Dennis Nilsen, o serial killer que matava seus amantes


Dennis Andrew Nilsen nasceu em 23 de novembro de 1945. Era filho do meio, fruto de um casamento que durou apenas sete anos, provavelmente em decorrência do alcoolismo do pai. Sua mãe, suas irmãs e ele sempre moraram com os avós maternos. Dennis tinha uma relação especial com o seu avô, porém este familiar morreu quando o garoto tinha apenas 6 anos. Mais tarde, Dennis diria que a morte do avô fora um trauma e uma espécie de morte emocional dentro dele; a mãe, sem antes contar o que havia acontecido, o levou para ver o corpo do avô morto, significando um choque terrível e uma perda inimaginável.


Quando tinha 8 anos, quase morreu afogado no mar. Foi salvo por um garoto um pouco mais velho, que brincava por perto. Logo após ser salvo, enquanto ainda estava inconsciente na areia, o garoto tirou suas roupas e se masturbou sobre ele. Dennis só se deu conta do que aconteceu quando acordou e notou o esperma do rapaz sobre sua barriga.
Dois anos depois, sua mãe se casou novamente e teve mais quatro filhos, negligenciando Dennis por completo. Cresceu como uma criança solitária, não era agressivo e não apresentou crueldade com animais ou outras crianças. Na adolescência, não teve vida sexual ativa, mas notou que se sentia atraído por outros garotos. Aos 16 anos, alistou-se ao exército, onde praticava o ofício de cozinheiro; foi nessa função que aprendeu técnicas de açougueiro.


Continuava sendo uma pessoa solitária e, com o tempo, passou a consumir bastante álcool. Na época do exército, descobriu o seu corpo, porém costumava dissociar-se de si mesmo; olhava-se no espelho de forma que não visse seu rosto, apenas seu corpo, e se masturbava e o admirava como se fosse corpo de outro rapaz. A fantasia foi tomando outro rumo, de modo que começou a imaginar como se o corpo estivesse morto, chegando até a utilizar-se de maquiagem, como sangue falso, para fazer parecer como se o corpo tivesse sido assassinado.


Em 1975, após desistir do exército e da carreira policial, a qual antes estava interessado, mudou-se para um apartamento térreo com jardim na 195 Melrose Place, norte de Londres, onde morou com o amigo David Gallichan, que negava que a amizade era um disfarce para o relacionamento deles. Compraram uma cachorrinha chamada Bleep e também um gato. Dois anos depois, David e Dennis se separaram, aumentando drasticamente o alcoolismo de Dennis, e um ano depois ele começou a matar. Mais tarde seriam encontrados mais de mil fragmentos de ossos no jardim de sua casa.


Aos 33 anos, Dennis encontrava jovens em pubs e clubs gays da cidade e os levava para casa, onde bebiam e tinham relações sexuais. Ficava frustrado ao saber que na manhã seguinte o novo amigo iria embora, deixando-o sozinho mais uma vez. Até que chegou ao ponto de não ser mais capaz de suportar o abandono e decidiu que iria mantê-los com ele para sempre; estrangulava o parceiro com uma gravata e mantinha o cadáver em sua casa o máximo de tempo possível. Acariciava o corpo sem vida, dava banho, via televisão com ele e se masturbava em sua companhia. Guardava o corpo embaixo das tábuas da sala e, quando se sentia só outra vez, retirava o corpo de lá e brincava com ele, como se fosse uma espécie de boneco. Usava inseticida duas vezes ao dia para livrar-se das moscas e, quando perguntado sobre o cheiro horrível, por vizinhos, dizia que o cheiro era da construção antiga e decadente. Quando notava que era hora de se livrar do corpo, cortava-o em pedaços no chão da cozinha. Às vezes, fervia a cabeça da vítima, separava pedaços da carne em grandes sacos de lixo e escondia embaixo das tábuas até decidir o que fazer em seguida. Os órgãos internos eram colocados dentro de uma brecha entre as cercas duplas de seu terreno e alguns torsos foram guardados em sacos e malas, que levava até o quintal para queimá-los. Nunca foi questionado sobre essas grandes fogueiras; os vizinhos provavelmente achavam que era um grande churrasco. Após o fogo ser apagado, Dennis esmagava os crânios e ossos entre as cinzas e espalhava o resto sobre a terra. Um total de doze cadáveres foram incinerados dessa forma.


Eventualmente, Dennis precisou se mudar, e em sua nova moradia não havia jardim ou lugar adequado para fogueiras e, para se livrar dos corpos, isso acabou virando um problema.
Em janeiro de 1983, Dennis havia assassinado Steven Sinclair, um jovem de 20 anos viciado em drogas, que havia encontrado vagando pela Leiscester Square. Steven aceitou o convite de Dennis para ir ao seu apartamento tomar um drinque. Ouviram música e beberam, até que o garoto adormeceu numa poltrona. Dennis, então, estrangulou o garoto com eficiência e quase nenhuma luta. Banhou o corpo sem vida de Steven e o colocou na cama; posicionou espelhos pelo quarto de forma que pudesse ver e admirar o seu corpo e o do garoto nus. Também conversava com Steven como se estivesse vivo. Após alguns dias, desmembrou o corpo do garoto, tirou-lhe os braços, as pernas e separou a caixa torácica do resto do torso. Ensacou todas as porções, junto com a cabeça, que fora parcialmente cozida, e guardou-os no armário e no móvel de roupa-suja. Steven Sinclair foi sua última vítima.


