A origem do termo “serial killer”


Você já se perguntou sobre a origem do termo “serial killer”? Muito se ouve falar em livros, séries e documentários, mas a expressão não é tão antiga quanto pensamos. O mais importante a ser constatado é: não há unanimidade quanto à origem do termo, mas a maioria das fontes creditam ao agente especial do Federal Bureau of Investigation (FBI), Robert Ressler, no começo dos anos 1970.

Robert Ressler e John Douglas posando juntos com Ed Kemper

Para entender melhor sobre o assunto, deve-se voltar à criação da Unidade de Ciência Comportamental (UCC) do FBI, especializada em traçar perfis psicológicos criminais. Um de seus principais objetivos era o de identificar possíveis assassinatos que tinham o mesmo modus operandi – expressão em latim que significa “modo de operação” – ou seja, a forma com que os assassinos usavam para matar suas vítimas. A UCC do FBI foi planejada e criada em 1972, chefiada por Patrick Mullany e Howard Teten. Nomes hoje conhecidos da psicologia criminal como John E. Douglas (autor do livro Mindhunter: O Primeiro Caçador de Serial Killers Americano, e que serviu como base para o personagem Holden Ford, da série de mesmo nome) e Robert Ressler (usado como inspiração para o personagem Bill Tench, também de Mindhunter) também fizeram parte da Unidade. Eles foram os precursores do criminal profiling (perfilamento criminal, em tradução livre), técnica utilizada para analisar o perfil físico e comportamental dos assassinos em série.

No fim da década de 1960 e início de 1970, muitos serial killers como Charles Manson, Edmund Kemper, Ted Bundy e John Wayne Gacy (Palhaço Assassino) estavam fazendo suas vítimas. A Unidade de Ciência Comportamental do FBI – também chamada de Caçadores de Mentes – trabalhava a todo vapor para conseguir identificar padrões estabelecidos nos assassinatos mais brutais dos Estados Unidos. O que dificultava o trabalho da Divisão era que, até então, a expressão “serial killers” não tinha sido inventada ainda. Em grande parte do século XX, o que conhecemos hoje como assassinato em série, era denominado pelas autoridades policiais como homicídio em massa e não tinha grande destaque pelos delegados de polícia.

A maioria das fontes existentes identifica o agente especial do FBI, Robert Ressler, como o criador do termo “serial killer”. Em sua autobiografia, publicada em 1992, Ressler conta que no início da década de 1970, enquanto participava de uma conferência na academia britânica de polícia, ouviu um colega comentar “crimes em série” no sentido de uma série de estupros, roubos, incêndios criminosos ou assassinatos. Ele achou a expressão tão interessante para fazer alusão a esses crimes que, ao retornar à Quântico, começou a usar a expressão “serial killer” nas palestras que dava para poder descrever um “comportamento homicida daqueles que praticam um assassinato, depois outro e mais outro de forma bastante repetitiva”. Essa é a versão de Ressler sobre os fatos.

Não há unanimidade quanto à criação do termo por Ressler justamente porque há registros de 1961 – mais de 10 anos antes de Robert Ressler ter supostamente inventado a alcunha – utilizando a expressão “homicida em série”. O termo já estava tão popular fora dos Estados Unidos que o escritor britânico John Brophy o utilizou diversas vezes em seu livro The Meaning of Murder (O Significado do Assassinato). Abaixo um trecho de seu livro que contém a expressão:

Jack, o Estripador, que nunca foi identificado e tornou-se o mais famoso de todos os homicidas em série, não condizia com o arquétipo esperado. O típico assassino em série mata com frequência demais e é pego.

O livro Serial Killers: Anatomia do Mal, da editora DarkSide Books relata que “é possível que, durante sua visita à Inglaterra (onde o livro de Brophy foi originalmente publicado), Ressler tenha incorporado o termo, talvez de forma subliminar. Para dar crédito a quem merece, evidentemente foi Ressler quem alterou a expressão “homicida em série” (serial murder) para a ligeiramente mais incisiva “assassino em série” (serial killer)”. Deve-se levar em consideração, porém, que Ressler, independentemente de ser creditado de forma oficial ou não como o criador da expressão, ele foi peça fundamental para que o termo seja hoje conhecido mundialmente.

