O caso Ana Lídia, que marcou Brasília e continua impune há mais de 40 anos

Ana Lídia Braga era a caçula de 7 anos entre os três filhos de uma família classe média tradicional. Enfim, a menina loira com olhos azuis, que vivia na Asa Norte da mais nova capital do país, foi protagonista de um caso misterioso e impune até os dias atuais.

No dia 11 de setembro de 1973, terça-feira, por volta das 14h, Ana Lídia foi deixada pelos seus familiares na porta do Colégio Madre Carmen Salles, contudo, ela nem ao menos chegou a entrar na sala de aula. Infelizmente, seu desaparecimento só veio à tona no fim da tarde, quando a empregada da família foi busca-la no colégio.

Então, o jardineiro dos arredores do colégio confirmou que viu a menina conversar com um jovem e saírem juntos por um portão lateral. Durante o testemunho aos policiais, ele chegou a apontar para o irmão de Ana Lídia, Álvaro Henrique, com 18 anos na época, ao se referir ao estereótipo do suspeito.

Álvaro Henrique.

Outra testemunha afirmou que viu Ana Lídia com um rapaz de características diferentes daquelas já dito. Além disso, um garotinho declarou que percebeu quando Ana Lídia entrou acompanhada por alguém do sexo masculino, em um carro.

Na noite desse mesmo dia, às 20h, o delegado José Ribamar Morais recebeu uma ligação do suposto sequestrador, que pediu 2 milhões de cruzeiros em troca da vida da menina. Relata-se, ainda, que a criança foi colocada na linha.

Apenas no dia seguinte foi encontrada uma carta manuscrita no Supermercado SAB (próximo ao condomínio que a família morava) destinada ao pai da menina, informando que 500.000 mil cruzeiros deveria ser deixado na Ponte do Braghetto até sexta-feira.

Todavia, surpreendentemente, objetos da menina foram encontrados na margem de um matagal nas redondezas da Universidade de Brasília (UnB). Logo, a Polícia Civil começou uma busca minuciosa pelo terreno. Assim, seu corpo nu, completo por lesões, foi encontrado em uma cova rasa.

No local, marcado por pneus de motocicleta, foram encontrados dois preservativos e pedaços de papel higiênico. Conseguinte, a causa de sua morte foi apresentada, pelos legistas, como asfixia por compressão torácica ou obstrução das vias aéreas, ainda, revelou-se que as relações sexuais foram praticadas com o cadáver.

Portanto, no dia 13 de setembro de 1973 Ana Lídia Braga foi enterrada no cemitério Campo da Esperança. Atualmente, seu túmulo ainda recebe, diariamente, inúmeras visitas.

A polícia seguiu a linha investigativa que suspeitava de Álvaro, irmão da menina, e de um conhecido da família, Raimundo Lacerda Duque. Acreditava-se que os dois haviam planejado o sequestro da menina para conseguir dinheiro e, então, pagar uma dívida com o tráfico de drogas.

Imediatamente, quando soube que era considerado suspeito, Duque arrumou documentos falsos e ficou foragido por cinco meses. Uma denúncia anônima levou a sua captura em Conceição do Araguaia (GO), posteriormente, ele negou qualquer envolvimento com o rapto e a morte de Ana Lídia.

De fato, Alfredo Buzaid Júnior, conhecido como “Buzaidinho”, filho do Ministro da Justiça na época, e Eduardo Eurico Rezende, o “Rezendinho”, filho de Senador, estariam envolvidos. Especificamente, teriam recebido a menina, já que comandavam o tráfico em Brasília.

Obviamente, não demorou muito para o caso ser abafado: “De ordem superior, fica terminantemente proibida à divulgação através dos meios de comunicação social escrito, falado, televisado, comentários, transcrição, referências e outras matérias sobre caso Ana Lídia e Rosana” — Polícia Federal.

Tanto os exames periciais quanto uma profunda investigação foram negligenciados. Portanto, a afirmação de que seu irmão estaria no carro com a família não foi confirmada, não houve exame grafotécnico ou datiloscópico da carta, nem mesmo comparação das marcas de pneus com a moto de Álvaro e os materiais genéticos encontrados nunca foram confrontados com os suspeitos.

Alguns meses depois, uma nova testemunha, usuária de droga, apareceu alegando que, em conversa com Álvaro, o suspeito teria relatado que pagou um alto preço entrando nessa vida, a morte de sua irmã. A moça chegou a voltar atrás e pronunciar que inventou tudo. Porém, em entrevista, afirmou que desmentiu a história por pressão de políticos influentes.

O Ministério Público entrou com pedido para investigar o tráfico de drogas em Brasília, contudo, o Ministério da Justiça não aprovou. Por fim, foi decretada a prisão preventiva de Duque e Álvaro, que, infelizmente, foram absolvidos por falta de provas.

Lamentavelmente, no dia 11 de setembro de 1993 o crime foi prescrevido sem apontar nenhum culpado. Atualmente, apenas o irmão da menina, Álvaro Henrique Braga, está vivo.


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