O massacre do Complexo Penitenciário Anísio Jobim


Um dos maiores massacres da história prisional do Brasil, ficando atrás somente do Carandiru. Conheça a carnificina do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, Amazonas.

A rebelião deixou cerca de 56 detentos mortos, embora no início o levantamento fosse de 60 mortos. Tudo começou no dia 1 de janeiro de 2017, e a situação só fora controlada na manhã do dia 02, segunda-feira, durando pouco mais de 17 horas. O massacre se tratava de um confronto provocado pela briga entre duas facções criminosas: o Primeiro Comando da Capital (PCC), originário de São Paulo e Família do Norte, do Amazonas. Segundo informações, a maior parte dos mortos pertenciam ao PCC. Ao menos 12 guardas prisionais foram feitos reféns e, posteriormente, liberados sem ferimentos.


Na época, o então juiz Luíz Carlos Valois, que esteve no Compaj para negociar o fim da crise, disse que viu muitos corpos e que era difícil precisar o número de mortos, “pois muitos estavam esquartejados”. “Nunca vi nada igual na minha vida, aqueles corpos, o sangue”, afirmou. No dia primeiro, seis detentos foram decapitados e tiveram seus corpos arremessados para fora da unidade. Segundo autoridades, o nível de crueldade com que os presos foram mortos são um sinal de que a intenção foi enviar um recado para os rivais.
Diversos vídeos de corpos esquartejados, carbonizados e empilhados dentro do complexo circularam na internet. Uma das imagens era de uma cabeça decapitada ao lado de um coração. De acordo com a Umanizzare, empresa responsável pela gestão do Compaj, a unidade abrigava 1072 internos, sendo o maior presídio do Amazonas.


Em um dos vídeos divulgados, um preso bate com a faca na primeira das cinco cabeças decapitadas que estão sobre uma poça de sangue no pátio. “Esse aqui é o Bruninho. PCC”, narra o detento. Uma a uma, as cabeças são expostas para que seja feito um outro vídeo. As imagens chocantes expõem a realidade do sistema prisional carcerário brasileiro. Nas cenas do crime, os celulares pouco focam nos presos sobreviventes – que comemoram a matança. O foco está nos corpos, em partes do corpo e cabeças dos inimigos. O tom de conversa soa como uma comemoração, e os decapitados são como troféus em meio à barbárie.
“Esse é o moicano, engraçadinho. Olha a cara do Edinho. Olha o Tatu. Tudo PCC”, continua o preso. “Tudo PCC”. Essa é a resposta que a gente dá pra safado”, responde outro detento. Em outro vídeo, dois detentos cortam uma cabeça com uma faca, em seis segundos. Em volta, os gritos de comemoração tomam conta do lugar.


Desde outubro do ano passado, o rompimento entre o PCC e o Comando vermelho, facção fundada no Rio de janeiro e aliada a FDN, elevou a tensão nos presídios do Norte e Nordeste do país. A facção amazonense, inclusive, foi pivô desse rompimento: três lideranças do PCC foram brutalmente degoladas entre junho e julho de 2015, dentro de presídios de Manaus, a mando das lideranças da FDN.
Em dezembro de 2017, o Ministério Público do Amazonas concluiu, em uma investigação, que uma série de falhas contribuiu para a rebelião ter acontecido. Entre as conclusões, estavam:
• Falta de uma comunicação rápida entre a polícia e a Secretaria de Administração Penitenciária, que já tinha recebido denúncias de que presos planejavam fazer uma rebelião e fugir;
• Acúmulo de processos – um juiz da Vara de Execuções Penais cuidava de mais de 17 mil processos por ano e concedia benefícios desiguais aos detentos;
• Erros do próprio Ministério Público, que designou apenas dois promotores para cuidar de 17 mil processos e fiscalizar oito presídios;
• Falhas da direção da penitenciária, que dava regalias para os presos.


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