Marlene Warren e o palhaço assassino: o caso que durou 27 anos


Reprodução: ABC News

Marlene Warren e Michael Warren moravam juntos com seu filho, Joseph Ahrens, em uma mansão de 126 quartos no bairro privado Aero Club, em Palm Beach, na Flórida, EUA. Marlene e Joseph estavam em casa tomando café da manhã no dia 26 de maio de 1990, quando ouviram a campainha. Ao atender, Marlene se deparou com uma pessoa vestindo um traje completo de palhaço, incluindo uma peruca laranja e maquiagem. Dessa forma, era impossível reconhecer de quem se tratava.

O palhaço segurava balões e objetos que lembravam presentes, como se tivesse sido contratado por alguém para fazer uma surpresa a Marlene. Enquanto Marlene se distraía com os presentes, o palhaço disparou com uma arma de fogo contra seu rosto e imediatamente deixou o local de carro, sem deixar rastros. 

Joseph, seu filho, estava com alguns amigos presentes em casa e assim que foi ver o que havia acontecido, avistou o carro deixando o local. Os amigos correram atrás do carro, sem sucesso, porém reconheceram seu modelo: era um Chrysler LeBaron. Quem ligou para a emergência foi a esposa de um vizinho, que estava por ali e testemunhou o ato.

A situação aconteceu muito rápido e Marlene foi atendida prontamente, mas não resistiu ao ferimento e faleceu dois dias depois, num hospital. 

Reprodução: The Sun

Como Marlene era uma pessoa sem desafetos e levava uma vida normal, era difícil levantar suspeitos ou alguma razão que motivasse o crime ou o traje de palhaço. No entanto, chamava atenção que a família de Marlene – sobretudo sua mãe – colecionava diversos itens relacionados a palhaços, como quadros e outros tipos de decoração. Suspeitou-se que esse interesse da família de Marlene com palhaços poderia estar relacionado ao crime e, especialmente, sobre a escolha do disfarce, porém era evidente que deveria ser alguém que tivesse conhecimento dessas informações. 

As suspeitas caíram primeiramente sobre o marido de Marlene, Michael Warren, no entanto, ele possuía um álibi: no momento do crime ele estava num hipódromo com alguns amigos, não podendo ter sido o autor do disparo.

Ainda assim, as suspeitas sobre ele não cessaram, principalmente quando os pais de Marlene disseram aos investigadores algumas coisas que ela lhes havia revelado. Entre elas, estava o fato de que o casal enfrentava crises em seu relacionamento e Marlene suspeitava que Michael pudesse estar tendo um caso extraconjugal. Além disso, ela acreditava fortemente que seu marido poderia matá-la. 

Ao longo das investigações, descobriu-se que Michael era proprietário de um estacionamento onde, dois dias depois do assassinato de sua esposa, foi encontrado um Chrysler LeBaron estacionado, como aquele visto nos arredores de sua residência no dia do crime. Foi encontrada no porta-malas deste carro uma bolsa, dentro da qual havia fibras de uma peruca laranja – provavelmente pertencentes a peruca do palhaço que matou Marlene. 

A partir disso, Michael passou a ser investigado intensamente, o que fez emergir o rumor de que ele tinha um caso com Sheila Keen, que administrava uma empresa de apreensão de veículos irregulares e eventualmente trabalhava com Michael. Os dois insistiam que a relação era estritamente profissional, ainda que fossem vistos juntos com muita frequência em restaurantes e em viagens.

Reprodução: South China Morning Post

Descobriu-se também que Michael comprara um escritório para Sheila, onde eles passavam bastante tempo juntos e que a própria Marlene tinha conhecimento dessa situação. Tudo isso reforçava a ideia de que Michael pudesse ser o autor do crime, uma vez que desconfiava das intenções de divórcio de sua esposa. Com a morte de Marlene, Michael não só escaparia de um eventual processo burocrático e desgastante de divórcio (fato que motiva diversos casos de crimes passionais), como também ficaria com todas as propriedades de sua esposa, seu dinheiro e com seu seguro de vida.

Para evitar que a responsabilidade do crime caísse sobre ele, Michael teria – segundo uma das linhas de investigação – pedido a Sheila Keen, sua amante, que providenciasse um traje de palhaço em uma loja de fantasias, cometesse o crime e depois se livrasse do disfarce. De fato, pouco tempo após o assassinato, os investigadores encontraram a loja em que a roupa foi vendida e colheram o testemunho de uma atendente que disse tê-la vendido a uma cliente que procurava com urgência por uma fantasia de palhaço. Isso ficou marcado na memória da atendente pelo fato de que não se tratava de nenhuma data festiva e a cliente disse que não poderia esperar até o dia seguinte para fazer a compra, já que a loja estava fechando naquele momento. 

Ao ser questionada sobre a fisionomia da cliente, a vendedora afirmou que a mulher tinha olhos e cabelo castanhos e que vestia uma calça jeans. Ao ver uma foto de Sheila, a atendente a reconheceu imediatamente. Além disso, foram localizadas testemunhas que afirmaram ter visto Sheila Keen numa loja comprando balões e flores, que eram objetos portados pelo palhaço no dia do assassinato de Marlene Warren.

Reprodução: The Sun

Outro dado relevante, descoberto durante as investigações, foi o que revelou um advogado que conhecia Michael: segundo ele, o homem teria lhe perguntado, “hipoteticamente”, qual era a melhor forma de se matar alguém sem ser descoberto. A resposta dada na ocasião teria sido: “com um disfarce, sobretudo um disfarce de palhaço”. 

Apesar de tantas evidências, não havia qualquer prova física que pudesse levar Michael ou Sheila à prisão. Ainda não havia tecnologia que pudesse analisar adequadamente as evidências mais concretas que haviam sido coletadas na época – como as fibras da peruca laranja. Sendo assim, o caso acabou sendo arquivado por vários anos e pouco se soube sobre o paradeiro de Michael e Sheila.

Reprodução: Sun Sentinel

Em 2017, no entanto, algo reacenderia o interesse da mídia pela história: um grupo de jornalistas curiosos sobre o caso descobriu que Michael e Sheila haviam se casado há cerca de 15 anos e cuidavam de negócios juntos. Sheila agora atendia pelo nome de Debbie e possuía o cabelo loiro, enquanto Michael insistia para que lhe chamassem por seu apelido, “Mike”. 

A descoberta da relação de Michael e Sheila acabou dando um novo gás ao caso, que fora reaberto em 2014. A essa altura, e dispondo de tecnologias mais avançadas, uma nova análise das fibras da peruca confirmou a presença de DNA nos fios, e que este era compatível com Sheila. Sua acusação formal, portanto, ocorreu apenas 27 anos após o assassinato de Marlene.

Sheila Keen foi presa em 2017 e extraditada da Virgínia, onde vivia com seu marido Michael Warren. A acusação e a família de Marlene pedem que ela receba a pena de morte pelo crime, mas as chances maiores são de que ela seja condenada à prisão perpétua. O julgamento ainda não foi realizado e, em razão da pandemia da Covid-19, teve sua data postergada para 2021.

Michael Warren nunca foi acusado formalmente pela morte de Marlene.


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