Os moradores do prédio onde Dennis morava constantemente reclamavam da encanação do prédio. Reportavam inúmeras reclamações sobre entupimentos e vazamentos, então, no dia 5 de fevereiro de 1983, chegou ao edifício o encanador Mike Welch. Tentou resolver o problema de encanamento usando métodos usuais, mas não obteve sucesso. Então, pediu para checar a caixa de inspeção. Também pediu para os moradores entrarem em contato com uma empresa especializada, a Dyno-rod. Ao ficar sabendo sobre isso, Dennis notou que as coisas iam começar a dar errado; pensou em todos os pedaços de vítimas que descartou pelos encanamentos, o que poderia ter causado todos os problemas do edifício.


No dia 8 de fevereiro, chegou ao edifício Michael Cattran, o encanador da Dyno-rod. Ao descer e examinar a caixa de inspeção, deparou-se com mais de 30 pedaços de carne impedindo o fluxo do encanamento. Sem acreditar no que estava vendo, Michael decidiu voltar no próximo dia com seu supervisor, para tomarem as devidas providências. Nessa noite, Dennis estava apavorado. Sem saber o que fazer, cogitou o suicídio, mas desistiu ao pensar em sua cachorrinha, Bleep. Também pensou que, se morresse, ninguém nunca saberia o destino de suas vítimas, já que nenhuma delas foi sequer dada como desaparecida. Então, por volta da meia-noite, desceu até a caixa de inspeção e recolheu os pedaços de carne dentro de um saco de lixo, espalhando-os depois no jardim do fundo do edifício. Na volta, encontrou o casal Jim e Fiona, seus vizinhos, que acharam o comportamento suspeito, mas não deram muita importância.
No dia seguinte, o encanador Michael voltou ao edifício com o seu supervisor e ficou surpreso ao ver que a caixa de inspeção estava limpa, exceto por uma pequena quantidade de dejetos. Desconfiada, Fiona resolveu chamar a polícia. O inspetor-chefe, detetive Peter Jay, atendeu ao chamado e recolheu alguns dos dejetos encontrados no encanamento. Mandou para análise na Universidade de Londres, onde o professor de medicina forense, David Bowen, identificou o tecido e os ossos como humanos.


Ao chegar em casa após um dia de expediente, Dennis já esperava encontrar a polícia o esperando. Três detetives o abordaram, dizendo que a carne encontrada no encanamento era humana e o perguntaram sobre o resto do corpo. Dennis calmamente respondeu: “Em sacos plásticos, no armário perto da porta. Eu mostro a vocês.”
Surpreso, o detetive Jay perguntou: “Algo mais?”, e Dennis respondeu: “É uma longa história. Vou contar tudo. Quero tirar tudo isso do meu peito, mas não aqui. Na delegacia.”
Ainda em choque, Jay arriscou mais uma pergunta: “Estamos falando de um corpo ou dois?”, e, sorrindo meio sem jeito, Dennis disse: “Quinze ou dezesseis desde 1978.”


Na delegacia, o depoimento de Dennis Nilsen durou mais de trinta horas. Ele explicou em detalhes os assassinatos, as técnicas usadas e ajudou a polícia a identificar partes das vítimas. Não demonstrou remorso ou compaixão. Foi o corpo de Steven Sinclair, o mais recente e mais inteiro, que possibilitou a acusação de Dennis por assassinato. Enquanto esperava pelo julgamento na Prisão de Brixton, Dennis escreveu suas memórias com a ajuda de um jovem escritor, Brian Masters. Queria lançar futuramente uma autobiografia, o que não aconteceu, pois as autoridades britânicas não permitiram. Em seus depoimentos, declarou que deixara sete de suas vítimas irem embora com vida, mas se recordava do nome de apenas quatro; três delas testemunharam contra ele no tribunal. Além disso, escreveu mais de 50 cadernos sobre suas memórias, para ajudar no processo, e fez esquetes demonstrando seu modus operandi.


Seu advogado, Ralph Haeems, decidiu defender Dennis diminuindo suas responsabilidades nos crimes, alegando insanidade por anormalidade mental. Seu julgamento teve início em 24 de outubro de 1983 e Dennis Nilsen foi acusado por apenas seis homicídios e duas tentativas de homicídio. Alegou inocência para cada uma delas. Vários psiquiatras foram consultados durante o processo, sendo o diagnóstico final que Dennis era um caso único de desordem mental, mas não com anomalia mental. A explicação não ficou muito clara, mas o depoimento foi finalizado com “a mente pode ser demoníaca sem ser anormal”.


Em 3 de novembro de 1983, Dennis Nilsen foi considerado culpado de todas as acusações e condenado à prisão perpétua e não elegível para condicional por 25 anos. Em 2006, ele confessou em detalhes o seu primeiro assassinato para a polícia, do menino Stephen Dean Holmes, de 14 anos, que ele disse ser a primeira de 14 vítimas. Há controvérsias, pois a polícia acredita que ele tenha assassinado mais de 15 garotos, mesmo que mais da metade ainda não foram identificados.


Dennis Nilsen morreu na prisão em que cumpria sentença, aos 72 anos, no dia 12 de maio de 2018, após fazer uma cirurgia no abdômen, não resistindo.


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