O Massacre do Carandiru


Dois de outubro de 1992, data em que o Pavilhão 9 da Casa de Detenção Carandiru foi o cenário de um dos episódios mais fortes e sangrentos da história penitenciária mundial. Quase 28 anos depois, o caso ainda é alvo de diversas controvérsias. Em um lado, o chefe da operação declara ter agido estritamente em vazão do seu dever. No outro, os representantes dos direitos humanos acreditam que houve a real intenção de exterminar os presos. Para eles, a justiça não foi feita. Conheça os detalhes da história que chocou o Brasil e o mundo!


Às 10:00 AM, enquanto, no pátio, acontece uma partida de futebol, dois detentos (Barba e Coelho), começam uma briga dentro do pavilhão. Em pouco tempo, os presos se dividem em dois grupos e a briga toma conta de todo o complexo.
14:00 PM, nesse momento a rebelião já está instaurada e todos os carcereiros deixaram o local. Há muito fogo dentro da casa de detenção, mas não há reinvindicações por parte dos encarcerados. O chefe do complexo, pede reforços da Policia Militar.
Às 15:30, cerca de 320 policias surgem no lado de fora do Pavilhão 9. Dentre eles, homens de batalhões de elite como Rota, Gate, 30 choque e Cavalaria e alguns bombeiros. Neste momento, Ismael Pedrosa, diretor do presídio, tenta o que seria uma última negociação. O caos se instaura dentro do pavilhão.
16:00, um grupo de direitos humanos alegam que os presos optam por dar um fim na rebelião, e que a maioria havia entregue as armas. Na versão da PM, eles dizem que as armas estavam sendo jogadas pela janela contra a policia


16:30, os policiais militares rompem a barricada e entram no pavilhão. O Coronel Ubiratan diz que, 86 homens tiveram participação na operação. Porém, a promotoria diz que eram mais de 300 indivíduos, a maioria sem os crachás para identificação.
Às 16:45 no térreo, a situação é contida. A defesa do Coronel alega que ele foi atingido por uma explosão em uma tentativa de subir para o décimo andar, e que fora levado para o hospital, ficando fora da operação.
16:50, enquanto isso, no primeiro andar, policiais encontram outra barricada, com um preso morto pendurado de cabeça para baixo. Ao todo, cerca de 26 homens foram assassinados neste andar, de acordo com a perícia.


17:00, segundo a versão dos policiais, diversos presos prepararam uma tocaia. Os PM’s teriam sido recebidos com facadas, estiletes sujos de sangue contaminado, sacos de fezes e urina, além de tiros. Portanto, todas as capsulas de armas de fogo foram atiradas para proteção. Para Ubiratan, se eles realmente tivessem a intenção de assassinar os presos, tantos outros também teriam morrido. “Só morreu quem entrou em confronto com a polícia”, declarou. Segundo a perícia, apenas vinte e seis mortos foram mortos fora da cela.

Na versão dos detentos, eles já haviam se rendido, estavam desarmados e dentro das celas. “As trajetórias dos projéteis disparados indicavam que o atirador estava posicionado na soleira da cela, mirando nos fundos ou laterais”, diz o laudo do Instituto de Criminalista. A perícia também tem concluído que, 70% dos tiros foram diretamente direcionados à cabeças e ao tórax, o que reforça a afirmação de que fora um extermínio. Para escapar com vida, os presos se juntaram aos companheiros mortos.
Às 17:30 a perícia não havia encontrado indícios de confronto no terceiro e quarto andar, o que reforça a teoria de que o enfrentamento entre a polícia e presos se deu nos pisos inferiores.
18:00, os PM’s ordenam que os presos tirem a roupa e desçam para o pátio interno. Os grupos de direitos humanos afirmam que muitos foram executados nesse momento.
19:00, os presos são selecionados para carregar os corpos dos outros detentos até o primeiro andar, onde as vítimas foram empilhadas alterando o cenário do episódio e dificultando as conclusões da perícia.

CONDENADOS: Essas são as autoridades que acabaram entrando para a história como principais personagens do massacre. Pedro Franco de Campos, ex secretário de segurança pública do estado, foi exonerado após o massacre. Ele não estava no local mas autorizou a invasão do pavilhão 9, desde que houvesse o consenso das autoridades presentes.

José Ismael Pedrosa, era diretor da Casa de Detenção. Após o episódio, fora afastado do cargo. Ele quem acionou a PM quando a rebelião foi deflagrada.

Coronel Ubiratan Guimarães, era comandante do policiamento metropolitano da Policia Militar e chefiou a invasão. Foi julgado e condenado, porém aguarda em liberdade seu pedido de reclusão. Foi eleito deputado estadual, no ano de 2002.

O massacre em numerais: 8 presos mortos (isso foi o que a polícia divulgou no dia).

111 presos mortos (número oficial).

103 vítimas de disparos.

8 vítimas de objetos cortantes.

0 policiais mortos.

130 detentos feridos.

23 policiais feridos.

515 tiros disparados.

120 policiais indiciados.

86 policiais julgados.

1 policial condenados.

632 anos de prisão foi a sentença.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: