O Estripador de Gainesville: o caso que inspirou o filme “Pânico”


Para (principalmente) aqueles que nasceram nas décadas de 1980 e 1990, o filme “Pânico” foi um dos mais assistidos ou, pelo menos, mais comentados filmes de terror. A franquia ficou famosa mundialmente por seu jeito cômico de abordar assassinatos, mas o que você provavelmente não sabe é que o diretor Wes Craven se inspirou em Danny Rolling, conhecido como “O Estripador de Gainesville” para dirigir o filme, em 1996.

Danny Rolling nasceu em Luisiana, no dia 26 de maio de 1954 e teve uma infância bastante conturbada, sofrendo constantes abusos psicológicos e agressões físicas de seu pai, um veterano do exército que tinha EPT (Estresse Pós-Traumático). Após o nascimento de seu irmão caçula, as agressões aumentaram ainda mais, o que trouxe severas consequências a Rolling.

Reprodução: Aventuras na História

Ele buscou consolo na arte e na música após receber um violão de presente de Natal aos 15 anos. Ele relata que tocar o instrumento foi, sem dúvida, uma de suas memórias mais felizes durante toda a adolescência. Mas ele também se lembrou desses primeiros anos como uma época em que desenvolveu múltiplas personalidades como um mecanismo de defesa da realidade ao seu redor.

Já mais velho, Rolling continuou tendo dificuldades para se comportar entre as pessoas. Ele era apontado pela família e amigos como uma pessoa tímida e antissocial, o que teria causado a sua dispensa do serviço militar. Nos meses seguintes, ele se envolveu em vários crimes.

O começo dos crimes

Ele, então, tentou levar uma vida normal e se casou, mas seu matrimônio não durou muito tempo e sua esposa pediu divórcio após Rolling ameaçá-la de morte. Foi então que em 1990 ele tentou matar seu pai após todas as agressões físicas sofridas, mas a vítima sobreviveu – ainda que tenha perdido um olho e uma orelha – após ter sido atingido por uma espingarda. Danny Rolling começa então a usar o nome falso de Michael Kennedy Junior e muda-se para Gainesville, momento em que começa a parte mais obscura de sua história.

Em 24 de agosto, ele entrou na casa de duas calouras da Universidade da Flórida (Christina Powell e Sonja Larson) e esfaqueou e estuprou brutalmente as duas alunas. No dia seguinte, ele fez da estudante Christa Hoyt sua próxima vítima, deixando para trás sua cabeça decepada em uma prateleira frente à cama em que estava o restante de seu corpo. A polícia encontrou folhas de papel toalha com sêmen nas casas onde ocorreram os três homicídios, mas naquele tempo o exame de DNA demorava muito tempo devido à pouca tecnologia da época.

Danny Rolling posando com a família. Reprodução: Canal Ciências Criminais

Em 28 de agosto, Rolling fez mais duas vítimas: a universitária Tracy Paules e o ex-jogador de futebol do colégio Manuel Toboada, foram encontrados mortos na residência em que dividiam. Após os dois últimos assassinatos, que ocorreram na mesma manhã, o campus da Universidade da Flórida foi fechado imediatamente e a polícia começou a investigar os crimes. A população local ficou com medo de sair à rua e a caça ao “Estripador de Gainesville” deu início.

Enquanto Rolling saía da cidade, uma força-tarefa local foi montada para acalmar uma comunidade frenética e encontrar respostas. As autoridades logo se concentraram em um dos principais suspeitos, um estudante da universidade que morou por pouco tempo no mesmo complexo que duas das vítimas e era conhecido por ter um comportamento bastante anormal, chegando a ser preso por bater na avó. Logo foi revelado que esse estudante estava lutando contra uma depressão maníaca aguda. Assim, sem nenhuma evidência ligando-o aos assassinatos, a força-tarefa voltou com todo o esforço para encontrar o verdadeiro serial killer.

Reprodução: JustCriminals

Enquanto isso, o assassino que procuravam já estava na prisão. Em setembro, Rolling foi preso depois de bater o carro enquanto fugia de um assalto que ele realizou. Apenas no ano seguinte, quando as autoridades usaram um dente extraído de Rolling para ligá-lo às evidências de DNA nas cenas do crime em Gainesville, que ele se tornou o principal suspeito dos crimes.

Rolling é preso

Já no meio do processo de diversas sentenças de prisão perpétua por seus vários assaltos à mão armada, ele foi formalmente acusado dos assassinatos de cinco estudantes de Gainesville em junho de 1992.

Com seus recursos esgotados, Rolling enfrentou a execução na Prisão Estadual da Flórida em 25 de outubro de 2006. Em seus últimos momentos, ele cantou um hino que tinha como refrão “Ninguém é maior que você, ó Senhor, ninguém é maior do que tu”. Seu microfone, então, foi cortado e Rolling foi finalmente executado.

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