O desaparecimento da garotinha que deu origem ao alerta de crianças desaparecidas nos Estados Unidos


Em Janeiro de 1996, a garotinha de 9 anos, Amber Rene Hagerman, saiu de casa para andar de bicicleta no estacionamento de um mercado quando foi sequestrada e assassinada. Até hoje não se sabe quem cometeu o crime.

Amber Rene Hagerman, filha de Donna Whitson e Richard Hagerman, nasceu em 25 de Novembro de 1986 na cidade de Arlington, Texas, nos Estados Unidos. Amber tinha um irmão mais novo chamado Ricky, de 5 anos.

Em 13 de Janeiro de 1996, Amber e sua família estavam visitando seus avós maternos, quando ela e seu irmão foram até o estacionamento de um mercado abandonado, a duas quadras da casa, onde era costume as crianças andarem de bicicleta, por se tratar de um lugar muito espaçoso. As crianças foram até o local e brincaram juntas durante um tempo, contudo, Ricky quis voltar para casa, ao passo que Amber quis continuar brincando, mesmo sem o irmão. Assim, Ricky voltou para casa enquanto Amber ficou no local.

Amber e Ricky

Ao chegar em casa, Donna, a mãe das crianças, se assustou ao ver Ricky sozinho e o questionou onde estava Amber e, quando a criança disse que a irmã tinha ficado sozinha no estacionamento, mandou que ele voltasse e levasse Amber de volta para casa junto dele. No entanto, quando Ricky chegou ao local, apenas alguns minutos depois, Amber havia desaparecido.

Diante do ocorrido, o menino voltou correndo para casa para avisar aos pais e aos avós sobre o desaparecimento da irmã. Rapidamente todos entraram em seus carros e deram voltas na vizinhança a procura de Amber, acreditando, até aquele momento, que a menina somente estava andando de bicicleta nos arredores.

O avô de Amber deu inúmeras voltas nas ruas que poderiam levar do estacionamento a casa, até que, por fim, resolveu voltar ao local onde a criança desapareceu. Ao chegar no estacionamento deparou-se com vários policiais no entorno, o que lhe causou uma imensa preocupação, tendo em vista que nenhum dos parentes havia chamado a polícia pois acreditavam que a menina só estaria brincando em algum lugar.

Um senhor de 78 anos, de nome Jim Kevil, morador próximo ao estacionamento, foi quem ligou para os policiais. Kevil disse que estava em sua casa e viu Amber pedalando sozinha no estacionamento quando uma picape escura (preta ou azul marinho, de acordo com ele) apareceu no local e um homem saiu rapidamente do veículo, raptou a garota e foi embora.

A testemunha não pode informar grandes detalhes, pois a distância da casa ao estacionamento, era considerável, impossibilitado que, um senhor de 78 anos conseguisse visualizar com riqueza de detalhes todo o ocorrido. Kevil contou que o sequestro ocorreu em questão de segundos e que a criança gritou e se debateu, tentando se desvencilhar do sequestrador, mas não obteve sucesso. Imediatamente o idoso chamou a polícia e informou a melhor descrição que pode do indivíduo: alegou que ele era branco ou hispânico, com idade entre 25 e 40 anos e, aproximadamente, 1,80m.

Por mais que a ação da polícia tenha sido muito rápida, envolvendo 50 policiais espalhados pela cidade a procura de Amber, não foram capazes de encontrar nenhum vestígio da menina, nem de nenhum potencial suspeito que se enquadrasse na descrição de Kevil.

Rapidamente o caso tomou grandes proporções, o FBI foi chamado e a notícia do desaparecimento de Amber se espalhou pelos jornais e noticiários locais. Além disso, a família e vizinhos se mobilizaram para montar uma força tarefa no intuito de encontrar Amber. Apesar das fotos espalhadas e da procura incessante, nenhum sinal da criança era encontrado.

