O menino de oito anos que foi torturado, humilhado e morto pela própria mãe e o padrasto


O caso Gabriel Fernandez comoveu não somente os Estados Unidos, mas o mundo todo. O garoto de apenas oito anos, foi torturado pela mãe e o “padrasto” durante oito meses até que em uma noite foi morto pela própria família, que chegou a mentir para o serviço de emergência sobre a causa da morte.

Gabriel nunca foi desejado pela mãe, Pearl Fernandez, que dizia sem remorso algum que não desejava criá-lo quando nascesse, tanto que ter levado a gravidez adiante foi uma surpresa para os familiares dela, que pensavam que Pearl tomaria uma decisão crítica e abortaria. A surpresa acabou quando eles perceberam que após o nascimento do bebê ela o abandonou no hospital, com isso, Gabriel Fernandez foi acolhido por seus avós e passou a viver com os parentes, sempre trocando de casa após algum tempo. Ele era descrito por todos os familiares que o acolheram como um menino doce, feliz e saudável.

Em 2012 Pearl decidiu pegar seu filho para morar com ela, o namorado e seus dois outros filhos, o motivo: receber assistência social. A mãe de Gabriel não o via como um filho legítimo e amado, mas como uma fonte de dinheiro que receberia do governo americano. Os meses seguintes foram um completo terror para o garoto, que seria espancado e humilhado de várias formas diferentes, por aqueles que deveriam protegê-lo.

Já na nova escola, a professora de Gabriel, Jennifer Garcia percebeu o comportamento estranho do menino, inclusive, ela chegou a relatar que ele perguntou em sala de aula se era normal apanhar de cinto e ter outros tipos de tortura. Após ouvir todos esses relatos de Gabriel, ela entrou em contato com as autoridades policiais para formalizar uma denúncia anônima e com isso a assistente social Stefanie Rodriguez foi acionada. Após a denúncia da professora, alguns procedimentos como visita à casa de Gabriel e telefonemas da polícia foram realizados, mas nada efetivo. Com o passar do tempo nada foi feito e Gabriel aparecia ainda pior, sua professora notou várias escoriações no corpo do garoto, bem como algumas partes do couro cabeludo à mostra, provando que eles arrancavam tufos de cabelo da vítima.

A professora de Gabriel Fernandez, não desistiu e continuou denunciando os maus tratos e juntamente com ela, outros familiares também tentaram intervir. As visitas à casa de Gabriel eram constantes, mas sempre resultavam com os policiais acreditando que Pearl não fazia mal algum ao próprio filho. A falta de uma correta investigação ajudou na morte do garoto.

Na noite de 22 de maio de 2013, o serviço de emergência recebeu um chamado da mãe e padrasto de Gabriel. Na ligação foi relatado que ele estava sem conseguir respirar. Ao examinar o garoto, os paramédicos perceberam na hora que o problema era ainda mais grave do que pensaram. Foram oito meses de abuso físico, mental e psicológico que Gabriel teve que suportar da própria mãe e o padrasto.

Dentre os abusos físicos encontrados pelos paramédicos ao examinarem Gabriel pela primeira vez, estão: contusões na cabeça, partes da pele queimada, marcas de sufocamento no pescoço, costelas quebradas, mãos inchadas e vários outros hematomas ao longo do corpo do menino.

Após a realização de autópsia, foi detectado que Gabriel tinha fezes de gato no estômago. Mais tarde foi confirmado pelos seus irmãos que ele era obrigado a comer as fezes caso não limpasse direito a bandeja do gato. Vários outros abusos foram cometidos ao Gabriel ao longo dos oito meses que morou com a mãe e o padrasto.

O caso teve grande repercussão na imprensa e geraram grandes protestos durante o julgamento de Pearl e Isauro Aguirre, seu namorado. Foram realizados julgamentos separados e Isauro foi condenado à morte e aguarda execução na prisão de San Quentin, Califórnia. Pearl se declarou culpada e não chegou a ser julgada, com isso, foi sentenciada a prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional. Dois assistentes sociais e os supervisores, também foram indiciados por falsificação de registros públicos e abuso infantil, visto que foram totalmente negligentes com o caso do Gabriel Fernandez, mas um tribunal de apelações determinou que eles não enfrentassem acusações criminais, segundo o site BBC Brasil.

Todo o caso de Gabriel Fernandez se tornou um documentário que conta sobre os abusos sofridos pela vítima e relata ainda alguns bastidores dos julgamentos, tendo o promotor Jon Hatami como uma das peças-chave entre as fontes ouvidas. A produção conta com seis episódios e está disponível na Netflix.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: