Richard Chase, o vampiro de Sacramento


Richard Trenton Chase nasceu em 23 de maio de 1951, e desde criança apresentou comportamentos estranhos. Era cruel com os animais e também desenvolveu piromania. Filho mais velho de um casamento conturbado, seu pai era extremamente severo e disciplinador e logo se divorciou de sua mulher. Morando apenas com a mãe, Richard rapidamente se envolveu com uso de drogas e sofria de dificuldades de ereção. Desenvolveu psicose provavelmente por indução e abuso das drogas, e mais tarde foi diagnosticado como esquizofrênico paranoico. Sofria também da rara Síndrome de Reinfield, ou vampirismo clínico. As vítimas dessa síndrome são obcecadas por beber sangue, animal ou humano. Essa compulsão também tem forte componente sexual associado.

Richard teve uma adolescência e um início de vida adulta bastante conturbada; fugas de hospitais psiquiátricos, acusações por porte de arma e drogas além de um longo registro de diagnósticos de doenças mentais. Mas foi entre dezembro de 1977 e janeiro de 1978 que
Richard cometeria uma série de crimes que marcaria a cidade de Sacramento, Califórnia para sempre.

Em 29 de dezembro de 1977, Ambrose Griffin, 51 anos, foi atingido por uma bala de arma calibre 22 disparada por alguém que estaria dentro de um carro em movimento. Foi socorrido, mas não sobreviveu. A polícia fez investigações na vizinhança, mas não conseguiram nada além de relatos de moradores sobre um carro suspeito que costumava rondar o bairro.

No outro dia, um garoto de 12 anos relatou à polícia que havia sido atacado por um homem que tinha em torno de 25 anos e cabelos castanhos, e dirigia um Pontiac Trans Am marrom. O homem havia atirado no garoto enquanto ele andava de bicicleta pelo bairro. Foram feitas sessões de hipnose para que o garoto pudesse se recordar da placa do carro, e a decisão foi certeira: a placa do carro era 219EEP. Porém tal descoberta não levou os investigadores a canto nenhum.

No dia 23 de janeiro de 1978, um casal chamou a polícia logo após notarem que sua casa havia sido invadida. Chegaram a tempo de ver alguém pulando uma janela ao fundo, mas não conseguiram ver ao certo a aparência do invasor. Estranhamente, não houve tentativa de roubo; o invasor entrara na casa, urinara em cima de uma pilha de roupas do bebê do casal e defecara em seu berço.

No mesmo dia e no mesmo bairro, David Wallin encontrou sua esposa, Teresa, morta de forma hedionda em sua casa. Ela tinha 22 anos e estava grávida de três meses. A vítima foi atingida por 3 tiros enquanto estava levando o lixo pra fora, e o agressor a arrastou até o quarto enquanto ela já estava morta. A polícia encontrou Teresa caída de costas com suas roupas levantadas, descobrindo os seios, e sua calça e calcinha abaixadas até o tornozelo. Ela estava com as pernas afastadas, indicando um ataque sexual. A vítima foi esfaqueada várias vezes nos pulmões, fígado, diafragma e seio esquerdo, onde seu mamilo fora arrancado. Seu torso estava completamente aberto e seu baço e intestino, para fora do corpo. Seus rins foram retirados e recolocados de forma grosseira e seu pâncreas estava cortado em duas partes. Em sua boca foram encontradas fezes de animais e havia anéis de sangue em volta de seu corpo, como se um balde sujo de sangue tivesse sido movimentado em volta da vítima. Também foi encontrado junto ao corpo um pote vazio de iogurte sujo de sangue.

Durante as investigações, menos de uma semana depois, outro caso chocou a região. A vizinha de Evelyn Miroth iria ficar de babá de seu filho quando a amiga saísse, mas notou uma demora incomum e resolveu procura-la em sua casa. Lá, encontrou caído no hall de entrada com um ferimento na cabeça o amigo de Evelyn, Dan Meredith. Evelyn estava em casa com seu filho Jason, de seis anos e com seu amigo, Dan, quando o agressor invadiu e disparou um tiro contra a cabeça de Dan, que morreu na hora. O corpo de Evelyn foi encontrado nu sobre a cama de seu quarto, com as pernas abertas, um ferimento de bala na cabeça e seu abdômen cortado, com todas as vísceras para fora. A vítima foi sodomizada, e o agressor também a esfaqueou várias vezes através do ânus até o útero, além de vários outros ferimentos em órgãos internos. Houve tentativa de arrancar-lhe um dos olhos, e havia vários cortes em seu pescoço. Assim como na cena do crime anterior, foram encontrados anéis de sangue no carpete do quarto onde o corpo de Evelyn estava. Do outro lado da cama, estava o corpo do seu filho, Jason, com dois ferimentos de bala na cabeça.

Enquanto a polícia realizava a investigação na cena do crime, chegou até a casa de Evelyn, sem ser esperada, Karen Ferreira desesperada procurando pelo seu bebê, Michael, de 1 ano e 10 meses, que estava passando o dia com a sua tia, Evelyn. Não foi encontrado nenhum rastro do bebê na casa, mas logo os investigadores encontraram um berço que continha muito sangue e um furo de bala no travesseiro. Mais tarde, a perícia encontraria partes do cérebro de Michael na banheira, onde o assassino começara a mutilá-lo, parando ao ouvir barulhos de pessoas chegando na casa. E foi quando fugiu com o corpo da criança.
A polícia de Sacramento, sem pistas concretas, foi obrigada a pedir a ajuda de dois profilers do FBI, Robert Ressler e Russ Vorpagel, que desenvolveram um perfil do criminoso em questão para ajudar os investigadores a encontrar o culpado mais rapidamente. O serial killer em questão foi definido como do tipo desorganizado, e também haviam pistas que indicavam a possibilidade de se tratar de alguém psicótico. O perfil apontava ser um homem, branco, por volta dos 25 anos de idade, que possivelmente morava na região. Os investigadores chegaram também à conclusão que o assassino era magro e subnutrido, após notarem os anéis de sangue e suporem que ele havia bebido o sangue de suas vítimas; pessoas que bebem sangue não possuem uma dieta saudável.

