A biografia de Charlie Manson


Charles Milles Manson nasceu em 12 de novembro de 1934 em Cincinatti. Sua mãe, Kathleen Maddox o teve com apenas 15 anos e Charlie nunca chegou a conhecer seu pai biológico, Colonel Scott. O sobrenome “Manson” foi adotado após Kathleen se casar brevemente com William Manson.

Infância e adolescência de Manson

Os problemas começaram muito antes de Charlie nascer. Desde pequena, sua mãe nunca se deu bem com os pais, que eram muito religiosos. Por causa disso, ela saía muito para bares e, em uma das saídas conheceu o pai de Manson, que nunca quis registrar o filho em seu nome.

Kathleen Maddox, mãe de Charles Manson

Sobre o nascimento de Charlie Manson, o que poucos sabem é que Kathleen escreveu “No Name Maddox” na certidão de nascimento do bebê, já que foi uma gravidez indesejada e ela não nutria sentimentos pelo próprio filho. Devido a isso, ele ficou sem nome por um tempo. Durante toda a sua vida, Charlie foi rejeitado pela própria mãe. Ela, inclusive, tentou vendê-lo por um copo de cerveja, e chegou a deixar o bebê no bar, mas foi resgatado pelo tio. Em outro momento, Kathleen foi presa ao aplicar um golpe e Charlie teve que morar com sua tia.

Após sair da prisão, Kathleen percebeu que não tinha condições de criá-lo e o mandou para um reformatório com a promessa de que o pegaria de volta depois, o que não aconteceu. Cansado de esperar, ele foge e volta pra casa, sendo rejeitado novamente por ela. Após o episódio eles nunca mais moraram juntos e Charlie Manson iniciou a vida no crime, roubando e aplicando golpes pra sobreviver. Após ser pego pela polícia e por ser menor de idade foi encaminhado a um centro de detenção juvenil, onde foi estuprado e espancado diversas vezes.

Foto tirada no 1º dia de um centro de detenção juvenil

Durante toda a sua adolescência, Manson cometeu vários roubos e sempre fugia dos reformatórios. Em uma certa idade, ele começou a abusar sexualmente de outros meninos, até que finalmente foi encaminhado para o Reformatório Federal de Ohio, em 1952.

Charles permanece no crime

Por ter passado por muitas instituições corretivas, Manson não teve acesso à educação de qualidade, e só foi se alfabetizar mais velho. Aos 19 anos, morando já com seus tios, Charlie conheceu sua primeira esposa, Rosalie Willis, com quem se mudou para Los Angeles.

Casamento com sua primeira esposa Rosalie Willis

Ele continuou roubando e aplicando golpes até que foi preso por três anos. Nesse período nasceu seu 1º filho Charles Manson Jr. e logo após sua esposa pediu divórcio por não aguentar esse estilo de vida. Nos anos seguintes a história se repetia e ele foi preso mais algumas vezes. Durante o tempo na prisão, Charlie aprendeu a tocar violão e se especializar na arte de manipular pessoas, um dos principais livros que o ajudou foi “Como ganhar amigos e influenciar pessoas”, de 1936, escrito pelo autor Dale Carnegie.

Charlie Manson também escreveu dezenas de músicas, que futuramente foram regravadas por diversos cantores e bandas famosas. A obsessão pela música o fez acompanhar de perto os Beatles e a pensar que seria mais famoso que eles um dia, se tivesse a oportunidade.

A seita “Família Manson” é fundada

Solto em 1966, Manson começa a recrutar seguidores para sua seita chamada “Família Manson”. O perfil que ele procurava era o de jovens mulheres que não se davam bem com a família e com o psicológico fraco, por ser mais fácil de manipulá-las, na visão dele.

A primeira seguidora de Manson foi Mary Brunner (que mais tarde viria a ter um filho com Charlie), que deixou toda sua vida para trás a fim de ajudá-lo a recrutar mais pessoas. Após ela, Lynette Fromme se juntou à dupla em San Francisco.

Ainda na Califórnia, eles começaram a ganhar cada vez mais visibilidade devido à oratória de Manson e suas loucas profecias, mas também ao abuso de drogas, principalmente ao distribuir LSD às pessoas, momento que ele aproveitava para instigar os futuros pretendentes a se juntarem à Família. A maioria dos seguidores eram meninas, apelidadas por Charlie de “Manson Girls”, mas alguns homens também foram aceitos na Família. Com a seita já consolidada, Manson começa a falar que a música “Helter Skelter” do “Álbum Branco” dos Beatles, de 1968, era sobre guerra racial. Ele inventou a teoria de que uma guerra entre negros e brancos estava para acontecer e que os negros levariam a melhor, mas que não saberiam governar após a guerra. Com isso, a Família Manson teria que se refugiar em um deserto durante o combate e voltar para Manson triunfar.

Após a data definida por Charlie chegar e nada acontecer ele quis “ensinar” aos negros o que fazer. Isso aconteceu no final dos anos 60, data em que foi criado o Partido dos Panteras Negras, um movimento que defendia a resistência armada nos bairros negros contra a perseguição policial. A seita foi se tornando conhecida entre os jovens e ficando cada vez maior, a ponto deles se mudarem para um rancho em troca de favores sexuais de uma de suas seguidoras ao dono. Após se estabelecerem, Charlie Manson percebeu que estava na hora de iniciar a guerra racial nos EUA.