Uso da expressão no Brasil

No Brasil, o termo “serial killer” começou a ser utilizado no fim da década de 1990, mas a polícia brasileira sempre investigou casos de serial killer há décadas, só não usava o termo específico, assim como nos Estados Unidos. O psicólogo forense Leonardo Faria, que foi convocado a participar da investigação do caso do serial killer de Goiânia – um dos mais conhecidos do Brasil -, e ajudou a desvendar a assinatura criminológica do assassino, conta que utilizou de técnicas e ferramentas da análise comportamental para verificar os dados da investigação, e assim, traçar um possível perfil criminal do acusado. Ele conta a partir de quais casos a expressão “serial killer” começou a ser usada em território nacional.

Não temos ao certo uma temporalidade exata de quando começou a ser propagada. Mas, a partir do caso do Francisco de Assis Pereira também conhecido como Maníaco do Parque, este termo começou a ser mais divulgado. Também não podemos nos esquecer do Francisco das Chagas Rodrigues de Brito, que matou várias crianças no Estado do Pará e do Maranhão. Em 2004, o caso foi elucidado e um perito da polícia civil do Maranhão analisou o caso e conseguiu concluir que tratava de um serial killer.

Psicologia forense x serial killers

Leonardo aponta ainda que a polícia brasileira está se especializando cada vez mais para lidar com casos de serial killers, ao ministrarem cursos de aperfeiçoamento nas academias de polícia. Ele destaca que todo o conteúdo para os cursos é produzido por profissionais gabaritados.

Tais cursos são lecionados por psicólogos forenses que têm experiência em área criminal. Alguns destes psicólogos são servidores públicos da área da segurança pública, e outros são docentes universitários que trabalham com pesquisa em psicologia forense e psicologia investigativa. Neste caso, estes pesquisadores são chamados pela polícia para poder dar uma consultoria em casos que têm como acusado um serial killer.

Faria listou métodos e procedimentos utilizados por psicólogos forenses para auxiliar a polícia na investigação de casos de serial killers, e afirma que tais técnicas e teorias são corroboradas com o que a ciência psicológica estuda acerca do processo psíquico e comportamento humano.

As ferramentas e técnicas utilizadas são baseadas em Técnicas de Entrevista com Testemunha e Suspeito; Análise de estatísticas criminais com relação a casos semelhantes; Análise de Evidências Comportamentais em cena de crime; Técnica de autópsia psicológica; Análise de laudos periciais de local de crime e laudos cadavéricos, assim como a aplicação da Geografia criminal para verificar a possibilidade de tal acusado residir ou trabalhar próximo a cena do crime.

Definições

Quando o termo “serial killer” foi inventado, houve várias divergências entre especialistas acerca da correta definição. O FBI enfatiza três elementos principais para tipificar assassinatos realizados por serial killers, são eles: quantidade, lugar e tempo. A problemática por trás desta definição é que ela é ampla demais e pode enquadrar assassinos de aluguel, por exemplo, que não são considerados assassinos em série. Ela também especifica que os assassinatos devem ocorrer em locais diferentes, porém, John Wayne Gacy – um dos serial killers mais conhecidos dos Estados Unidos – matava e enterrava suas vítimas embaixo de sua própria casa, sendo assim, não seria acusado de ser serial killer de acordo com a definição do FBI:

A pedido da equipe, o psicólogo forense Leonardo Faria gravou um vídeo explicando quais os critérios para se caracterizar um serial killer e sobre a assinatura do crime, que geralmente é deixada pelos assassinos e que são usadas pelos peritos para ajudar a traçar um perfil criminoso do assassino em série.

A definição proposta pelo FBI deixa de fora um aspecto essencial encontrado nos casos de serial killers: um forte componente de sexualidade depravada. Especialistas destacam que na maioria dos casos as motivações sexuais impulsionam os crimes cometidos pelos serial killers. O livro Serial Killers: Anatomia do Mal aponta que o assassinato em série, nesses casos específicos, é como um “ato praticado por depravados ultraviolentos, que obtém prazer ao submeter suas vítimas a dores extremas e que continuarão a cometer suas atrocidades até que sejam detidos”. A definição mais bem aceita por autoridades no assunto é a que foi formulada pelo Instituto Nacional de Justiça dos Estados Unidos, que adicionou o comportamento sádico e sexual como uma das motivações do assassinato e alterou os demais elementos para melhor compreensão do termo. Acesse aqui o artigo produzido pela “Psychology Today” com base na definição do INJ. Abaixo, a tradução do significado:

Uma série de dois ou mais assassinatos cometidos como eventos separados, geralmente, mas nem sempre, por um criminoso atuando sozinho. Os crimes podem ocorrer durante um período de tempo que varia de horas a anos. Muitas vezes o motivo é o psicológico e o comportamento do criminoso, e as provas observadas nas cenas dos crimes refletem nuanças sádicas e sexuais.

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