Paulinho Pavesi


Paulinho Pavesi, de 10 anos, morava junto de seus pais: Paulo Pavesi (o mesmo nome do filho) e Rosangela, em um prédio localizado em Poços de Caldas, no estado de Minas Gerais. Ele era um garoto estudioso, extrovertido, sempre alegrando amigos e familiares, era próximo da irmã.

Em 19 de Abril de 2000, Paulinho estava nadando com seus amigos no prédio. Até que tentou mostrar que conseguia se pendurar em uma grade, porém, por ter acabado de sair da piscina, estava com as mãos molhadas e inclinou muito o corpo, caindo aproximadamente de 10 metros.

Ele caiu em uma cabine de concreto, onde os porteiros ficavam. Ainda estava consciente e chorava. Nesse dia, o pai estava viajando para São Paulo. A mãe de imediato foi observá-lo e viu um corte sangrando na cabeça do filho. Ele foi encaminhado para o Hospital Pedro Sanches.

O hospital não ficava longe. Lá não era bem equipado, porém, por ser um acidente em que o atendimento deve ser o mais rápido possível, ele foi levado às pressas. Após exames, descobriram que ele havia tido um traumatismo craniano, tinha ferimentos no nariz e inchaço nos olhos.

Eles olharam a tomografia e chegaram a conclusão que deveria acontecer uma intervenção cirúrgica para retirarem coágulos no cérebro, formados pelo impacto. A mãe autorizou o procedimento. No início de uma cirurgia de 3 horas, o pai chegou ao hospital para acompanhar.

Os médicos informaram os pais, dizendo que tudo estaria bem, que o garoto iria se recuperar bem, com pequenas sequelas, como por exemplo convulsões, podendo ser controladas com remédios. Paulinho continuava na UTI, sem nenhuma previsão de alta.

Os pais, sem terem o que fazer, esperavam por seu filho que estava em um coma induzido. No dia posterior tudo teria mudado, Paulinho estava pior. Segundo os médicos, a febre do garoto teria aumentado, consequentemente, as doses de sedativos foram aumentadas.

E, com isso, o garoto já não respondia a estímulo algum. Tudo mostrava que Paulinho estaria indo a um estado vegetativo, que sua recuperação não seria nada fácil. O pai de Paulinho foi para casa avisar os parentes de sua atual situação.

Ao entardecer, um neurologista do hospital ligou para a família dizendo que precisava conversar com eles. Ao chegar no hospital receberam a notícia do falecimento de Paulinho, o médico teria dito que não haveria mais possibilidades de melhoras.

Para a retirada dos órgãos era preciso chamar a central de transplantes de Poços de Caldas, nas palavras do neurologista foi dito que levaria algumas horas para retirarem os órgãos, mesmo assim poderiam fazer o funeral do corpo no mesmo dia.

Os médicos retiraram os órgãos de Paulinho enquanto ele ainda estava vivo, com plena consciência da ilicitude do ato. O único exame de arteriografia feito no Hospital Pedro Sanches, e apresentado por eles à Justiça, mostra que havia circulação de sangue no cérebro do garoto.

Isso comprova que ele não tinha tido morte encefálica. O “esquema” só foi descoberto porque o pai de Paulinho percebeu que havia cobranças indevidas na conta hospitalar. Algum tempo depois, Pavesi recebeu uma conta de R$ 11 mil do hospital.

A cobrança incluía, entre outras coisas, os gastos com o transplante feito no garoto. Intrigado, ele resolveu pesquisar e descobriu que a operação para retirada de órgãos é feita com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e, portanto, não pode ser cobrada.

Ele descobriu que a irregularidade era parte de um esquema de venda de órgãos gerenciada por uma central clandestina, a MG Sul Transplantes, que estava registrada como uma ONG e usava nome similar ao do órgão estadual responsável por este tipo de procedimento, a MG Transplante.

Paulinho foi atendido pelo médico nefrologista Álvaro Ianhez, coordenador do setor de transplantes do hospital e, ao mesmo tempo, um dos fundadores da ONG MG Sul Transplantes. Com a ajuda de Celso Scafi, Cláudio Fernandes e Sérgio Gaspar decretou “a morte encefálica”.

O Pavesi pai quis acionar a ONU, mas para que isso ocorra é necessário que aconteça o trânsito em julgado do processo, ou seja, todas as instâncias recursais sejam esgotadas. Ele pediu asilo à Itália em 2008, alegando ter recebido ameaças dos envolvidos na morte de Paulinho.

Em 2014, três dos sete médicos que foram responsáveis pela morte de Paulinho foram presos, mas em 2016 foram soltos. Não existe ninguém preso atualmente, os médicos esperam o julgamentos soltos.

O pai chegou a escrever um livro, “Tráfico de Órgãos no Brasil – O que a máfia não quer que você saiba”. Ele também criou um canal no YouTube, onde detalhava o caso. Em 2019, fez uma live com o nome “O Fim do caso Paulinho Pavesi” anunciando que iria fazer greve de fome.

Durante a live ele disse: “sete pessoas se juntaram para matar uma criança de 10 anos de idade. Uma criança que foi sedada. Uma criança que não teve direito de se defender. Eles tiraram os órgãos dessa criança viva, que é meu filho, e venderam esses órgãos”.

Ele também disse que estava indisposto e sem esperanças para continuar em busca de justiça. Logo em seguida, subiram uma hashtag no twitter #SomosTodosPavesi para motivar o pai de Paulinho. Alguns Youtubers chegaram a apoiar e gravaram vídeos em apoio.

O pai de Paulinho chegou a ser banido do YouTube, sem poder criar nenhum outro canal. Ele também foi banido do Facebook. Atualmente, infelizmente, não tem um ponto final, e muito menos justiça feita, no caso do garoto Paulinho Pavesi.

Ao clicar na imagem, você será redirecionado para o vídeo na Thread feita em nossa página no Twitter.

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