Teria o clipe de “Helena”, de My Chemical Romance, ligação com uma história de obsessão do século XX?

Se você, como adolescente ou criança, teve sua única e espetacular fase emo (ou possuía um amigo assim), com certeza a música “Helena” da banda de pop punk americana My Chemical Romance teve passagem na sua vida.
A música, que faz parte do álbum “Three Cheers for Sweet Revenge” (2004), é a primeira de treze sons que compoem uma continuação de “Demolition Lovers”, contando a história de um casal morto em um tiroteio, onde o homem acaba no purgatório, e ao descobrir que a mulher continua viva, decide voltar à Terra e matar mil homens maus para assim poder reencontrá-la.
O clipe mostra o velório de uma jovem moça que acontece em uma igreja. Enquanto a banda performa, pessoas dançam, cantam e choram. A própria falecida se levanta em certo momento do clipe, aparecendo novamente no caixão logo após. O vídeo continua com o carregamento do caixão escadaria abaixo, e se encerra com o fechamento do carro funerário.

Cena do velório no clipe.


Mas qual será a história por trás disso tudo? Assim como tudo nesse mundo tem uma teoria, há pessoas que acreditam na especulação de que a gravação foi inspirada em um fato ocorrido no século passado.

A história de Carl Tanzler e Elena de Hoyos

Tudo começou quando Carl Tanzler (nascido Georg Karl Tänzler), viajando brevemente em Gênova, na Itália, afirmou ter sido visitado por visões de um antepassado falecido, a condessa Anna Constantia von Cosel, que, segundo ele, havia revelado o rosto de seu verdadeiro amor para o jovem moço: uma mulher exótica de cabelos escuros.

Foto do radiologista Carl Tanzler.


Anos depois, mais precisamente em vinte e dois de abril de 1930, enquanto trabalhava como radiologista no Hospital da Marinha dos EUA em Key West, na Flórida, Carl conheceu Maria Elena Milagro de Hoyos, uma mulher que havia sido levada ao hospital pela mãe a fim de fazer exames.

Maria Elena Milagro de Hoyos, considerada uma linda mulher em Key West.


De imediato, o doutor reconheceu-a como a linda mulher revelada a ele em suas “visões” anteriores. Elena recebeu o diagnóstico de tuberculose, doença na época considerada fatal. Tanzler assumiu a missão de tratar a moça, usando uma variedade de medicamentos, combinados com equipamentos elétricos e de raio-x.
Na época, Carl dava muitos presentes à Hoyos, tais como joias e roupas, e alegadamente confessou seu amor pela moça, mas não haviam quaisquer evidências que mostravam que seus sentimentos eram recíprocos.
Apesar de todos os esforços com o tratamento da doença, Maria Elena não resistiu e morreu na casa dos pais em vinte e cinco de outubro de 1931. Seu funeral foi pago por Carl e, com a permissão da famíila, encomedou a construção de um mausoléu no Cemitério de Key West, local visitado por ele todas as noites.
A obsessão do homem era tamanha que em uma noite, em abril de 1933, Tanzler percorreu o cemitério até o mausoléu e desenterrou o corpo da jovem, levando-o pelo cemitério em um carrinho de criança até sua casa. Dizia ele que o espírito da moça ia até ele quando ele se encontrava ao lado de seu túmulo e pedia que lhe cantasse uma de suas músicas preferidas em espanhol, e que pedia que ele a tirasse do túmulo.
Após isso, Carl, em uma tentativa de “refazer” o corpo da mulher, juntou os ossos com cabides e casacos, encaixou o rosto com olhos de vidro, substituiu a pele por panos de seda embebidos em cera e emplastro de Paris, formou uma peruca com os cabelos de Elena que haviam sido retirados e entregados à ele pouco depois do enterro, encheu a cavidade abdominal e torácica do corpo para manter a forma e a vestiu, usando também abundantes quantidades de perfumes, desinfetantes e agentes de conservação para mascarar o odor e prevenir a decomposição do cadáver.

O corpo de Maria Elena após a tentativa de reconstrução feita por Tanzler.


Sete anos depois, em outubro de 1940, Florinda, irmã de Elena, ouviu rumores de que Tanzler estaria dormindo com o corpo desenterrado da irmã, confrontando-o e finalmente descobrindo o corpo, fazendo com que as autoridades fossem notificadas e o homem fosse preso, passando por exames psiquiátricos, sendo liberado um tempo depois.
O corpo foi enterrado novamente, depois de estudos e análises, em um túmulo não marcado, para evitar novas alterações, e em 1944, Carl Tanzler mudou-se para o Condado de Pasco, na Flórida, onde escreveu uma biografia presente na publicação “Pulp, Fantastic Adventures” em 1947.
Longe de sua amada obsessão, ele usou uma máscara mortuária para criar uma estátua de tamanho real de Hoyos e viveu com ela até sua morte, datada de três de julho de 1952. Seu corpo foi descoberto no chão de sua casa três semanas após seu falecimento.
Relatos dizem que Tanzler foi encontrado nos braços da estátua de Hoyos depois da descoberta de seu cadáver, mas seu obituário informou que ele morreu no chão, então não se pode ter certeza de tal fato.

O que você acha? O clipe tem, de fato, alguma conexão com o fato, ou é apenas uma coincidência muito doida?

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