O caso Dandara

Dandara nasceu em 1972, em Fortaleza. Até seus 18 anos se identificava como homossexual, idade na qual se assumiu como travesti, passando a se chamar Dandara Kettley, também conhecida como Dandara dos Santos.

Dandara foi para São Paulo, e por conta da prostituição contraiu HIV. Entretanto, decidiu voltar para Fortaleza, onde era querida por todos. No dia 15 de fevereiro de 2017, aos 42 anos, ela pegou carona em uma motocicleta com um homem, na intenção de ter relações sexuais.

Ela foi levada ao encontro de outros homens, onde foi obrigada a sentar no chão e ali fora torturada com gritos, ofensas, pauladas, chutes, chineladas e pedradas. Ocorreu muita violência, e ela implorava para parar de apanhar, pois já estava bastante ensanguentada.

Tudo isso aconteceu em uma rua residencial, cheia de casas, e em plena luz do dia. Por fim, depois de tanta violência, os agressores a mandaram subir em um carrinho de mão, o que não foi possível devido ao seu estado, momento no qual ela foi lançada no carrinho.

Foi levada à uma viela no fim da rua, onde foi morta com dois tiros no rosto e uma forte pedrada na cabeça, sofrendo traumatismo craniano. O caso só ficou conhecido 2 semanas depois, quando 2 vídeos foram divulgados na internet pelos agressores, mostrando tudo o que aconteceu.

Toda essa crueldade foi presenciada por moradores da região, que depois em reportagens, relatam que não puderam impedir o crime relatando o ocorrido para a polícia, entretanto sem uma resposta rápida. O suposto motivo do crime seria uma falsa acusação de que Dandara roubava.

″Meu filho morreu por transfobia e também por negligência da polícia. O pior marginal não merece morrer desse jeito”. “Minha maior dor é que ele chamou por mim. Enquanto apanhava, ele dizia: ‘Eu quero minha mãe. Cadê a minha mãe?’ E eu não estava lá” disse mãe de Dandara.

Dandara sofreu por aqueles que a torturavam e lhe batiam, mas também pelos espectadores que agiram por omissão diante do ocorrido; e pelo Estado que até para lhe socorrer foi ineficiente. Ninguém foi capaz de responder ao clamor por ajuda de Dandara.

Doze pessoas foram acusadas, sendo quatro menores de idade. O menores estão cumprindo medidas socioeducativas. Na foto, os oito adultos condenados pela agressão e assassinato de Dandara e também suas respectivas penas.

Após o assassinato de Dandara,
a Fiocruz criou um aplicativo chamado Dandarah que mapeia áreas consideradas perigosas para LGBTs. O objetivo é diminuir esses ataques. Ele tem um botão de pânico que envia uma mensagem automática de socorro para 5 contatos de confiança cadastrados pela vítima.

Em 2019, uma escultura de asas de borboleta batizada de “Dandara”, foi exposta em Nova York e depois em Miami onde ficará permanentemente. Obra do artista Rubem Robierb que disse ser para representar a ideia de tolerância, e de que as pessoas devem acreditar em seus sonhos.

INDICAÇÕES:
Curta-metragem “Dandara” de 14min, com direção e roteiro de Flávia Ayer e Fred Bottrel. Traz depoimentos de familiares e amigos.
Livro: O Casulo Dandara, biografia escrita pela amiga de infância de Dandara e também inspetora da Polícia Civil que investigou o crime.


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