O Massacre da Escola Politécnica de Montreal.

Gamil Gharbi nasceu em 26 de outubro de 1964, em Montreal, Quebec — Canadá. Ele era o fruto de uma relação entre uma enfermeira e um empresário. O seu pai era abusivo e desprezava as mulheres, incluindo sua própria mãe.‬

Quando Gamil tinha sete anos de idade seus pais se separaram e ele nunca mais teve contato com o pai. Sua mãe voltou a trabalhar como enfermeira para sustentar a família e, devido às longas horas de trabalho, seus filhos moravam com outra família durante a semana.‬

Gamil com apenas 14 anos, mudou seu nome para “Marc Lépine”. O ódio pelo seu pai foi a razão para a adoção do sobrenome materno. Lépine tentou se juntar ao Exército Canadense no inverno de 1980 – 1981, mas foi recusado por, segundo a sua carta de suicídio, ser “antissocial”.‬

Marc Lépine.

‪Em 1986 e 1989 Marc Lépine tentou entrar na Escola Politécnica, mas estava precisando de dois cursos do CEGEP requisitados para a admissão. Ele terminou um deles no inverno de 1989.‬

Marc Lépine.

O massacre.

‪Por volta das 16:00 de 6 de dezembro de 1989, Marc Lépine entrou no prédio da escola Politécnica, faculdade de engenharia ligada à Universidade de Montreal. Ele tinha uma espingarda semiautomática e uma faca de caça, que havia comprado afirmando que utilizaria para caçar.‬

Lépine se sentou no escritório do arquivista no 2º andar em silêncio. Mesmo quando um funcionário perguntou se poderia ajudá-lo, não obteve resposta. Ele deixou o escritório e foi para uma sala de aula de engenharia mecânica com cerca de 60 alunos no 2º andar, às 17:10.‬

Após se aproximar de um aluno que apresentava um trabalho, ele pediu para a turma parar o que estavam fazendo e ordenou que homens e mulheres ficassem em lados opostos da sala. Ninguém obedeceu, acreditando que seria uma brincadeira, até que ele disparou um tiro no teto da sala.‬

‪Lépine pediu que os 50 homens que estavam lá, deixassem a sala de aula. As nove mulheres deveriam permanecer. Ele lhes perguntou se elas sabiam porque estavam ali e, quando uma estudante disse que não, respondeu: “Estou lutando contra o feminismo”.‬

A estudante Nathalie Provost, respondeu: “Olha, somos apenas mulheres que estudam engenharia, não somos feministas que marcham na rua gritando que somos contra os homens, somos apenas estudantes que levam uma vida normal”.‬

Marc Lépine retrucou: “Vocês são mulheres e serão engenheiras. Vocês são um bando de feministas. Eu odeio feministas”. Em seguida, abriu fogo da esquerda para a direita, matando seis e ferindo outras três, incluindo Nathalie. Antes de sair, escreveu “Merda” duas vezes no trabalho de um aluno.‬

‪Ele continuou andando pelo corredor e feriu três estudantes antes de entrar em outra sala de aula onde tentou, duas vezes, atirar em uma aluna. A arma falhou, então ele se refugiou na escada de incêndio para recarregar e, então, retornou à sala na qual havia acabado de sair.‬

Os alunos trancaram a porta, e logo Lépine atirou nela três vezes, mas não conseguiu entrar. Pelo corredor, ele feriu uma pessoa. Em seguida, no escritório de assuntos financeiros, deu um tiro fatal em uma mulher através da janela da porta que ela havia acabado de trancar.‬

‪Ele foi para o refeitório, no 1º andar, onde haviam cerca de 100 pessoas, que se espalharam após ele matar uma mulher que estava perto da cozinha e ferir um outro estudante. Em um depósito destrancado, Lépine matou mais duas mulheres que estavam se escondendo lá dentro.‬

‪Ele também disse a um casal de alunos, um homem e uma mulher, que deveriam sair debaixo da mesa onde se escondiam. Eles obedeceram e foram poupados, saindo a salvos. Lépine foi para o 3º andar, por escada rolante. Feriu mais uma mulher e dois homens durante o caminho.‬

‪Ao entrar em mais uma sala de aula, Lépine feriu Maryse Leclair e ordenou aos três estudantes que estavam apresentando um trabalho, que saíssem. Ele atirou nos alunos que estavam na primeira fileira e matou outras duas mulheres que tentaram escapar do local.‬

‪Lépine foi até às alunas que estavam se escondendo em baixo das mesas, feriu três e matou uma. Então, se afastou e caminhou até à frente da sala, e foi aí que Maryse Leclair pediu clemência. Ele desembainhou sua faca de caça e esfaqueou a garota três vezes, matando-a.‬

Após isso, Lépine retirou o boné que estava usando, embrulhou a espingarda com seu casaco, disse em voz alta “Ah, merda!” e se suicidou com um tiro na própria cabeça, 20 minutos após dar início ao massacre. Ele matou 14 mulheres e feriu outras 14 pessoas, sendo quatro homens.‬

Às vítimas do massacre.

‪No bolso de dentro do casaco de Lépine, foi encontrada uma carta de suicídio e duas cartas para amigos. Apenas alguns detalhes da carta de suicídio foram revelados pela polícia à imprensa, porém, um ano após o ataque, a carta de 3 páginas vazou para a jornalista feminista Francine Pelletier.‬

Nela, havia uma lista de 19 mulheres proeminentes do Quebec que Lépine desejava matar, por ele as considerar feministas. Alguns estudantes sobreviventes também cometeram suicídio mais tarde. Nas cartas de despedida de pelo menos dois, a angústia após o massacre foi mencionada.‬

‪Em 2008, a mãe do atirador, Monique Lépine, publicou o livro ‘Aftermath’, sobre a sua jornada para superar a dor que a tragédia trouxe à mesma, que havia permanecido em silêncio sobre o massacre até 2006, quando decidiu, pela primeira vez, se pronunciar.‬

Ao completar 25 anos do massacre, em dezembro de 2014, o governo municipal de Montreal contratou uma empresa de produção de multimídia para instalar 14 holofotes no topo do Monte Royal, para simbolizar as 14 vítimas. Os raios luminosos foram voltados para o céu.

Memorial para as vítimas.

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