bossert, na estância costeira de Bertioga, em 7 de fevereiro de 1979, sofreu outro acidente vascular cerebral ao nadar na praia da Enseadae se afogou. Mengele foi enterrado em Embu das Artes, sob o nome “Wolfgang Gerhard”, cujo cartão de identificação tinha usado desde 1971.

Em 31 de maio de 1985, a polícia  encontrou um livro de endereços codificado e cópias de cartas para Mengele. Entre elas, estava uma carta de Bossert, notificando Sedlmeier da morte de Mengele. As autoridades alemãs notificaram a polícia em São Paulo, que entrou em contato com os Bosserts. Sob interrogatório, eles revelaram a localização do túmulo. Os restos foram exumados em 6 de junho de 1985 e um extenso exame forense confirmou com um elevado grau de probabilidade de que o corpo fosse de Mengele. Rolf Mengele emitiu uma declaração em 10 de junho admitindo que o corpo era de seu pai. Disse que a notícia da morte de seu pai tinha sido mantida em sigilo para proteger as pessoas que o tinham protegido por muitos anos.  Em 1992, testes de DNA confirmaram a identidade de Mengele. Membros da família recusaram pedidos repetidos de autoridades brasileiras para repatriar os restos mortais para a Alemanha. Os ossos permanecem armazenados no Instituto Médico Legal do estado de São Paulo e são utilizados como auxílios educacionais durante os cursos de medicina forense da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


1 Comment

  1. É irônico o fato de que esse traste, que em nome da “ciénssia” fez homicídios disfarçados de “ixperimentos”, ter como destino o uso de seus ossos como experimento de medicina.

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