Mary Bell: A garotinha que se tornou assassina aos 10 anos de idade.

Mary Flora Bell nasceu no dia 26 de maio de 1957, em Newcastle, Reino Unido. Betty McCrickett tinha 17 anos e era garota de programa quando deu à luz a Bell.

Ainda no dia do seu nascimento, o médico levou a bebê recém-nascida para os braços da mãe, que foi recebida com “tirem essa coisa daqui, e tirem ela agora”.

Em seus primeiros anos de vida, Betty também tentou dar Marry para parentes, vizinhos e até pessoas aleatórias da rua, chegando até a oferecer dinheiro. As pessoas, obviamente, não aceitaram.

Após 10 meses de seu nascimento, sua mãe casou-se com um homen chamado Billy Bell. Porém apenas 9 anos depois, Mary foi registada novamente no cartório como Mary Bell.

Pouco depois de completar 1 ano, Mary foi levada às pressas para o hospital por sua avó, com quem morava junto da sua mãe, após ter engolido uma grande quantidade de pílulas que estavam em um gramofone.

Imagem ilustrativa de um Gramfone.

Mesmo que Mary fosse uma criança e pudesse pensar que as pílulas fossem balas, muitas pessoas desconfiam que foi sua mãe, Betty, a dar as pílulas à garota. Elas tinham um gosto amargo e estavam em um local onde uma criança não conseguiria alcançar.

Por quatro anos, Bell era submetida a estupros forçados pela sua mãe, que vendia seu corpo, cobrando uma quantia a mais aos clientes. Apenas em 1995 a Mary Bell teria contado à autora do livro “Porque Crianças Matam” sobre isso.

Sua mãe chegou a ter mais um filho. Anos depois, uma tia de Marry, Katty, a viu com seu irmão comendo doces que ela havia trazido. Em meio das balas, a tia das crianças percebeu que não havia comprado um tipo de “bala” que estava jundo aos doces.

Percebeu que eram anfetaminas. Ao reclamar com a mãe deles, Betty insistiu em dizer que havia guardado em sua bolsa. Katty fez com que as crianças bebessem água com sal até vomitarem as drogas.

Em outra ocasião, Mary comeu uma quantidade de suplementos de ferro. Sua mãe alegou uma vez mais que a filha havia tomado sem que ela visse, mas um dos amigos de Mary viu quando a mãe deu as pílulas para Bell, dizendo ser doces.

Mary Bell cresceu como uma criança problemática, maltratava animais e espancava bonecas. Na escola, brincava com outras crianças de estrangulamento. Também atingiu um tio com um brinquedo, quebrando seu nariz.

Quando Bell urinava na cama, sua mãe esfregava seu rosto no lençol molhado e o pendurava na janela para que os vizinhos vissem, envergonhando publicamente a garota.

Betty, na intenção de se livrar da filha, a levou para uma instituição de adoção. Por sua pouca idade, rapidamente foi adotada por uma nova família, mas após sua tia, Izzy, a encontrar, fez com que a garota voltasse para a sua mãe.

Seu padrasto, Billy, traficava drogas, mas era o único com quem ela se dava bem e a ajudou a montar sua personalidade, dizendo coisas sobre a polícia, como se ela fosse sua pior inimiga e que a pior coisa que ela poderia fazer seria matar um policial.

Os crimes de Mary Bel.

No dia 25 de maio de 1968, o corpo de Martin Brown, de 4 anos, fora encontrado por três garotos que procuravam lenha nas casas abandonadas, em um quarto nos fundos de uma delas.

Ele estava deitado de barriga para cima, com sangue que saía de sua boca junto à saliva, ao lado de vidros vazios de remédios, o que fez com que os polícias achassem que fosse uma morte acidental.

Dois meses após, Brian Howe, de três anos, foi estrangulado e mutilado com algum objeto pontiagudo. A letra N, com uma pequena linha invisível puxando para o M, tinha sido marcada na barriga da vítima. Foi a partir dessas evidências que as suspeitas foram para as duas meninas.

