Caso de três garotas sequestradas e mantidas em cárcere privado, por 1 década em Cleveland, Ohio (EUA)


Michelle Knight, 21 anos na época, com um filho, que ela já tinha perdido a guarda para o Estado, foi desaparecida no dia 23 de agosto de 2002, quando estava a caminho da audiência da guarda do seu filho. Passou antes em uma conveniência, para pedir informações de onde seria a audiência, e Ariel Castro, seu sequestrador, que também estava no local, a ouviu perguntar e lhe ofereceu uma carona, pois ele sabia onde ficava a audiência, e Michelle aceitou.

Michelle Knight
Ariel Castro















Ariel Castro já tinha outro casamento, com sua ex-esposa Grimilda Figueroa que, depois de casados, em 1992, foram morar na mesma casa que Castro manteve as três mulheres em cativeiro.
O casamento tornou-se violento, com muitas agressões de Castro contra Grimilda, chegando a jogá-la escada abaixo, fraturando seu crânio. Em 1993, ele foi preso por violência doméstica, mas não foi indiciado pelo tribunal. Em 1996, a mulher deixou a casa com os quatro filhos do casal. Mesmo assim, ele continuou a ameaçá-la e persegui-la, até ela conseguir na Justiça uma ordem para manter o marido afastado. Grimilda morreu de tumor cerebral aos 48 anos em 2012.
Ele trabalhou por 22 anos como motorista de ônibus escolar em Cleveland, entre fevereiro de 1991 e novembro de 2012, quando foi demitido por mau comportamento e por colocar em risco, com direção perigosa, as crianças que transportava.
No caminho à audiência, Castro disse a Michelle que sua cachorra estava com filhotes, questionando se ela não queria levar um filhote para seu filho, assim eles ficariam felizes. Ela aceitou e foi até a casa dele. Entrando, ele disse que a cachorra estava no segundo andar e, assim, golpeou Michelle, fazendo ela desmaiar. Quando acordou, estava amarrada com as pernas e braços presos, pendurada com um capacete na cabeça e uma meia na boca. Ela urinou nela mesma e ficou pendurada por horas, desmaiando e acordando várias vezes. Castro a deixou alguns dias no porão sujo, escuro e frio.

Foto do porão da casa.

Depois de alguns dias, ele a levou até o segundo andar da casa, a deixando acorrentada e abusando dela todos os dias. Ligava o rádio no volume máximo para que ninguém ouvisse seus gritos. Castro levava seus amigos e até mesmo seus filhos para a casa e nunca ninguém desconfiou de nada. Michelle raramente comia, muita das vezes se alimentava com lixo ou fast food quando ele dava para ela comer. Segundo um relato dela, uma vez ele levou um cachorro quente com mostarda, sendo ela alérgica à mostarda, e Michelle pensou que iria morrer, mas tomou alguns antibióticos que o próprio deu.
Quase nunca tomava banho, se tomava era 1 vez no mês e sendo ameaçada com uma arma. Os meses foram passando e, num dia que ele estava a estuprando, percebeu que saía leite de seus seios e que sua barriga estava um pouco grande. Enfurecido, ele pegou um supino e bateu contra sua barriga, forçando um aborto. Michelle nos 11 anos de cativeiro teve 5 abortos e foi muito espancada. Na maioria das vezes, ele dizia que não queria ter um filho com ela, porque ele a achava feia. Um dia, apanhou tanto e foi jogada escada abaixo, trancada no banheiro com ele dizendo que, se ela não tirasse o filho da barriga, ela iria morrer. Desta vez, ela estava grávida há um pouco mais de 3 meses, e disse que sentiu o feto cair no vaso sanitário. Ela o ajudava às vezes no quintal de peruca, óculos escuros e com roupas largas para os vizinhos não a reconhecerem. Tentou diversas vezes se suicidar, mas sempre pensava no seu filho, com a esperança de um dia sair de lá e reencontrá-lo.

Casa de Ariel Castro
Um dos quartos do cativeiro.
Correntes que era presa.

Após 1 ano do sequestro da Michelle, Castro sequestrou Amanda Berry, uma menina de 16 anos, no dia 21 de Abril de 2003. Ela trabalhava em uma rede de fast food, Burguer King, e estava indo embora, quando Castro ofereceu uma carona para levá-la embora, convencendo-a dizendo que seu filho também trabalhava no Burguer King.

Amanda Berry.

Amanda chegou aos gritos na casa, assim Michelle ouviu tudo, no quarto ao lado. Depois de alguns dias, Amanda viu Michelle e não acreditava no que estava acontecendo. Castro não deixava elas conversarem, então raramente elas se viam. Ele também as obrigou cortarem o cabelo bem curto, e a Amanda tinha um tratamento “privilegiado” de Castro, por ele acha-la mais bonita, e sempre batia mais na Michelle, ainda mais quando descobriu que a Michelle já tinha 21 anos e não era menor de idade, como ele queria. Amanda anotava quantos dias, vezes e como era estuprada por ele. Elas tinham uma tv no quarto que pegava alguns canais em preto e branco e um aquecedor que ele não ligava no inverno, então elas ficavam doentes e às vezes tentavam se cobrir com alguns panos sujos que encontravam no quarto.
Castro fazia questão de falar para as meninas que seriam libertadas no Natal, falava também que somente a família da Amanda estava a procurando e que a da Michelle não ligava se ela estava morta. Elas assistiam aos jornais falando do desaparecimento delas e Amanda chegou a sair em manchetes de jornais.

Mãe da Amanda, Louwana Miller, que por três anos ficou procurando sua filha desaparecida, até que morreu de insuficiência cardíaca em 2006.

