Tragédia da boate Kiss


Na madrugada do dia 26 de janeiro de 2013, aconteceu uma grande tragédia na boate Kiss, no centro da cidade de Santa Maria. A festa foi organizada por estudantes de alguns cursos universitários e técnicos da Universidade Federal de Santa Maria: Pedagogia, Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia. Duas bandas estavam programadas para se apresentarem durante a festa na boate, que contava com a capacidade para 600 pessoas, mas que, naquela noite, abrigava mais de 1.000 pessoas.

Cartaz de divulgação da festa. Fonte: Wikipédia

Por volta das 2h30 da manhã na madrugada do dia 27 de janeiro, a segunda banda (Gurizada Fandangueira) estava no palco se apresentando, quando o vocalista acendeu um sinalizador em cima do palco no lado interno da boate. O sinalizador soltou faíscas que atingiu o teto do clube, provocando um incêndio na espuma de isolamento acústico. Os integrantes da banda e um segurança tentaram apagar o fogo com água e extintor, mas não conseguiram. Como consequência, uma fumaça preta e tóxica tomou conta do local.

Fonte: UOL

No início do incêndio, os seguranças que estavam perto do palco não alertaram os outros seguranças, que estavam na única porta de saída, sobre a situação. Logo, sem informação do que estava acontecendo, esses seguranças bloquearam a saída das pessoas, acreditando que estava tendo uma briga. A boate funcionava com pagamento das comandas de consumo na saída, o que levou os seguranças a também pensarem que as pessoas estavam tentando sair sem pagar. Sendo assim, muitas vítimas forçaram a saída pelas portas dos banheiros, confundindo-as com portas de emergência que saem diretamente para a rua – as quais. de fato, não existiam na boate. Com isso, 90% das vítimas foram encontradas nos banheiros.

Fonte: Exame

Durante o incêndio, várias pessoas fizeram postagens no Facebook, de dentro da boate, mandaram mensagem para amigos e familiares e fizeram ligações, avisando do incêndio na Kiss e pedindo ajuda. Ainda sem saber das dimensões da situação, amigos pediram mais informações, mas não obtiveram resposta. A fumaça preta se espalhou rapidamente e a boate ficou escura, por isso muitas pessoas não conseguiam ver onde era a saída. Uma das sobreviventes, Ingrid Goldani, que trabalhava na boate, declarou que inalou muita fumaça e caiu no chão, mas conseguiu abrir a porta da geladeira para respirar um pouco de ar “puro”, depois tentou ir em direção à porta de saída e acabou caindo em cima de outras pessoas, com mais pessoas caindo sobre ela, até que um menino do lado de fora puxou-a pelo braço, salvando sua vida.

Fonte: Terra

Com a chegada dos bombeiros e da ambulância, as 3h15 da manhã, jovens que conseguiram sair do local começaram a quebrar as paredes da boate do lado de fora para a fumaça sair e ajudar a tirar as pessoas de dentro que estavam desmaiadas e pisoteadas no chão. Alguns até entraram de volta na boate e acabaram morrendo. A situação era de várias pessoas deitadas no chão na rua, algumas com vida e outras já mortas.

Ao todo foram 242 mortes por asfixia pela fumaça tóxica e mais de 610 feridos. A Kiss tinha 35 trabalhadores (17 com carteira de trabalho assinada e 18 sem registro) e, desse total, 14 morreram no incêndio. O sanfoneiro Danilo Jaques foi o único integrante da banda que morreu. Já para os sobreviventes havia a grande possibilidade de desenvolvimento de câncer de pulmão: segundo o médico Capitão Claudio, as vítimas tinham pedaços nos pulmões que pareciam carvão.
O teto da boate era forrado por uma espuma que foi usada por exigência dos DJs, porque evitava o eco de som e aumentava a nitidez dos sons graves e agudos. Depois passou a ser usada como isolamento do som interno, evitando que incomodasse os vizinhos. Elissandro Spohr, um dos sócios da boate, a usou com esse propósito, mas a espuma era insuficiente para o efeito pretendido, então foi retirada sendo posteriormente recolada, a pedido dos DJs.

A boate Kiss já havia sofrido uma ação judicial em 2012 por tentar impedir a saída de uma pessoa que ainda não havia pagado a conta. Na ocasião, um funcionário afirmou que a orientação da empresa era não liberar clientes antes de pagarem a comanda. A Justiça considerou a prática como cárcere privado e condenou a boate a pagar dez mil reais de indenização à jovem que foi barrada na saída. Além disso, depois do incêndio, um segurança que trabalhou por mais de um ano na boate relatou que nunca recebeu treinamento contra incêndio e que não havia portas de saída de emergência.

Outro sócio da boate era Mauro Londero Hoffmann, um empresário dono de bares, restaurantes e casas de shows, incluindo outra boate da cidade, muito maior que a Kiss. Mauro comprou metade da Kiss, em 2012, para salvar a empresa da falência. Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, era o sócio principal. Entretanto, não era o dono oficial da boate, cuja razão social era Santo Entretenimentos.

A primeira notificação foi feita em 1º de agosto de 2009, por uma fiscal da prefeitura. Era uma instrução para fechar as portas, pois não tinha alvará. A boate continuou funcionando e a mesma fiscal retornou, aplicando a primeira multa em 8 de setembro de 2009. Um mês depois, no dia 7 de outubro, a boate seguia aberta sem alvará e sem interdição, tendo sido aplicada a segunda multa. A terceira multa foi aplicada em 27 de novembro de 2009, depois que os fiscais verificaram que a boate continuava em operação no dia 10 do mesmo mês. E a quarta multa foi aplicada em 11 de dezembro de 2009, devido ao descumprimento da notificação original, mas a casa noturna não fechou.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Rogerio Schietti Cruz, negou três pedidos do Ministério Público do Rio Grande do Sul que buscavam suspender o julgamento de um dos quatro réus acusados pelas mortes no incêndio da Boate Kiss. A Promotoria queria que o julgamento de todos os denunciados ocorresse no mesmo dia e local. Segundo o MP gaúcho, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul não apresentou justificativas suficientes para separar os julgamentos, que serão feitos pelo tribunal do júri. O Tribunal de Justiça gaúcho determinou que Mauro Londero Hoffmann e Marcelo de Jesus dos Santos serão julgados com Elissandro Callegaro Spohr em data a ser definida.

Mauro e Elissandro, sócios da Boate Kiss, juntamente com Marcelo e Luciano, integrantes da banda que apresentou show pirotécnico na noite do incêndio, foram denunciados por homicídio duplamente qualificado por 242 vezes e tentativa do mesmo crime por mais 636 vezes (número de sobreviventes).

Um comentário em “Tragédia da boate Kiss

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  1. muito triste!! lembro exatamente do dia até hoje, e por mais que nao estivesse na cidade, só consegui dormir depois das 8h da manhã, depois de uma longa procura em saber se havia algum conhecido presente, entre outras informações
    depois disso, infelizmente a cidade nunca mais foi a mesma, demorou muito para voltar a sorrir..
    justiça por todos aqueles que se foram!!!

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