A seita era composta em sua maioria por jovens mulheres

O caso Tate-LaBianca

Os assassinatos mais conhecidos da seita Manson começaram na madrugada de 9 de agosto de 1969, com o famoso caso Tate-LaBianca. Quatro integrantes da Família Manson (Tex Watson, Susan Atkins, Linda Kasabian e Patricia Krenwinkel) foram mandados por Charlie para o endereço 10050 Cielo Drive.

Entrada da casa de Sharon Tate e Roman Polanski

O motivo do local escolhido ser a Cielo Drive é porque Charlie guardava rancor de Terry Melcher, um famoso produtor de discos da época, que recusou assinar um contrato com ele após ter ficado interessado nas músicas quando Manson fez uma apresentação particular na casa de Terry. Após um episódio em que Manson destratou um dublê que vivia no rancho em que morava com a seita, Terry Melcher se afastou dele e não houve gravação de nenhum disco. Pouco tempo depois, Melcher saiu da casa, localizada na 10050 Cielo Drive. Logo após, o dono do imóvel alugou a casa para o casal Roman Polanski, famoso diretor de filmes e Sharon Tate, atriz de Hollywood e que estava grávida de oito meses. Eles se mudaram para o endereço em 15 de fevereiro de 1969, cerca de cinco meses antes dos assassinatos.

Tate estava grávida de 8 meses na época do crime

Na madrugada dos homicídios, Polanski estava na Europa dirigindo um filme e Sharon Tate estava em casa com mais 3 amigos (Jay Sebring, Abigail Folger e Wojciech Frykowski), o caseiro estava na construção menor, longe da casa principal com o amigo Steven Parent, de apenas 18 anos. Enquanto Sharon e os amigos jantavam fora, os 4 seguidores de Manson cortaram os fios de telefone da casa para ninguém ligar para a polícia. Assim que Sharon chegou em casa, foram surpreendidos pelos assassinos, que mataram um a um os amigos dela com tiros e facadas. Ela foi deixada por último e implorou pela sua vida e de seu bebê, que estava prestes a nascer, mas não foram poupados. Com o sangue das vítimas os assassinos escreveram Pig (porco em inglês, e nome usado por negros ao se referirem a policiais) na porta de entrada da casa. Eles tinham a intenção de acusar os Panteras Negras pelo assassinato da Cielo Drive, e com isso, incitar a guerra racial que Manson havia dito. Ao sair de casa, Steven Parent se deparou com os seguidores de Manson, que o mataram a tiros, ali mesmo.

Já no dia seguinte, a Família Manson matou novas vítimas. Leno e Rosemary LaBianca foram esfaqueados e mutilados, e após o assassinato eles escreveram com o sangue das vítimas na parede as palavras “Helter Skelter”, “Death to Pigs” e “Rise”. Esse foi o famoso caso Tate-LaBianca.

As frases foram escritas com sangue das vítimas

Julgamento, condenação e morte de Manson

Uma curiosidade é que Charlie Manson nunca matou diretamente nenhuma das vítimas, mas foi o mandante e a mente por trás dos assassinatos. Charlie Manson e seus fiéis seguidores só foram levados em custódia por causa de uma investigação de roubo de automóveis. Mas Susan Atkins, que participava da seita e estava presa, falou às companheiras de cela sobre seu papel nos assassinatos e tudo chegou à direção do presídio, que fez a ligação entre os crimes. Em dezembro de 1969 Charlie e outros membros da seita foram denunciados formalmente.

Em 19 de abril de 1971, o juiz Charles Older sentenciou Charlie Manson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten a morrerem na câmara de gás. Charles “Tex” Watson foi condenado à morte em 21 de outubro do mesmo ano. As condenações foram revertidas para prisão perpétua quando a Califórnia aboliu a pena de morte em 1972. Manson morreu de causas naturais em 19 de novembro de 2017, aos 83 anos, em um hospital de Bakersfield, na Califórnia, depois de ter ficado internado por 4 dias.

Charlie teve duas esposas ao longo da vida e quase se casou com uma fã, mas ao saber que ela deixaria seu corpo exposto em uma redoma de vidro, cancelou o noivado. Ele deixou três filhos: Charles Manson Jr., Valentine Michael Manson e Charles Luther Manson.

Charles e Elaine, sua ex-noiva

Curiosidades

Em 2013 o escritor Jeff Guinn publicou o livro “Manson: A biografia” que foi lançado no Brasil pela DarkSide Books por meio do selo Crime Scene. A obra possui mais de 500 páginas e conta com uma galeria de fotos, além de nota sobre as fontes entrevistadas para a biografia.

Lançado em 2013, o livro conta toda a trajetória da vida de Manson

Seu talento com a música rendeu algumas canções que foram gravadas por ele mesmo e por outros artistas e bandas como o Beach Boys e Guns N’ Roses. O sobrenome artístico do famoso cantor de rock Marilyn Manson é em homenagem ao serial killer. No vídeo abaixo, uma de suas músicas mais famosas: Look At Your Game, Girl.

Charlie Manson foi recentemente interpretado no cinema em “Era Uma Vez em… Hollywood” e na 2ª temporada da série “Mindhunter” da Netflix, ambas pelo ator australiano Damon Herriman, além de outros filmes e documentários focados no assassino.


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