Quatro dias após seu desaparecimento, em 17 de Janeiro de 1996, um homem passeava com seu cachorro, em um riacho, atrás de um complexo de apartamentos, chamado Forest Hills, localizado a menos de 8 km do estacionamento onde Amber tinha desaparecido, quando o animal começou a ficar inquieto e latir muito em uma certa direção. Ao conferir o motivo de inquietação do animal, o homem deparou-se com o corpo de uma criança no riacho e imediatamente chamou a polícia.

Foi constatado se tratar de Amber Hagerman, cujo corpo estava nu, exceto por uma meia. Posteriormente a autópsia constatou que Amber foi mantida viva durante dois dias após o sequestro, tempo em que foi espancada e violentada sexualmente antes de ter sua garganta cortada e seu corpo jogado no riacho. Nenhuma evidência que pudesse levar ao assassino da menina foi encontrada.

O investigador do caso, Mike Simonds, explicou que, no dia em que o corpo de Amber foi colocado no riacho houve uma chuva forte que submeteu o corpo da criança a exposição intensa de água corrente e fatores externos os quais prejudicaram, de forma crítica, os vestígios e evidências forenses..

Diante da falta de informação e de provas, apesar da intensa busca para localizar o assassino de Amber, ele nunca foi encontrado. Durante todos esses anos, os policiais investigam todas as vezes que recebem alguma possível informação sobre o caso Amber, mas não obtiveram sucesso.

Devido a intensa cobertura midiática que esses casos ganham nos Estados Unidos e, após as notícias de que o corpo de Amber havia sido encontrado, uma mãe chamada Diana Simone, compadecida e revoltada com a situação, ligou para uma estação de rádio local do Texas e questionou o porquê de a mídia local não enviar um alerta de crianças desaparecidas como enviavam alertas meteorológicos.

Nos Estados Unidos, quando a mídia envia alertas sobre condições de climáticas severas, os sinais de televisão e de rádio são interrompidos ao mesmo tempo em que um barulho alto é tocado para chamar a atenção de todos para as condições meteorológicas perigosas.

A ideia de Diane repercutiu nacionalmente e apenas alguns meses depois foi criado o America’s Missing: Broadcast Emergency Response (Desaparecimento na América: Transmissão de Resposta de Emergência), ou simplesmente, AMBER Alert.

O Alerta AMBER sobre rapto de crianças é veiculado em todos os meios de comunicação, inclusive mensagens de texto e outdoors em rodovias, com informações sobre a criança e até mesmo placas de veículos ou informações sobre o suspeito, para que as pessoas se atentem e ajudem nas buscas sempre que uma criança é dada como desaparecida.

Desde 1996 o alerta AMBER é utilizado em todo território dos Estados Unidos. De acordo com o site oficial do AMBER Alert, até Maio de 2020, 988 crianças foram encontradas graças ao sistema de alerta.

O sistema se espalhou ao redor do mundo, sendo utilizado no México, Canadá, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia, Eslováquia, Espanha e Reino Unido. Em alguns lugares, o AMBER Alert recebeu outros nomes em homenagem a crianças desaparecidas locais.

Existem alguns critérios para a ativação do alerta AMBER para que não seja dado em vão e perca a credibilidade, tais como, a força policial tem de confirmar que existiu um rapto; a criança tem de estar em risco de um ferimento sério ou morte; tem de existir descrição suficiente da criança, raptor ou veículo do raptor para lançar o alerta; a criança tem de ter menos de 18 anos de idade.

Donna Williams, mãe de Amber Hagerman, diz que ao mesmo tempo em que fica feliz pelo programa ajudar a encontrar tantas crianças, ela não pode evitar pensar no que teria acontecido se o programa já existisse quando sua filha desapareceu.

No Brasil, existe um projeto de lei (PL 9348/2017) que tenta instituir um sistema de alerta AMBER acrescentando um artigo ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas se encontra parado, para votação no plenário da Câmara dos Deputados, desde 2017.

Até hoje, 24 anos depois, não há pistas sobre o assassino de Amber Hagerman.


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