As investigações continuaram incansavelmente em cima do perfil criminal, buscando informações pela cidade e relatos que se encaixassem na descrição feita por Ressler e Vorpagel. A polícia ouviu relatos de várias testemunhas que já estavam familiarizadas com um homem estranho, magro e desgrenhado, que andava pelo bairro usando uma parca laranja imunda.
Usando as descrições dadas pela vizinhança, foi possível fazer um retrato falado que logo foi divulgado. No dia 28 de janeiro de 1978, Nancy Holden foi até a polícia e relatou conhecer o homem no retrato. Se tratava de seu antigo colega de escola, Richard Trenton Chase. A última vez que ela o vira havia sido há pouco tempo, num shopping que havia nas redondezas. Ele estava magro e usava a mesma parca laranja que a foto indicava. Ele também demonstrava um comportamento confuso e agitado. Com essas novas informações, os investigadores encontraram o registro e também o endereço do assassino.

Ao chegar no complexo de apartamentos onde Richard morava, os policiais bateram na porta, mas ninguém atendeu. Resolveram então ficar de tocaia, esperando o rapaz sair, o que não demorou muito a acontecer. Richard saiu de casa com uma caixa em suas mãos, ainda vestindo a parca laranja. Estava imundo, com manchas de sangue seco nas roupas e sapatos. A polícia logo o deteve, apreendendo seu calibre .22, também completamente sujo de sangue. Ao ser interrogado, Richard não admitiu nenhum assassinato, disse que só matava cachorros.
Enquanto estava sendo interrogado, uma equipe de investigação foi até a casa do assassino, afim de achar mais pistas sobre os assassinatos e também o corpo do bebê Michael, que ainda não havia sido encontrado. Ao chegar lá, a cena foi perturbadora. O cheiro pútrido era insuportável e o lugar era sinistro. Tudo estava manchado de sangue, inclusive pratos e copos. Havia restos de ossos e partes humanas na geladeira e por toda a cozinha. Três processadores estavam imundos de sangue. Também foram encontradas várias coleiras de animais, mas nenhum animal vivo, apenas suas carnes na geladeira. Um facão com restos de sangue de Michael Ferreira estava no escorredor de louça, mas ainda nenhum sinal do seu corpo. Foi encontrado mais tarde, em uma igreja. Ainda usava as roupas que usava no dia de sua morte. Sua cabeça se encontrava embaixo do torso, que estava parcialmente mumificado. Havia um buraco no meio de sua cabeça, indicando que havia morrido por um tiro de arma de fogo. Muitas de suas costelas haviam sido quebradas e vários cortes foram feitos em todo seu corpo.

O promotor do caso queria condenar Richard à pena de morte pelo assassinato de seis pessoas: Ambrose Griffin, Teresa Wallin, Dan Meredith, Evelyn Miroth, Jason Miroth e o bebê Michael. A defesa alegou inocência por insanidade, mas o promotor do caso, Ronald Tochterman, estava determinado a provar que Richard sabia muito bem o que estava fazendo, e que não matava compulsivamente. Depois de ser avaliado por vários psiquiatras, foi concluído que o réu matava pois acreditava que beber sangue era terapêutico. Para um dos psiquiatras, ele não era esquizofrênico, e sim portador de uma personalidade anti-social; de acordo com esse profissional, ele sabia muito bem o que estava fazendo.

Ao ser perguntado se era responsável pelos crimes, Richard afirmava que sim, mas que não achava que o que tinha feito era errado. Disse ter agido para salvar sua própria vida, pois precisava do sangue daquelas vítimas para repor o seu próprio; de acordo com ele, seu sangue precisava de reposição pois havia sido envenenado pela sua mãe à mando do Partido Nazista, já que ele era judeu. Afirmou que, devido a esse envenenamento, seu sangue estava virando areia e precisava de reposição. Disse também que seu sangue estava comprometido pois também foi mordido por um coelho contaminado por ácido de bateria. O promotor alegou que o réu teve escolha, pois encontraram várias evidências de que o acusado já se apresentava na casa da vítima com intenções de matar. Richard foi chamado para depor em sua própria defesa, onde descreveu em detalhes como foi maltratado toda sua vida. Admitiu ter bebido o sangue de Teresa, mas não se lembrava muito bem da segunda série de assassinatos. Lembrava-se vagamente apenas de ter decapitado um bebê e colocado sua cabeça em um balde, na esperança de obter seu sangue. Falou também que seus problemas vinham do fato que era incapaz de ter relações sexuais na adolescência e disse que sentia muito pelos assassinatos.

Em maio de 1979, Richard Chase foi julgado legalmente são e condenado à pena de morte. Richard seria executado na câmara de gás da Penitenciária de San Quentin. Porém, em 25 de dezembro de 1980, o assassino foi encontrado morto em sua cela. Richard havia se suicidado após juntar vários comprimidos para tratamento de depressão e alucinação que tomava todos os dias. Juntou uma grande quantidade deles e os ingeriu, morrendo de ingestão tóxica.

Em 1992, um filme chamado “Unspeakable” foi baseado nele como o modelo para o assassino da história. Robert Ressler também estudou profundamente a personalidade de Richard e escreveu um famoso livro sobre ele, “Whoever Fights Monsters”.

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