O caso Preto Amaral: O primeiro serial killer do Brasil


José Augusto do Amaral, mais conhecido como Preto Amaral, o primeiro serial killer do Brasil, nasceu em 15 de agosto de 1871, em Conquista, Minas Gerais. Seus pais eram escravos vindos da África, comprados por um visconde brasileiro. Ele obteve sua liberdade aos 17 anos, após a abolição da escravatura no Brasil, mas pouco se sabe sobre sua infância. Na época, as informações não eram, em sua maioria, documentadas como vemos hoje em dia.

Por ter dificuldades para conseguir emprego, ele se alistou no Exército, chegando a participar da Guerra de Canudos e outros embates por todo o país. Ficou conhecido também por desertar várias vezes das diversas instituições militares pelas quais passou.

Após ter saído de seu último emprego, Preto Amaral não tinha endereço fixo, tendo que viver em albergues e até mesmo na rua, conseguindo comida ao fazer alguns bicos. Nessa altura da vida, ele foi preso algumas vezes por vadiagem, visto que o Código Penal daquela época dava base para prisões desse tipo.

Sua primeira vítima foi Antônio Sanchez, que, no dia 5 de dezembro de 1926, foi abordado por Amaral e começaram a conversar, nisso, Amaral se ofereceu para pagar o almoço dos dois. Após se conhecerem melhor, Preto pediu ajuda da vítima para um serviço, dizendo que o pagaria um valor alto. Depois de ter a proposta aceita, os dois saíram do restaurante e passaram a caminhar em uma trilha longe da cidade, quando as agressões começaram. Antônio Sanchez foi estrangulado por Amaral. Após matá-lo, o assassino praticou necrofilia e fugiu.

A segunda vítima de Amaral foi morta poucos dias depois, na véspera de Natal. José Felippe Carvalho tinha 10 anos e estava a caminho da missa sozinho, quando avistou Preto Amaral vendendo balões de gás e pediu um. Amaral deu uma bexiga de presente ao menino e começou a puxar conversa. Enquanto escutava o homem, o balão estourou. Vendo uma oportunidade de ganhar a confiança da vítima, Preto Amaral ofereceu outra bexiga e quando percebeu que tinha conquistado a confiança dele, convidou o menino para um passeio na mata ali perto, onde encontrariam alguns passarinhos. Chegando lá, ele atacou José Felippe quase que da mesma maneira que fez com Antônio Sanchez. Novamente praticou necrofilia, estabelecendo assim, o seu modus operandi.

Parque Campo de Marte

Sua terceira e última vítima oficial foi Antônio Lemos, de apenas 15 anos. Ele foi fazer um serviço no bairro da Penha, até ser convidado por Amaral para almoçar, e aceitou. Como fez anteriormente nos outros casos, o assassino ganhou confiança do garoto e o convenceu a segui-lo em troca de um bom valor. No meio do caminho, sem dar qualquer oportunidade para Antônio Lemos se defender, o asfixiou. Já com o garoto morto, ele o sodomizou. Essas foram as três vítimas que Amaral confessou ter matado.

O corpo foi encontrado um dia depois e após investigações da polícia, um garoto engraxate de apenas 9 anos – que não teve seu nome revelado nos autos para proteger sua identidade – contou que um homem com as mesmas características físicas de Preto Amaral o levou para debaixo de uma ponte – há cerca de dez meses antes dos assassinatos dos três meninos – e tentou asfixia-lo. O jovem saiu correndo quando ouviu algumas vozes. A família do garoto decidiu não prestar queixas naquele momento. Após o caso do assassinato dos meninos e a prisão de Preto Amaral tomarem grande repercussão, a família dele o levou a delegacia para relatar o que houve. O testemunho do menino sobrevivente foi fundamental para a acusação contra Amaral.

O livro “Serial Killers: Made in Brazil” teve acesso ao diagnóstico médico-psiquiátrico de Preto Amaral, que o descrevia como um pervertido sexual, entre outras característica ainda mais chocantes:

Trata-se, a nosso ver, de um criminoso sádico e necrófilo, cuja perversão se complica pederose, em que a criança é o objeto especial e exclusivo da disposição patológica. Teria habilidade de praticar seus crimes sem ser descoberto. Amaral enquadrou-se no grupo dos pervertidos sexuais caracterizados por aqueles que se encontram em permanente estado de hiperestesia sexual, que, sob a influência dessa excitação, que é contínua e mortificadora, são levados ao ato, mais ou menos automaticamente, sem terem a capacidade de refletir e julgar o ato impulsivo. Os crimes dos sádicos-necrófilos são executados com relativa calma, com prudência, de emboscada, e o criminoso age como se estivesse praticando um ato normal.

Preto Amaral faleceu devido a complicações de uma tuberculose pulmonar, no dia 2 de julho de 1927, aos 55 anos. Ele morreu sem ter sido julgado, pois ainda estava em prisão preventiva na Cadeia Pública.

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