Em 2 de Abril de 2004, Castro sequestrou a terceira garota, Georgina DeJesus, que na época tinha 14 anos. A última vez que foi vista, ela estava conversando em um telefone público com a ex-mulher de Castro, Grimilda Figueroa, perguntando se poderia dormir na casa de sua melhor amiga, filha de Castro e Grimilda. Mas a resposta foi negada, então cada uma foi para um lado. Nisso, Castro ofereceu uma carona para Gina, pois eles se conheciam.

Georgina DeJesus.

Gina era virgem na época, e Castro a estuprava sempre. Ela ficava acorrentada com a Michelle no mesmo quarto, às vezes estuprava uma e depois estuprava a outra, uma do lado da outra. Elas eram tão magras que tinham que dar mais de 1 volta nos seus pés e na barriga com a corrente.

Outro quarto do cativeiro.

As meninas eram procuradas por todos, ele fazia um “ritual” na data de aniversário do sequestro das meninas com bolo e as deixava assistir às vigílias que eram feitas para elas nas ruas e no bairro onde elas moravam. Até mesmo o Ariel Castro ia às vigílias, abraçava os familiares delas, perguntando se alguém desconfiava onde elas poderiam estar ou se estavam mortas. Ele se alimentava das dores delas, se elas choravam, aproveitava da situação para o abuso psicológico.

Um dos filhos de Ariel Castro, Anthony Castro, quando estudava Jornalismo em 2004, escreveu um artigo sobre os desaparecimentos de Berry e Gina para o jornal Plain Press e entrevistou a mãe de Gina. Três semanas antes da libertação das três jovens, Anthony contou que seu pai lhe perguntou se acreditava que Amanda Berry algum dia seria encontrada, ele respondeu ao pai que acreditava que ela já estivesse morta, ao que Ariel retrucou: “Mesmo? Você acha isso?”
O caso da Amanda chegou a aparecer no programa de televisão America’s Most Wanted, em 2004, e reprisado duas vezes, em 2005 e 2006, já mostrando também o desaparecimento de Georgina DeJesus, de 14 anos.

Anos se passaram e Amanda Berry engravidou, mas Castro não quis abortar, ele queria a criança. No dia 25 de dezembro de 2005, Berry deu à luz a uma menina no cativeiro, dentro de uma piscina de plástico, com a ajuda de Michelle e Castro, com uma arma ameaçando matar Michelle, se a criança morresse. Quando a filha da Amanda nasceu, cresceu e começou a falar, chamando as outras meninas de tias, perguntava para Castro por que elas andavam acorrentadas, por que não podiam sair da casa, e foi quando ele deixava, por alguns minutos, elas andarem livres pela casa, mas sempre as xingando, batendo e estuprando. Até que um dia, Michelle pegou a arma dele e atirou em Castro, mas estava descarregada. Então ele percebeu que não poderia deixá-la livre e a espancou na frente de todas.
No dia 6 de maio de 2013, Ariel Castro saiu de carro, deixando uma das portas da frente aberta, então a filha da Amanda avisou a mãe que a porta estava destrancada. Amanda correu até lá e tentou abri-la, mas a porta de fora estava trancada, sendo assim, só seu braço passava. Ela gritou pedindo ajuda, falando que estava presa com uma criança, até que um vizinho viu e pediu ajuda de outros vizinhos para quebrar a porta, tirando ela e a filha de lá. Amanda pediu um celular e ligou para a emergência.

Vizinho que ajudou Amanda.

Link da ligação da Amanda para a emergência, legendado:

Assim que a polícia chegou, Gina e Michelle ainda estavam presas na casa, no segundo andar. A polícia entrou procurando-as, que estavam agachadas escondidas, com medo. Todas foram libertas e levadas para o hospital.

Amanda Berry, irmã e sua filha do hospital.

Ariel Castro foi preso e confessou todos os crimes, dizendo que era um homem “viciado em sexo, impulsivo sexualmente e uma pessoa de sangue frio”, admitiu ser o pai da filha de Amanda Berry, disse também que os sequestros não foram planejados, “foi tudo por impulso”. O advogado de Castro, Craig Weintraub, afirmou que ele já estava relaxando um ano antes, para elas escaparem, pois não tinha coragem de se entregar para a polícia e nem coragem de matá-las, por conta da relação com a sua filha.
Existem vídeos com o FBI da relação que estava tendo dentro da casa com a Jocelyn, filha de Castro com Amanda. Natal, Páscoa, na caça aos ovos, parecendo uma família normal. Anthony Castro, um dos seus filhos declarou que, em suas visitas à casa, ela estava sempre trancada: “Várias áreas dela eram proibidas para mim, havia cadeados no porão, no sótão e na garagem.”

No dia 1 de agosto de 2013, seu julgamento aconteceu, sendo transmitido ao vivo na televisão e na internet. O juiz Michael Russo disse a Castro que não havia lugar para ele “nesta cidade, neste país e neste mundo”. A única vítima a depor como testemunhas das acusações foi a Michelle, e uma das falas dela ao Castro foi “meu inferno durou 11 anos, o seu está apenas começando”.

Ariel Castro no julgamento.

Ariel Castro foi condenado à prisão perpétua + 1000 anos de prisão pelo conjunto de crimes dos quais foi acusado (sequestro das três mulheres, estupro e também por homicídio agravado- por ter forçado uma delas a abortar). À cada meia hora, uma ronda na sua cela. Ele ficou longe de outros presos. Foi encontrado morto na sua cela, no dia 3 de setembro de 2013, após um mês de pena, suicidou-se com um lençol no pescoço amarrado em uma das dobradiças da janela, com as calças e a cueca abaixadas. Um relatório do Departamento de Reabilitação e Correção de Ohio sugere que Castro pode ter morrido de asfixia auto-erótica (quando a pessoa alcança satisfação sexual por meio de asfixia até a perda de consciência).





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