Norma Bell, dois anos mais velha que Mary, era sua melhor amiga, tinham muita coisa em comum, como o ódio pelo ambiente que viviam e a vontade de fugir. Elas invadiram uma creche local e a vandalizaram. Nos escombros, a polícia encontrou quatro bilhetes com letras infantis.

Um dos bilhetes diziam:

We did murder Martain brown Fuck of you Bastard (nós fizemos assassinato, Martain brown. Vão-se foder, bastardo).

No funeral de Brian, o inspetor, James Dobson, ficou observando Mary Bell. Segundo ele, a garota ria e esfregava as mãos enquanto o caixão era levado ao túmulo. Foi quando teve noção que precisava pará-la, se não ela iria fazer aquilo novamente.

Após ser detida, já na delegacia, Mary e Norma acusaram-se uma à outra do homicídio de Brian. As duas acabaram indo a tribunal. Podia ver-se claramente que as duas crianças não tinham noção da gravidade dos seus crimes.

Durante todo o julgamento, a família de Norma chorava atrás de sua cadeira, desesperados. A família defendia que a garota fora influenciada por Mary durante todo o tempo e que ela nunca faria aquilo sem ser mandada.

Enquanto isso, a família de Mary Bell não demontrava nenhum sentimento pela garota, apenas o seu padrasto parecia extremamente cansado e desapontado. Sua mãe do nada começava a gritar e a dar soluços altos, e era tirada da sessão.

Ela também tentou vender a história de vida da sua filha para o jornal “The Sun”, porém eles recusaram.

A mídia apontava aquela garota de 11 anos como a “semente do mal”, a “anti-cristo” e, então, a culpa caía toda sobre ela. Mesmo que Norma tenha admitido ter escrevido o bilhete na creche junta a Bell e o N encontrado na Barriga de Brian.

Também durante os dias de julgamento, Mary sequer chorou ou demonstrou que sabia o que estava acontecendo. Muitas vezes perguntou se seria enforcada ou se voltaria para casa, pois uma maior preocupação era ter que ficar novamente perto de sua família. Ela disse, uma vez, a um policial que se ela voltasse para casa, sua mãe a espancaria até ela dormir um pouco mais. Ao ser perguntada sobre o que seria isso, ela disse que se referia à morte.

Para a mente infantil de Mary, a morte não era permanente. Prova disso foi quando ela decidiu ir à casa de Martin e perguntou a sua mãe se poderia falar com ele, mesmo que dias atrás ela já o teria matado.

O que fez ela achar que a morte não é permanente, foi o falecimento do seu cachorro, que o padrasto substituiu por um idêntico no dia seguinte. Após nove dias de julgamento, Norma foi absolvida e Mary condenada à prisão perpétua. Especialistas a diagnosticaram como uma psicopata ardilosa e sem remorsos.

De 1969 a 1973, Mary Bell ficou em uma instituição chamada “Red Bank”. O proprietário da instituição, segundo Mary, foi a pessoa que ela mais amou em sua vida e ele acreditava fielmente que mentes perturbadas poderiam ser curadas com amor.

Após anos, ele perdeu a batalha para o júri, deixando Mary Bell ser levada para uma prisão. Após horas chorando, depois de descobrir que seria transferida, ela pediu para uma das enfermeiras avisar a prisão que ela fazia “xixi” na cama.

O cumprimento de sua pena, de 1973 a 1980, na prisão “HPM Styal Prison”, foi marcado por fugas, relatos de abusos sexuais, isolamentos, choques e todo tipo de tortura já vista.

Em 1984 recebeu liberdade condicional, Mary conta que teve medo e euforia ao mesmo tempo. A mídia ficou muito em cima dela e ela tinha pavor do que as famílias das vítimas lhe poderiam fazer.

Mary trocou de identidade, engravidou e teve uma filha. Foi expulsa das cidades em que tentava viver ao tomarem conhecimento de sua verdadeira identidade. Mary Bell está bem e viva até hoje, está casada com um homem que diz realmente entendê-la e é feliz.

Recomendações:

“Porque Crianças Matam” – Gitta Sereny.
“Gritos no Vazio” – Gitta Sereny.


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